Condimento do momento em BH, chili crunch promete elevar qualquer prato
Cada vez mais recorrente em menus da cidade, tempero chinês com base de óleo vegetal e pimentas ganha o paladar pela crocância, picância moderada e sabor intenso
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Você provavelmente já se deparou, surfando por algum cardápio de Belo Horizonte, com o termo “chili crunch”. O item é servido com pastas, carnes, ovos, burrata e outros tantos preparos, sobretudo em bares mais modernos ou asiáticos na capital mineira.
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Associado à gastronomia chinesa, o preparo nada mais é do que uma espécie de conserva de pimenta em óleo, combinada com alguns diferentes temperos e um item que leve crocância – muitas vezes, o eleito é o gergelim. Apesar da simplicidade aparente, na boca, o chili crunch é potente e capaz de elevar muitos pratos, inclusive, clássicos cotidianos como um simples arroz com ovos mexidos.
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A combinação de picância moderada, crocância, temperos (como alho, gengibre e cebola, que são muito usados nas receitas) e a untuosidade do óleo, responsável também por manter os sabores por mais tempo na boca, é tão apreciada na gastronomia que levou esse sucesso global que é o chili crunch a ser um verdadeiro hit nos bares e restaurantes belo-horizontinos.
Com raspas de laranja
No Okinaki, bar asiático no Lourdes, Região Centro-Sul da capital mineira, o chili crunch finaliza o tempurá de berinjela com caramelo de missô e “falsa maionese” à base de tahine e tofu (R$ 41). Além de ingredientes como a pimenta coreana gochugaru, alho, cebola, gengibre e gergelim, os chefs da casa, Guilherme Furtado e Gabriella Guimarães, apostam no toque cítrico da casca de laranja na receita.
“A laranja é fresca. Como a berinjela já é frita, a gente precisava de um elemento que cortasse um pouco essa untuosidade”, explica Guilherme, que também destaca a combinação interessante entre o cítrico e o gengibre.
Não é possível afirmar, com certeza, que o chili crunch seja o grande responsável por isso, mas a junção desses elementos resultou em algo inédito até então no Okinaki: um prato vegano entre os mais vendidos. “Mesmo quem não gosta de berinjela, adora”, completa o chef.
Sempre na mesa
Três pratos do Yokai, no Funcionários, Região Centro-Sul, chegam à mesa com o chili crunch, mas em cada um de uma forma diferente. No amado Shoronpo (R$ 40), dumpling cozido e recheado com sobrecoxa e caldo de frango, ele já vai servido por cima.
Quando passamos para o Jian Dui (R$ 42), bolinhas fritas de mochi recheadas com barriga de porco e conserva de gengibre e envoltas em gergelim branco, o condimento apimentado é sugerido como acompanhamento, puro. E no Tamago (R$ 38), dumpling de cogumelos Paris, creme de ovos, alho confitado e cebolinha cozido no vapor, o chili crunch aparece por cima da maionese de gergelim que acompanha o preparo.
“Além de usarmos na finalização de pratos, temos a opção de o cliente pedir como uma pimenta para comer na mesa mesmo”, conta Caio Oliveira, sócio da casa ao lado de Karu Uemura.
Ele relaciona o sucesso do ingrediente asiático justamente à cultura mineira de ter sempre uma conserva ou molho de pimenta em mãos. “É muito comum termos, em Minas, uma conserva de pimenta de mesa, e muitas têm temperos como alho e outras ervas [assim como o chili crunch].”
No Yokai, os clientes também podem levar para a casa o chili crunch, chamado lá de Tabery Rayu (R$ 43) – do japonês, poderia ser traduzido como “óleo de pimenta que se come”. “Desde o primeiro ano de Yokai, a gente já vende esse molho, porque percebemos a demanda dos clientes de levar para casa.”
No caso de Caio, em casa, o modo como mais consome a conserva é com algum mexido de arroz, carne e ovo ou mesmo no café da manhã, em um pão de forma com ovos mexidos e cebolinha.
