Rubio culpa ego de Lula por tarifaço: 'Brasil não negociou de boa-fé'
Secretário de Estado dos EUA afirma que governo brasileiro priorizou interesses políticos e atribui ao presidente responsabilidade pela tarifa de 25%
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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a responsabilidade pela tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros anunciada pelo governo de Donald Trump. Em publicação na rede social X (antigo Twitter) nesta quinta-feira (16/7), Rubio disse que o governo brasileiro não negociou "de boa-fé" com os Estados Unidos e responsabilizou Lula pela adoção da medida.
"Hoje, o presidente Trump determinou que o USTR imponha uma tarifa de 25% sobre a maioria das importações brasileiras. Não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé", escreveu.
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Na sequência, Rubio elevou o tom das críticas ao governo brasileiro. "Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso", finalizou.
Today, President Trump directed USTR to impose a 25% tariff on most Brazilian imports. Let there be no confusion about why: President Lula and his government have not negotiated with the US in good faith.
— Secretary Marco Rubio (@SecRubio) July 16, 2026
His economic policies are bad for Americans and bad for Brazilians. For…
Na madrugada desta quinta-feira, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que pretende acionar os mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade. Em vigor desde o ano passado, a legislação estabelece os instrumentos que podem ser utilizados pelo Brasil para responder a sanções econômicas impostas por outros países.
Tarifa entra em vigor dia 22
O novo tarifaço foi anunciado na madrugada desta quarta-feira (15/7) e deve entrar em vigor em 22 de julho. A sobretaxa será aplicada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que autoriza o país a adotar medidas retaliatórias contra parceiros comerciais cujas políticas ou práticas sejam consideradas injustas.
O anúncio encerra a investigação aberta pelo Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR) em julho do ano passado.
Apesar da sobretaxa, o governo americano manteve uma lista de cerca de 2,1 mil produtos brasileiros isentos da medida. Entre eles estão carne, café, laranja, suco de laranja e peças utilizadas na fabricação de aeronaves, itens considerados estratégicos para a pauta exportadora brasileira.
Após analisar manifestações de empresas e associações durante audiências realizadas na semana passada, o USTR ampliou a lista de exceções. Foram incluídos produtos como ferro-gusa, café solúvel sem adição de sabor, mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e aço, determinados frutos do mar, couros, produtos de madeira, medicamentos, insumos farmacêuticos, antiguidades, obras de arte e roupas usadas.
Segundo o governo americano, esses itens permaneceram livres da tarifa por serem considerados insumos importantes para a indústria dos Estados Unidos, terem baixa oferta no mercado doméstico ou serem de difícil substituição por fornecedores de outros países.
Por outro lado, o USTR rejeitou pedidos de isenção apresentados por setores como máquinas agrícolas e industriais, vestuário, calçados, equipamentos elétricos, ferramentas de jardinagem, papel, açúcar orgânico e diversos produtos manufaturados. Na avaliação do órgão, esses produtos podem ser adquiridos em outros mercados ou não justificam uma exceção à tarifa.
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A agência também retirou da lista de isentos a celulose de alta pureza após receber manifestações de que produtores brasileiros do insumo seriam beneficiados por práticas relacionadas ao desmatamento ilegal.