Companhias gastaram ao menos R$ 9,8 milhões em lobby nos EUA contra tarifaço
JBS, Embraer e Vale, além de CNI e Amcham, acionaram lobistas americanos no período em que as tarifas foram anunciadas e entraram em vigor
compartilhe
SIGA
Para tentar reverter o tarifaço imposto por Donald Trump em 2025, companhias da indústria brasileira desembolsaram pelo menos US$ 1,8 milhão, o equivalente a cerca de R$ 9,8 milhões, em lobby nos Estados Unidos.
Os dados constam no banco OpenSecrets, mantido pela ONG Center for Responsive Politics, que reúne informações declaradas por empresas e entidades que contratam lobby nos EUA, atividade que é legalizada no país.
Somadas, Confederação Nacional da Indústria (CNI), Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) e as gigantes JBS, Embraer e Vale registraram 13 pagamentos a escritórios de lobby ou atuação direta junto ao governo americano no período do tarifaço.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) pagou US$ 350 mil ao escritório Ballard Partners, que contou com a participação de dois lobistas: Brian D. Ballard e Hunter Morgen. Segundo os dados do OpenSecrets, foram dois repasses: US$ 140 mil no terceiro trimestre de 2025, quando as tarifas foram anunciadas, e US$ 210 mil no quarto trimestre, já com as sanções em vigor. Convertidos, os valores equivalem a aproximadamente R$ 726,4 mil e R$ 1 milhão, respectivamente.
No mesmo período, a Amcham desembolsou US$ 190 mil, cerca de R$ 986 mil, ao escritório Brownstein Hyatt Farber Schreck. Seis lobistas atuaram pela Brownstein Hyatt Farber Schreck: Samantha Carl-Yoder, Aaron Cummings, Douglas Friednash, Joseph Howell, John Menges e Tim Shadyac.
A JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que têm interlocução privilegiada no governo Trump, pagou US$ 1 milhão em lobby no período, aproximadamente R$ 5,4 milhões. O dinheiro foi gasto em lobby direto, ou seja, não houve uma empresa contratada para esse fim. Mesmo assim, é necessário informar os gastos. Atuaram pela JBS os lobistas Allison Crittenden, Linsey Crowell, Shane Danielson e Karla Thieman.
A Embraer declarou US$ 250 mil, o equivalente a cerca de R$ 1,3 milhão. Do total, US$ 30 mil (aproximadamente R$ 155,7 mil) foram pagos à Rubin, Turnbull & Associates e US$ 100 mil (cerca de R$ 519 mil), à Elevate Government Affairs. Outros US$ 120 mil (em torno de R$ 623 mil) correspondem à atuação direta da Embraer Aircraft Holding, Inc no lobby.
Atuaram pela empresa William Rubin, Heather Turnbull e Michael Burley, da Rubin, Turnbull & Associates; Robert Chamberlin, Jeff Markey, Steve E. Schultz e Samuel Whitehorn, da Elevate Government Affairs; além de Daniel J. Hickey, quando a companhia atuou diretamente.
A Vale registrou pagamentos de US$ 40 mil no período, cerca de R$ 207,5 mil. O valor foi destinado à Lilette Advisors, com atuação do lobista Ankit Desai.
Procurada para comentar os pagamentos, a Vale infirmou que: “com atuação internacional, a Vale tem o apoio de consultorias externas especializadas em temas ligados a assuntos comerciais diversos, incluindo a identificação de potenciais oportunidades em novos projetos.”
Em nota, a Embraer disse que a contratação de escritórios de consultoria e advocacia para apoiar empresas a navegarem em um “ambiente governamental complexo” constitui prática comum e regularizada nos Estados Unidos. “Esses contratos e os valores envolvidos são divulgados trimestralmente, conforme exigido pela legislação. Todos os relatórios estão disponíveis para consulta pública online”, disse a empresa.
A Amcham afirmou que “a entidade pode contratar profissionais especializados para apoiar iniciativas de diplomacia empresarial, como ocorreu nos Estados Unidos em 2025”. “Em relação à contratação mencionada, o valor divulgado não procede e é superior ao montante efetivamente desembolsado”, disse a Amcham, que não quis mencionar valores.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
A CNI e a JBS informaram que não irão se manifestar.