Caminhoneiros sentem insegurança com aumento do preço do diesel
Alta do diesel pressiona fretes, encarece serviços e amplia temor de paralisação da categoria
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Em meio a uma possibilidade iminente de uma greve de caminhoneiros, o governo federal anunciou medidas para uma maior fiscalização de frete mínimo e garantir punição a empresas que não cumprirem uma tabela estabelecida. No entanto, representantes da categoria citam apreensão quanto ao aumento dos custos dos serviços e dos produtos.
Dentre as ações anunciadas pelo governo, está a articulação de uma força-tarefa com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), Procons estaduais e o Ministério da Justiça para fiscalizar possíveis aumentos abusivos nos preços do diesel. A iniciativa ocorre após relatos de reajustes considerados desproporcionais em diferentes regiões, mesmo após medidas adotadas pelo governo para reduzir o custo do combustível.
Além disso, o pacote anunciado incluiu uma tentativa de amortecer o impacto da alta internacional do petróleo por meio de subsídios e desonerações. A redução de tributos federais sobre o diesel já havia sido anunciada pelo governo, mas a queda dos preços não chegou às bombas, o que intensificou a pressão dos caminhoneiros.
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A reportagem conversou com alguns representantes da categoria no Posto Maguiné, na altura do Anel Rodoviário, bairro Bonsucesso, Região do Barreiro de Belo Horizonte (MG), e no Posto Bel, na Vila Oeste, região de mesmo nome na capital, e todos eles afirmaram que o aumento do preço do diesel interfere no trabalho diário e prejudica quem precisa dos serviços.
É o que contou Tindaro Netto, carreteiro de 69 anos. Ao Estado de Minas, o profissional afirmou que, com o aumento do diesel, ele também precisa aumentar o preço da mão-de-obra, o que também prejudica clientes. “Os preços são colocados em cima daquilo que a gente gasta em diesel. O diesel estando caro, automaticamente temos que aumentar a mão-de-obra. É onde fica escasso o trabalho. Eu acho um absurdo isso”, afirmou.
Enquanto conversava com a reportagem, sua carreta carregava uma carga cujo frete custou R$ 250. Tindaro explicou que, em outro momento, o custo seria de R$ 220, mas precisou aumentar o carreto por causa do valor que precisou pagar no combustível. “[O contratante] vai ter que tirar da cesta básica dele pra concluir o [pagamento] que é necessário”, disse.
A situação é similar para José Roberto Pereira, caminhoneiro de 55 anos. Ele contou que trabalha fazendo frete de mercadorias e que o preço alto do diesel reflete no preço final. “No final das contas, quem vai pagar somos nós, os comerciantes. A gente não aguenta pagar a conta sozinho”, concluiu.
O bombista Paulo Henrique Costa Coelho, de 35 anos, também considera que a única possibilidade é repassar o preço a mais no custo do serviço. “Tem que repassar, porque eu preciso do carro para carregar o material de bomba, injetor, essas coisas. Como é que eu vou fazer?”, questionou.
Para ele, que precisa reabastecer o veículo diariamente, a condição é complicada. “Eu ‘ponho’ R$ 150, R$ 200 por dia quando preciso rodar muito. E agora eu coloquei R$ 100 e deu 13 litros de S10 apenas. Tem condição?”.
No posto Maquiné, o diesel estava sob o preço de R$ 6,89. Em outros locais na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o preço estava a R$ 7,99, como dentro do Ceasa, em Contagem (MG). “Aqui está valendo a pena”, comentou José Roberto.
Risco de greve
O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como "Chorão", afirmou em vídeo publicado nas redes sociais que a categoria concordou com uma mobilização após uma reunião com lideranças e trabalhadores do setor no Porto de Santos (SP). “As condições atuais, com os constantes aumentos no preço do combustível, não permitem manter o transporte rodando”, afirmou.
Segundo ele, novas reuniões estão previstas em todo o país para alinhamento de uma possível paralisação. “Estamos em estado de alerta”, declarou.
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Caso uma nova paralisação aconteça, assim como a registrada em 2018, pode haver uma alta no preço dos alimentos, dificuldade de abastecimento em postos de combustível e atrasos na entrega de produtos como medicamentos e insumos essenciais. Na greve citada, diversas cidades do Brasil decretaram estado de calamidade e emergência, voos foram cancelados e houve a indisponibilidade de alimentos e remédios em algumas regiões.