Vizinhos de obra paralisada denunciam abandono de cão
Entre outros problemas na área, moradores dizem que cachorro deixado para vigiar a construção é vítima de maus-tratos
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Siga noMoradores da Rua Brás Cubas, no Bairro Cruzeiro, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, denunciam transtornos causados por uma obra inacabada, localizada no número 66 da via. De acordo com vizinhos do terreno, um cachorro deixado para tomar conta da construção é vítima de maus-tratos. Além disso, segundo eles, a obra é um reservatório de focos de dengue e há preocupação com proliferação de animais peçonhentos em razão do acúmulo de entulho. Alguns deles também temem que a construção inacabada seja invadida por moradores em situação de rua.
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O Estado de Minas esteve na rua e conversou com diversos moradores, porém todos temem se identificar por medo de represálias por parte dos responsáveis pelo empreendimento. A obra está a cargo da HLF Construções, empresa com sede no Bairro Belvedere, Região Centro-Sul da capital e, segundo os moradores, está parada há um ano e seis meses.
“O cão está em total situação de abandono, ninguém quase nunca vem limpar, dar água ou comida. A vizinhança é que tem se reunido para mantê-lo alimentado. De vez em quando, sem dia muito fixo, eles vêm, jogam uns pedaços de frango por cima do muro e vão embora. Ele chora e late boa parte da noite”, relata um vizinho.
Outra moradora diz que uma vez a Polícia Militar foi até o local depois de uma denúncia. Porém, os militares chegaram, bateram no portão e, como ninguém apareceu, foram embora. Um terceiro vizinho ouvido pela reportagem relata que um dos animais já fugiu do local e demonstra preocupação com a situação. “Se o cachorro é agressivo, não sabemos o que fazer.”
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O animal seria de um canil contratado pela construtora para tomar conta da obra. Porém, em situação irregular em relação ao estabelecido pela Lei Municipal 11.726/2024, que regulamenta a comercialização de cães para fins de segurança patrimonial privada, de vigilância ou de atividade congênere na capital.
Em seu artigo 5°, a norma elenca as obrigações do tomador de serviços: são ao menos dois cães em cada posto; eles devem estar acompanhados de um vigilante habilitado na condução e no cuidado dos animais para garantir a segurança dos cães e das pessoas que se encontrarem no local. A regra prevê, ainda, que os animais devem ser mantidos em instalações apropriadas para sua presença e circulação segura. Os locais devem receber limpeza diária e constante para manter a higiene. Também prevê alimentação adequada, água limpa em recipiente limpo 24 horas por dia; além de proteção contra chuva, frio e calor excessivos, com estrutura que garanta proteção térmica.
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O art.8°, por sua vez, da mesma lei determina que, quando utilizado em serviço, o cão deve usar peitoral de pano sobre o dorso, contendo o logotipo, o nome e o telefone da empresa prestadora do serviço. No espaço, a reportagem encontrou apenas um cachorro e sem identificação da empresa responsável. Não havia nenhum vigilante habilitado. Também não foi possível identificar alimentos ou recipientes com água limpa na parte externa da construção.
Dengue e segurança
Além da situação do cachorro, outros moradores relatam a preocupação com focos de dengue. Um casal conta que fez reclamações na Prefeitura de BH a respeito da situação. “Ano passado, tivemos dengue. Outros moradores da rua também.” Segundo eles, há três semanas, uma equipe de zoonoses foi ao local. Mas, como nenhum representante da empresa estava presente para abrir o portão, os agentes foram embora sem fazer a fiscalização.
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Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte informa que outro time da zoonoses deve ir até o espaço para verificar a situação e tomar as medidas cabíveis em relação aos possíveis focos de dengue. Quanto ao cachorro, o Executivo Municipal ressalta que abandono e maus-tratos de animais são crimes e devem ser denunciados à Delegacia Especializada de Investigação de Crimes Contra a Fauna de Minas Gerais.
O engenheiro responsável pela HLF Construções, Ronaldo Brandão, disse que a empresa já entrou em contato com a prefeitura e buscou orientações de como proceder em relação aos focos de dengue e possível proliferação de animais peçonhentos. Em relação ao cachorro, informou que o animal pertence a uma empresa de vigilância e que o tratador vai ao local todos os dias pela manhã e à noite.
O responsável pela empresa de vigilância, Fabrizio Gustavo, disse que o cachorro é bem tratado e que vai ao local duas vezes ao dia para cuidar dele. Ressalta que o animal está com o cartão de vacinas em dia e regularizado. “Vou pela manhã para poder tratar e fazer a limpeza do ambiente e à tarde volto para poder tratar dele novamente. Como a obra está paralisada, o cachorro está ficando solto o dia todo. Sobre o latido que os vizinhos estão reclamando, posso olhar com eles a troca do cachorro para não incomodar.”