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CULTURA DRAG

Exposição em BH exibe obras criadas a partir da cultura drag

O projeto é fruto de uma pesquisa acadêmica de 2024, intitulada "A dragficação como fenômeno cultural e problemática na produção artística contemporânea"

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Na próxima sexta-feira (4/4), o Centro Cultural da UFMG abre as portas para a exposição coletiva “a Coisa dRag”, uma mostra impactante que reúne 34 artistas emergentes e consolidados da cena contemporânea brasileira. Com a curadoria de Sandro Ka e assistência de Elis Rockenbach, a exposição, que poderá ser vista até o dia 16 de maio deste ano, é uma imersão no universo do fenômeno drag, trazendo à tona reflexões sobre corpo, gênero, território e cultura.

O projeto é fruto de uma pesquisa acadêmica de 2024, intitulada "A dragficação como fenômeno cultural e problemática na produção artística contemporânea", desenvolvida na Escola de Belas Artes da UFMG.

Obra
Obra Reprodução/UFMG

A curadoria parte da dragficação, um conceito que explora a presença crescente da estética e da performance drag na arte contemporânea. Esse fenômeno é abordado nas obras de artistas como Amorim, Carambola, Cassandra Calabouço, Efe Godoy, Sarita Themônia, Karine Mageste, Rafa Bqueer, Renato Morcatti, e muitos outros, que estão espalhados por diversas regiões do Brasil.

Em entrevista ao Estado de Minas, Sandro Ka, artista visual, professor e pesquisador na Escola de Belas Artes da UFMG, explica sobre o processo de escolha das peças. “O mapeamento de obras parte do meu trabalho como artista, que começou por meio de uma pesquisa realizada na UFMG que buscava investigar o fenômeno drag como uma metáfora para compreender a arte contemporânea. Com isso, chegamos aos 34 nomes de uma lista inicial que possuía mais de 200 e, dentro desse recorte, há um olhar para a dragficação, onde todas essas obras se conectam”, conta. 

A mostra propõe um mergulho nas tensões que marcam a sociedade atual, refletindo sobre os padrões e valores relacionados ao corpo e à identidade de gênero. Cada peça questiona convenções sociais, rompendo com limites estabelecidos, seja por meio de discursos, imagens ou performances.

Ao misturar e montar elementos de diferentes contextos socioculturais, criam-se estranhamentos, contradições e rupturas que incitam o público a refletir sobre a pluralidade de identidades e expressões presentes no mundo.

“O olhar dos artistas se refere a modos existentes que não são fixos, eles são voláteis, se transformam e não se levam a sério, mas, ao mesmo tempo, discutem questões relevantes. A figura drag tem uma potencialidade de aparentemente não se levar a sério, mas, por meio da ironia, aponta para pautas urgentes”, desenvolve o professor. “Essas narrativas constroem a arte de forma visual, mas trazem abordagens políticas, estéticas e discursivas de mudança".

De acordo com Sandro, o fenômeno drag, que foi fundado na cultura LGBTQIAPN+, foi construído e identificado nos guetos e em lugares marginais, porém, em uma virada muito recente, começou a ocupar outros espaços (como no mainstream e na mídia). 

"Não se deve esvaziar o fenômeno drag a algo unicamente estético, deve-se identificar sua potência de transformação e sua abertura de espaço: que é o que torna possível a visualização das coisas por uma nova perspectiva", continua o pesquisador. 

Obra "Madame Bigode" do artista Amorim
Obra "Madame Bigode" do artista Amorim Reprodução/UFMG

Além das exposições, o público poderá participar de atividades como visitas mediadas e bate-papos com os próprios artistas, proporcionando um espaço de diálogo e reflexão sobre os temas levantados. A entrada é gratuita, com classificação indicativa para maiores de 12 anos.

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Serviço:

• Exposição: a Coisa dRag

• Abertura: 4 de abril de 2025, às 19h

• Visitação: Até 16 de maio de 2025

• Local: Centro Cultural UFMG

• Entrada: Gratuita (Classificação indicativa: 12 anos)

Obra "Dama" do artista Victor Borém
Obra "Dama" do artista Victor Borém Reprodução/UFMG

A exposição promete ser um marco para a reflexão sobre a arte, o gênero e os limites da criação na atualidade, desafiando o público a vivenciar novas formas de expressão e subversão.

"Nada é para sempre, tudo passa e tudo se transforma: essa é a essência da cultura drag, algo que é revelado nas obras", conclui Sandro Ka.

*Estagiária sob supervisão do subeditor Gabriel Felice

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