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ÁGUA BOA

Caso Yara: mãe entra na Justiça para retomar guarda da irmã de 13 anos

O Conselho Tutelar determinou que a guarda provisória da adolescente fique com uma irmã mais velha por parte de pai

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A mãe de Yara Karolaine Martins Neves, de 10 anos, morta em Água Boa, no Vale do Rio Doce, no início de março, entrou com um pedido para retomar a guarda da irmã da menina, de 13 anos. O Conselho Tutelar da cidade decidiu, em 20 de março, que a guarda provisória da irmã de Yara ficaria com uma irmã mais velha das duas, por parte de pai. 


Segundo o Conselho Tutelar, na época do crime, a tutela das meninas, de 10 e 13 anos, estava com o pai. Os três moravam em uma fazenda na zona rural do município e o homem deixava as filhas irem até o centro da cidade para visitar a mãe. Porém, em uma dessas visitas, as filhas não quiseram voltar para casa com o pai.


Cerca de um mês antes do desaparecimento de Yara, o pai foi até a casa da mãe para buscar as filhas. Teve uma discussão com a ex-mulher, a agrediu e acabou preso. De acordo com o órgão de proteção, o homem estava detido no Presídio de Capelinha desde 6 de fevereiro. Enquanto isso, as meninas estavam na companhia da mãe.


Em entrevista ao Estado de Minas, a mãe, Maria Geralda Martins, conta que decidiu contratar um advogado para tentar agilizar o procedimento e retomar a tutela da adolescente.


“Agora estou correndo atrás da guarda provisória dela, até eu conseguir a definitiva. Ela não quer ficar com a irmã. Disse que quer ficar comigo, na hora em que eu mais preciso. Estou fazendo o que eu posso”, afirma.


A mãe diz que neste um mês, desde que Yara desapareceu, sua vida mudou completamente. “Dói demais ficar sem minhas duas filhas. Perdi as duas de uma vez. Toda vida trabalhei para cuidar dessas meninas, dava meu sangue por elas. E, de repente, eu perco as duas. Está difícil demais”.


A menina desapareceu em 5 de março depois de ser vista entrando em um carro branco. O corpo de Yara foi encontrado três dias depois em um matagal ao lado de uma ponte em Cachoeira Pelo de Gato, distrito de São Pedro do Suaçuí. O lugar fica a 55 quilômetros de onde ela teria sido vista pela última vez. Ele estava enrolado em saco plástico e tinha marcas de violência.


Mudança de cidade

Maria Geralda conta que não consegue mais acompanhar as investigações porque decidiu deixar Água Boa. Agora ela vive em Sete Lagoas, na Região Central. “Não tinha condições de ficar lá mais. Sem as minhas filhas, ficar lá fazendo o que, sozinha?” 


Além disso, em Sete Lagoas, ela tem a companhia dos filhos mais velhos, de 25, 23 e 20 anos, respectivamente. Todos moram na cidade. “Aqui eu não fico sozinha. Todos moram pertinho de mim. No fim de semana estou cada dia na casa de um deles, para não ficar sozinha. Em Água Boa não era assim”.


Segundo a mãe, depois do crime, chegou a ficar três dias sem sair de casa, o que preocupou os filhos mais velhos. “O apoio da família faz muita diferença. O que mais dá força pra gente. Não é fácil passar pelo que passei e ainda estou passando”, lamenta. 


Apesar da distância, ela diz que segue querendo justiça para a filha. “Não sei em que pé está a investigação, só sei que esse homem (o suspeito do crime) está preso em Ribeirão das Neves. Não sei se o inquérito já foi fechado, se os exames da minha menina ficaram prontos. Só queria pedir justiça pelo que ele fez, acabou com a minha família. Que a justiça seja feita, para ele pagar pelo que fez comigo e com minha pequena”, conclui, emocionada. 


Investigações

Um dia depois do corpo da menina ser encontrado, um homem, de 56 anos, motorista da prefeitura de Água Boa, foi identificado e preso suspeito do crime. Para a polícia, ele confessou ter enforcado a vítima depois de levá-la para a casa dele. O homem usou dois veículos oficiais para cometer o crime.


Em depoimento, o suspeito contou que, na noite do desaparecimento, estava passando por uma rua, quando viu a menina e a convidou para comer uma pizza na casa dele. A intenção, segundo ele, era manter relações sexuais com a criança.

O motorista afirmou que não forçou a vítima a entrar no automóvel. Ela já conhecia o suspeito, que teria se relacionado com a mãe da menina. O homem negou aos policiais que tenha abusado de Yara. Ainda em depoimento, disse que decidiu enforcar a menina depois de perceber que ela poderia contar do ocorrido para a mãe. 

Em seguida, o homem enrolou o corpo em um lençol, a colocou no carro da prefeitura e a levou até São Pedro do Suaçuí.

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Procurada pela reportagem, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que a investigação ainda está em andamento e aguarda a finalização dos laudos e realização de algumas diligências para a conclusão do caso.

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