Economia criativa ganha relevância na folia mineira
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Na temporada mais intensa do calendário cultural brasileiro, o Carnaval de 2026 se afirma como um laboratório criativo para marcas e agências. Entre narrativas ousadas, avanços tecnológicos e ativações que ultrapassam os limites da publicidade tradicional, o protagonismo cada vez maior do público exige das marcas presença autêntica e experiências que transcendam a propaganda. Em Minas, esse movimento se notabiliza em duas frentes do mercado publicitário e econômico. A primeira é o fortalecimento da economia criativa, impulsionada por micro e pequenos empreendedores que transformam a festa em oportunidades de negócio direto. E a outra decorre da economia formal de patrocínios e investimentos de grandes marcas, que ainda não se consolidou em Belo Horizonte.
Entre os principais patrocinadores, destacam-se a Cemig e o Mart Minas, que enxergam na festa uma oportunidade de reforçar suas marcas e ampliar sua presença junto ao público mineiro. A Cemig destinou recursos para mais de 50 projetos culturais em 25 municípios, incluindo Belo Horizonte, dentro do edital "Carnaval da Liberdade Cemig 2026". O aporte financeiro, superior a R$ 12 milhões, segundo a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, tem como objetivo descentralizar o acesso à cultura e fortalecer o turismo regional.
Mas a estratégia da companhia não se limita ao patrocínio, pois durante o período de folia, a Cemig lança campanhas publicitárias voltadas para a conscientização sobre o consumo responsável de energia e a segurança elétrica em eventos de grande porte. Essas campanhas estão sendo veiculadas em rádio, televisão, redes sociais e mídia exterior, reforçando a imagem institucional da empresa como parceira da cultura e da responsabilidade social.
Já o Mart Minas, maior atacarejo de Minas Gerais, aposta em uma estratégia mais direta de ativação de marca. Com suas 71 lojas distribuídas pelo estado, a rede utiliza campanhas promocionais voltadas para produtos de alto consumo durante o Carnaval, como bebidas, alimentos e itens de conveniência. Além disso, promove ações de rua em Belo Horizonte e em cidades históricas, apoiando blocos carnavalescos e oferecendo sorteios e brindes para foliões e ambulantes. Embora os valores exatos não tenham sido divulgados, o investimento da rede se insere em um contexto de movimentação econômica que ultrapassa R$5 bilhões, beneficiando diretamente mais de 45 micros e pequenos negócios. Para o Mart Minas, o Carnaval foi uma oportunidade de converter visibilidade em vendas imediatas, reforçando sua identidade como marca popular e próxima do consumidor.
O contraste entre as duas estratégias é revelador para o mercado publicitário. Enquanto a Cemig aposta em branding institucional e campanhas educativas que fortalecem sua reputação, o Mart Minas utiliza a evento como ferramenta de conversão e engajamento comunitário. Juntas, as iniciativas mostram como o Carnaval mineiro se transformou em um hub de investimento publicitário multifacetado, capaz de unir tradição cultural e oportunidades comerciais em uma mesma plataforma.
Por outro lado, com o aumento previsto no fluxo de foliões e turistas, o Carnaval deve movimentar R$ 5,75 bilhões em toda a economia do estado, especialmente pela participação direta de mais de 400 mil pequenos negócios entre microempreendedores individuais (MEIs), micro e pequenas empresas ligados a serviços, comércio e atividades criativas.
A capital deve reunir cerca de 6,2 milhões de foliões nas ruas e circuitos de blocos, projetando um impacto econômico superior a R$ 1 bilhão. Pesquisa da CDL/BH indica que o gasto médio do folião em Belo Horizonte deve girar em torno de R$ 110 por dia, incluindo alimentação, bebidas, vestuário e acessórios, informação relevante para marcas que buscam dimensionar potencial de consumo em eventos populares. Além disso, quase 99 % dos empresários do comércio, serviços e turismo avaliam o Carnaval como positivo para seus negócios, reforçando o papel da festa como motor econômico em nível local.
