Uber: passageiras podem escolher motorista mulher, mas horário é limitado
O aplicativo ofertava as motoristas a opção de escolherem apenas passageiras; a medida visa dar mais conforto e seguranças as usuárias
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O aplicativo Uber divulgou a expansão da funcionalidade “Uber Mulher” e agora permite que passageiras peçam viagens com motoristas mulheres. A ferramenta será lançada de forma gradativa em 13 capitais brasileiras. Em Belo Horizonte (MG), a função chegou para algumas clientes nessa quarta-feira (11/3) e vai se expandir com o decorrer do tempo.
As usuárias verão de forma imediata na tela inicial a opção “Uber Mulher” entre as opções disponíveis de viagem. Esse recurso ficará disponível apenas em uma parte do dia, de 6h às 20h, e ao selecionar essa ferramenta, o app tentará parear a viagem com uma motorista mulher. A reportagem questionou o motivo para o horário reduzido, mas a empresa não especificou o porquê.
Se o tempo de espera for muito longo, o aplicativo perguntará à usuária se ela quer continuar aguardando ou se prefere redirecionar a viagem para o motorista mais próximo.
Segundo a empresa, esses recursos fazem parte do compromisso de longo prazo da Uber em oferecer mais conforto e segurança para as usuárias e pessoas não binárias.
Somada a essa função, a empresa oferta a Reserve Uber Mulher, que permite que usuárias selecionem a opção “Uber Mulher” na hora de reservar a viagem. Só será permitida essa opção com antecedência mínima de 30 minutos.
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As mulheres podem também definir nas preferências do aplicativo a opção por uma motorista mulher nas configurações de Perfil/Preferências de Viagem. Com essa opção ativa, o aplicativo prioriza - mas não garante - uma motorista mulher na solicitação das viagens de Uber X. Como o atendimento do pedido depende da quantidade de motoristas parceiras na região, se o tempo de espera for muito longo, o aplicativo irá redirecionar o pedido de viagem para o motorista mais próximo de forma automática.
Motorista e passageira comemoram
A novidade foi comemorada por quem tem a ferramenta como objeto de trabalho e por quem costuma usá-lá como instrumento de transporte.
A estudante de jornalismo Laura Torres, de 23 anos, tem o hábito de pedir Uber, principalmente nos fins de semana para sair com os amigos. Ela gosta das vezes em que pede um carro e a motorista é uma mulher.
“Não é algo que acontece na maioria das vezes que solicito uma corrida, mas me sinto mais confortável e ‘abaixo a minha guarda’ caso tenha alguma interação”, diz. “Acredito que essa nova política da Uber vai fazer muita diferença na experiência das usuárias mulheres, por essa maior sensação de segurança e pela cumplicidade que temos umas com as outras”, afirma Laura.
A motorista Simone Carla de Almeida, de 58 anos, trabalha com o aplicativo Uber há aproximadamente 5 anos e meio. Ela não sabia da novidade, ficou feliz e atestou que a medida demorou para ser colocada em vigor. Simone conta que grande parte das viagens que faz são com passageiras mulheres.
“Desde que eu comecei a rodar no aplicativo, a maioria das passageiras que levo questionam por que elas não tinham a opção de escolher apenas motoristas mulheres. Sempre respondi a elas que é porque a plataforma é altamente machista”, afirma a motorista.
A empresa de transporte têm a função que permite que as motoristas escolham só passageiras. A Simone nunca optou por fazer as corridas na modalidade 100% mulher. Ela roda apenas aos fins de semana e no período da manhã. Por isso, não sente a necessidade de optar pela ferramenta.
Processo nos EUA
A Uber e a Lyft, empresa de transporte que roda nos Estados Unidos (EUA) e no Canadá, foram processadas por um grupo de motoristas homens, após esse recurso ter sido colocado em vigor nos EUA. O processo corre na Califórnia, cidade que possui algumas das leis antidiscriminação mais rigorosas do país estadunidense. As informações são da Revista Times.
De acordo com os advogados que representam o coletivo, os motoristas homens são discriminados e recebem menos demandas de serviço e corridas diferentes do que receberiam se não houvesse essa política. Ainda segundo eles, a política reforça o estereótipo de gênero de que os homens são mais ‘perigosos’ que as mulheres.
Eles pedem uma indenização de US$ 4.000 por motorista do sexo masculino na Califórnia por violação da lei estadual.
99
A 99 têm uma função similar ao da empresa Uber, em que as motoristas parceiras, ao ativar o botão 99 Mulher no app, recebem chamadas apenas de passageiras. Porém ainda não tem a função que permite que as usuárias tenham a oportunidade de escolher o gênero do motorista.
Para as passageiras, eles oferecem as ferramentas de automação Pítia, que conecta passageiras em situações de risco apenas com motoristas mulheres ou com homens melhor avaliados; e a Athena, que envia mensagens preventivas e de comportamento, que oferecem dicas ao motorista designado.
De acordo com a empresa, são utilizados GPS e outras tecnologias para identificar mudanças de rota, paradas longas e trajetos prolongados.
Se alterações são detectadas, a equipe de segurança envia um alerta às passageiras e motoristas mulheres.
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A 99 informa que mulheres são as que mais pedem viagens pela empresa. No comparativo entre 2024 e 2025, as mulheres são maioria entre os que mais pedem viagens pela plataforma no Brasil, respondem por 66% das solicitações de carro e 60% das de moto.