FGTS para quitar dívidas: vale a pena usar o fundo de garantia?
O governo liberou o uso do saldo para o programa Desenrola; especialistas analisam as vantagens e desvantagens de sacar o recurso para limpar o nome
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A decisão de usar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar dívidas tornou-se uma possibilidade real. A medida inclui a liberação de valores residuais bloqueados para quem aderiu ao saque-aniversário e foi demitido entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025, com saque previsto para 26 de maio de 2026, além da permissão para usar o saldo no programa de renegociação de dívidas, o Desenrola.
O valor que pode ser usado é de até 20% do saldo do FGTS ou R$ 1.000, o que for maior, e as dívidas elegíveis incluem cartão de crédito, cheque especial e Crédito Direto ao Consumidor (CDC). A estimativa é de que até R$ 8,2 bilhões do FGTS possam ser utilizados para quitação de dívidas por meio do programa.
O FGTS funciona como uma poupança, criada para proteger o trabalhador em caso de demissão sem justa causa e para auxiliar na compra da casa própria. Sacar o valor para outros fins exige uma análise cuidadosa, pois a escolha impacta a segurança financeira e os planos futuros de cada pessoa.
A resposta para essa pergunta depende do perfil da dívida e da situação pessoal do trabalhador. É preciso comparar os juros do débito com o rendimento do fundo para entender se a troca faz sentido do ponto de vista financeiro.
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Vantagens de usar o FGTS para quitar dívidas
A principal vantagem é se livrar de juros altos, que transformam pequenas dívidas em valores extremos. Dívidas de cartão de crédito e cheque especial, por exemplo, possuem taxas que superam facilmente os 100% ao ano, enquanto o rendimento do FGTS é de 3% ao ano mais a Taxa Referencial (TR).
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Alívio financeiro imediato: quitar débitos com juros elevados interrompe o crescimento da dívida e libera parte do orçamento mensal que antes era destinado ao pagamento de parcelas.
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Limpar o nome: regularizar a situação nos órgãos de proteção ao crédito permite recuperar o acesso a financiamentos, empréstimos e outros serviços financeiros.
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Aproveitar descontos: programas como o Desenrola oferecem condições especiais e descontos que podem chegar a 90% para a quitação à vista, potencializando o uso do FGTS.
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Riscos e desvantagens a considerar
Apesar dos benefícios, usar o FGTS para pagar contas tem desvantagens importantes. A principal é que o trabalhador abre mão de sua principal reserva de emergência para o caso de uma demissão inesperada.
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Perda da segurança: sem o saldo do FGTS, uma futura demissão pode ter um impacto financeiro muito maior, deixando a pessoa desprotegida até encontrar um novo emprego.
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Adiar o sonho da casa própria: o fundo é uma ferramenta essencial para dar entrada em um imóvel e usar o recurso agora pode atrasar ou inviabilizar essa conquista por vários anos.
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Não resolver a causa do problema: se a dívida foi gerada por descontrole financeiro, apenas quitá-la sem mudar os hábitos pode levar a um novo endividamento no futuro, mas desta vez sem a reserva do FGTS para ajudar.
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Bloqueio de benefícios: quem usar o saldo no Desenrola ficará impedido de realizar novos saques-aniversário até recompor o valor utilizado. Adicionalmente, o programa prevê uma restrição a apostas on-line por um ano como medida de proteção ao endividamento.
Portanto, antes de solicitar o saque, o ideal é avaliar a dívida, a estabilidade no emprego e os objetivos de longo prazo. A troca só é recomendada para débitos com juros muito altos e quando há um plano para evitar novas dívidas.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
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*Estagiária sob supervisão do subeditor Thiago Prata