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MEIO AMBIENTE

Lagoa da Pampulha recebe caravelas ecológicas para monitorar água

Estruturas de três metros de altura prometem coletar dados sobre a qualidade hídrica e ajudar na oxigenação da lagoa

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A partir desta sexta-feira (4/4), quem passar pela orla da Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, verá quatro estruturas flutuantes de cor azul, inspiradas em barcos à vela, sobre a lâmina d'água. A novidade, de 5 metros de comprimento, 3,5 m de largura e 3 m de altura promete, além de monitorar a qualidade da agua, contribuir para despoluir a lagoa.

Os objetos estão posicionados em quatro locais ao longo da lagoa, todos próximos de pontos turísticos, sendo eles: Mineirinho, Parque Ecológico Promotor Francisco Lins do Rego, Museu de Arte da Pampulha (Map) e a Praça de Iemanjá.

As caravelas ficarão 'ancoradas' na lagoa por três meses. A ideia é fruto de uma parceria da empresa Zurich Seguros e da Infinito Maré, que criou a Solução Baseada na Natureza (SbN), que promete monitorar e despoluir rios, baías, lagos, represas e outros corpos hídricos de água doce e salgada.

Como funcionam as caravelas?

Por influência dos ventos e das correntes, enquanto as caravelas azuis giram em torno do próprio eixo

Por influência dos ventos e das correntes, enquanto as caravelas azuis giram em torno do próprio eixo

Alexandre Guzanshe/EM/D.A

Por influência dos ventos e das correntes, enquanto as caravelas azuis giram em torno do próprio eixo,  coletam dados sobre a qualidade da água e estimulam o crescimento de algas nativas, que através da captura de CO2 e de absorção de poluentes, como metais pesados e nutrientes em excesso, melhoram o processo de oxigenação da água.

Para Bruno Libardoni, oceanógrafo com Ph.D em geociências pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e CEO da Infinito Maré, a tecnologia é, na verdade, um conhecimento antigo sobre o processo de purificação das águas.

“As caravelas são uma tecnologia que carrega séculos de sabedoria ancestral, de como diferentes povos ao longo de milênios já entendiam a água como um ser vivo, que se regenera por si mesmo. O poder das plantas de purificar é o nosso ponto de partida", conta Bruno.

Na prática, as caravelas funcionam como uma espécie de ímã que atrai o crescimento de algas nativas e promove a biodiversidade. Ainda de acordo com o oceanógrafo, as estruturas são também adaptáveis e facilmente transportáveis, e criam um ambiente onde organismos nativos crescem, formando uma turfa de algas (material orgânico que se forma a partir da decomposição de vegetais).

A empresa reforça também que a tecnologia não introduz químicos ou espécies exóticas e é indicada para corpos d'água que recebem esgoto e nutrientes em excesso, já que as algas também capturam fósforo e nitrogênio, prevenindo a eutrofização e a proliferação de espécies tóxicas. 

Bruno Libardoni lembra que as primeiras análises permitirão entender como a lagoa responderá à tecnologia e quantas Caravelas seriam necessárias para oferecer uma remediação mais efetiva. O CEO explica também que as colheitas das algas ainda podem alimentar a economia circular, já que a biomassa coletada pode virar matéria-prima para biofertilizantes, biogás, biocombustíveis e outros produtos.

“A caravela é como se fosse uma ilha que atrai poluição. Se esta ilha se conecta com outra ao lado, são duas Caravelas criando uma inteligência mais complexa sobre o ambiente”, acrescenta Libardoni.

De acordo com o oceanógrafo, a proposta também está alinhada à geração de créditos de carbono, já que, ao longo de um ano, cada Caravela pode compensar até 1 tonelada de CO2 (o equivalente ao compensado por seis árvores em 20 anos). 

Idealizada por Bruno Libardoni, a Caravela foi desenhada pela equipe criativa da Furf Design Studio e recebeu em 2018 o maior prêmio de EcoDesign do mundo, o Top Innovation Award, em Guangzhou, na China. Segundo os criadores, sua rotação contínua oferece a quem observa a sensação de ver desde um barco à vela, ou até mesmo uma imensa gota d’água. 



Por que a Pampulha? 

De acordo com a empresa, a escolha da Pampulha ocorreu por ser o cenário ideal para a implementação da tecnologia, já que o local sofre com o derramamento de esgoto nos córregos que desembocam na Lagoa e com a poluição arrastada pela água das chuvas. Além disso, a empresa destaca a importância histórica e cultural da Pampulha para Minas Gerais, cuja identidade está intimamente ligada a seus rios, lagos e cachoeiras.

Espaço tradicional de lazer dos belorizontinos, a Lagoa da Pampulha começou a sofrer os impactos da urbanização e da poluição principalmente nos anos 1980. Hoje ela abriga o Conjunto Moderno da Pampulha, idealizado por Oscar Niemeyer na década de 1940. Tombado pelo Iphan em 1997 e reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade pela ONU em 2016, o conjunto é um dos principais cartões-postais do Brasil. 


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"Tem expectativa de expandir o projeto e aumentar a quantidade de caravelas na Pampulha, mas isso depende dessa primeira observação que iremos fazer daqui dois meses, que vai apontar quantas caravelas seriam necessárias para resultados maiores", finaliza Libardoni.

A tecnologia foi instalada pela pela primeira vez, em tamanho real, em dezembro de 2024, durante o Tomorrow Blue Economy, em Niterói (RJ), evento dedicado ao empreendedorismo no contexto da Economia Azul. Hoje, uma Caravela está ancorada na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, onde coleta dados sobre a qualidade da água da Guanabara. 

*Estagiária sob supervisão do subeditor Gabriel Felice

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