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PÓS-FOLIA

Pesquisa revela que 30% do público do Carnaval de BH é LGBTQIAPN+

Para os foliões, a diversidade de blocos na festa da capital mineira garante pertencimento e segurança

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Os dias de carnaval na capital mineira já terminaram, mas os balanços da festa de momo para traçar o perfil dos foliões seguem sendo disponibilizados. Dentre os últimos dados, foi informado que 30,4% do público do Carnaval de BH faz parte da comunidade LGBTQIAPN+.

Ao todo, 1.500 pessoas foram entrevistadas em 43 blocos de rua da cidade pela pesquisa do Observatório do Turismo de Belo Horizonte. Para os foliões, a diversidade de blocos na festa garante pertencimento e segurança.

Rodrigo Ladeira, de 35 anos, é um homem gay que frequenta o carnaval da capital mineira. Apesar de ser belo-horizontino, ele mora em São Paulo há oito anos e vem para a cidade de origem curtir a folia, justamente por se sentir mais abraçado e seguro. O apreço pela festa é tanto que Rodrigo vem com um grupo de 90 pessoas, também da comunidade LGBTQIAPN+, e faz um roteiro dos melhores blocos.

“São milhões de carnavais diferentes em BH”, diz o diretor audiovisual. Para Rodrigo, as opções para todos os perfis e gostos garante maior conforto e segurança, uma vez que ele e os amigos podem escolher os blocos onde se sentem mais incluídos e pertencentes. Cortejos que levantam a bandeira LGBTQIAPN+, fora do centro da cidade e menores, são as opções escolhidas pela turma vinda de São Paulo.

Rodrigo também destaca o perfil do mineiro como diferencial para a sensação de pertencimento. “Tem conservadorismo, mas tem inclusão. Mineiro tem essa coisa de abraçar”, afirma o diretor, que conta que todos os amigos deixam BH encantados.

Louis Augusto Lopes, publicitário e homem trans de 29 anos, conta que também teve um carnaval tranquilo e inclusivo em blocos que eram e não eram LGBTQIAPN+.

Para a comunidade

Em BH, há blocos voltados para a comunidade LGBTQIA+, como a Truck do Desejo, criado por e para mulheres lésbicas e bissexuais, pessoas não-binárias, travestis e transmasculinos. Fundada em 2018, a Truck promove cortejos com mensagens políticas transmitidas com muita dança, apresentações artísticas e música comandada pela bateria e convidadas especiais.

Na edição de 2025, não foi diferente. O bloco desfilou no dia 4 de março sob o tema Brejo Encantado e ao som do público cantando junto e batendo leques. “Nosso público ainda é alvo de muita violência. Queremos ter o direito de brincar, do lúdico”, disse Isabella Figueira, cofundadora do bloco e regente, em dezembro de 2024, antes do anúncio do tema do cortejo.

A Truck do Desejo foi eleita melhor bloco do carnaval de 2025 pela belo-horizontina Maria Clara Santos de Sá, bisexual de 23 anos. "Me senti segura para ser e estar como eu quiser", conta a estudante, que foi ao cortejo neste ano pela primeira vez, mas há anos aprecia o carnaval da capital mineira. Maria Clara também conta que escolher blocos que são compatíveis com o perfil dela e dos amigos faz toda a diferença.

Dentre as opções de blocos voltados para a comunidade está também o tradicional Abalô-caxi, que desfilou neste ano com o tema Sulear: arco-íris tropical. No cortejo deste ano, a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) destacou a importância do bloco no cenário político e social do país. “Espaços como esse, manifestações como essas, são fundamentais. Aqui é mais do que um ato de carnaval, é um grito de resistência de BH para o mundo, de que nós, LGBT, temos que ser respeitados”, disse a parlamentar.

A capital mineira também conta com o Bloco da Horny, Corte Devassa, Lua de Crixtal, Panthera Disco Bloco e Bloco MovAT, do Movimento Autônomo Trans de BH. 

Pesquisa

A pesquisa do Observatório do Turismo realizou entrevistas entre os dias 28 de fevereiro e 5 de março, levantando informações quantitativas e qualitativas sobre dados socioeconômicos, hábitos de consumo, avaliação da infraestrutura e satisfação em relação ao evento. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com grau de confiança de 95%.

Dos 1.500 entrevistados, 93% recomendaram o Carnaval de BH. Do total, 82% são moradores da capital mineira, e 18% são visitantes, número maior que o do no ano passado, quando 16,7% do público era formado por turistas.

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A pesquisa também questionou sobre a importância de promover o respeito à diversidade sexual e de gênero nos eventos públicos, com notas de 1 a 10, sendo 1 pouco importante e 10 muito importante. A média das notas dadas pelos foliões foi de 9,6.

*Estagiária sob supervisão do subeditor Thiago Prata

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