Em comparação com grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro ou Salvador, onde o Carnaval movimenta bilhões de reais e atrai investimentos substanciais de marcas nacionais e internacionais, o Carnaval mineiro ainda se desenvolve em uma dinâmica mais pulverizada e orgânica. Estimativas apontam que, em 2026, a festa deve gerar cerca de R$ 18,6 bilhões em todo o Brasil, valor que evidencia a diferença de escala em relação à participação mineira no "bolo" econômico. No entanto, a folia mineira se diferencia por combinar cultura, emoção e experiências inéditas, capazes de estimular novas formas de interação que vão além da simples exposição de produtos, colocando o público no centro das atenções.
Briefing
PUBLICIDADE EM LUTO
O mercado publicitário mineiro despediu-se de Bruno César de Souza Teixeira, publicitário, professor e sócio fundador da PopCorn Comunicação, falecido na segunda-feira (10), aos 60 anos. Ao longo de mais de duas décadas, Bruno construiu sua carreira marcada pela competência, sensibilidade e compromisso com o desenvolvimento da propaganda mineira. Reconhecido pelo perfil agregador e pela postura ética, pautou sua vida profissional pela cooperação, solidariedade e respeito às pessoas.
LEGADOS
Entre 2020 e 2022, Bruno exerceu a vice-presidência do SINAPRO-MG, período em que participou de iniciativas voltadas ao fortalecimento institucional e à valorização da atividade publicitária. Além da atuação na publicidade, dedicou-se ao ensino, contribuindo para formação de novas gerações de criativos e comunicadores. Tornou-se mentor, referência e incentivador, compartilhando experiências práticas e princípios humanos.
INSPIRAÇÃO
Reconhecido não apenas por resultados e projetos, mas pela forma como conduziu relações profissionais e pessoais, sua ética, respeito, empatia e espírito coletivo marcaram sua liderança, exercida pelo exemplo e pelo diálogo. Sua ausência será profundamente sentida, mas seu legado permanecerá vivo no trabalho, nas ideias e nas pessoas que ajudou a formar.
MELHOR DO SUPER BOWL
O anúncio "American Icon", da Budweiser, conquistou o topo do Ad Meter do USA Today. O comercial "all-American" da marca de cerveja mostrou um cavalo ajudando um filhote de águia a crescer e alçar voo. Essa é a segunda vitória consecutiva da Budweiser no Ad Meter.
TOP 5
A Budweiser trabalhou com a BBDO New York no spot de 60 segundos, que teve direção de Henry-Alex Rubin. O filme é embalado por Free Bird, do Lynyrd Skynyrd. Lay's ficou em 2º lugar com "Last Harvest" (nota 3,8). O Top 5 foi completado por Pepsi ("The Choice"), Dunkin' ("Good Will Dunkin'") e Michelob Ultra ("The Ultra Instructor"). Comerciais centrados em IA tiveram baixa performance: OpenAI (45º), Anthropic (46º) e Svedka Vodka (53º).
RECORD
O show de intervalo do Super Bowl, comandado pelo porto-riquenho Bad Bunny, alcançou a maior audiência da história do evento, com mais de 135,4 milhões de espectadores, segundo dados oficiais divulgados pela NBC Sports, emissora responsável pela transmissão nos Estados Unidos. O número supera o recorde anterior, registrado em 2025 pelo rapper Kendrick Lamar, que havia ultrapassado a marca de 133 milhões.
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MAIS CARO
O feito amplia o movimento iniciado em 1993, quando Michael Jackson transformou o intervalo do Super Bowl em um espetáculo cultural de escala global, transformando o evento em vitrine de entretenimento, música e publicidade. O sucesso se reflete diretamente no valor comercial do jogo. Em 2026, inserções de 30 segundos chegaram a custar mais de US$ 10 milhões, um novo recorde para a publicidade televisiva americana, segundo o Financial Times .