Ásia e Oriente Médio
A mistura de influências globais é cada vez mais aparente em bares de BH. O Padrin, por exemplo, que está localizado no Carmo, Região Centro-Sul de BH, serve homus (R$ 48) com cebolas assadas, cogumelos grelhados e ele, o maravilhoso chili crunch, reforçando essa ideia.
“Uso no prato para trazer uma picância diferente do molho de pimenta [convencional], porque o chili crunch tem pedaços”, explica o chef e sócio da casa, Daniel Tassi. Ele define o molho que é disposto na base do prato de homus, por baixo da pasta, como “crocante [resultado da cebola e do alho fritos], picante, saboroso e umami. Faz você salivar quando come.”
O molho não é vendido separadamente no bar Padrin, mas Daniel não hesita em recomendar, para quem quiser tê-lo em casa, o do Yokai Izakaya.
Pimenta nativa
Com pouco mais de um mês de funcionamento, o bar Casca, no Cruzeiro, Região Centro-Sul, é outro endereço que produz chili crunch. Lá, o item tem personalidade forte – leva as pimentas gochugaru (coreana), sichuan (chinesa) e baniwa (mix de pimentas nativas vindo do noroeste do Amazonas).
O prato onde está o condimento é outro exemplo de que criações vegetarianas podem desbancar as carnívoras. O creme de couve-flor com couve-flor na brasa e picles de batata yacon (R$ 39) já virou um dos grandes sucessos do menu.
“O chili crunch casa bem com o prato, ele ‘bate’ no dulçor da couve-flor, além de trazer crocância”, conta Pedro Barros, chef e sócio da casa ao lado de Victor Hugo Zuliani que, por sua vez, reforça como o ingrediente apresenta um novo tipo de picância para seu público.
“Nunca ouvi uma reclamação de que estava picante demais. E acho que o legal do chili crunch é que você pode brincar com a receita e trazer a picância de outra forma. Quem gosta vai conhecer uma maneira diferente de comer pimenta”, diz, destacando que o molho leva equilíbrio para o prato.
Toque de inovação
O sabor lácteo da burrata é complementado pela picância do chili crunch e a acidez da redução de aceto balsâmico com uvas no Olga Nur, restaurante no Lourdes, Região Centro-Sul.
Esse toque de inovação, aliado a um queijo já muito difundido, conforme explica o chef da casa, Igor Gabriel Reis, teve impacto direto na venda do prato (R$ 89). “Se saíam cerca de cinco burratas com pesto e tomate em uma semana, agora estão saindo 25”, conta, ao falar sobre o sucesso do preparo lançado há apenas três meses.
O chili crunch usado pelo chef tem alho-poró e alho fritos, além de gergelim branco e preto. As pimentas usadas são a calabresa e a gochujang (pasta fermentada coreana), que é a responsável por um toque leve de acidez e dulçor advindo da própria fermentação. “O público mais velho ainda tem um pouco de restrição, mas os garçons sugerem muito e oferecem o chili crunch separado”, destaca Igor.
Mel picante
O honey chili crunch, produto que une a base de óleo tradicional do condimento ao mel da marca Punch Flavors (da qual falaremos mais na próxima página), aparece no cardápio do Zuzunely, espaço no Santo Agostinho, Região Centro-Sul, especializado em brunch, ou, como a chef da casa, Bruna Haddad, prefere dizer, “cafoço”.
Ele está no prato de ovos poché na coalhada seca com pesto de ervas, azeite, pimenta-do-reino e pão de tomate tostado (R$ 63) e na pizzeta de tomates com presunto cru e salada de rúcula (R$ 68). “Queríamos trazer dulçor com picância e textura”, resume Bruna.
A chef diz acreditar na popularização do chili crunch por ser um produto versátil e completo. “Acho que ganhou popularidade porque tem umami, crocância, picância e dulçor misturados num produto só, e os itens de origem ou inspiração oriental estão muito em alta no geral na gastronomia”, defende.
Briga pela patente
Em 2024, o norte-americano filho de coreanos David Chang, chef e fundador da rede de restaurantes Momofuku, que até hoje é famosa por, entre outros produtos, o chili crunch, envolveu-se em uma polêmica quando tentou registrar a marca “chili crunch”. Segundo matéria do jornal The Guardian, “a empresa enviou notificações extrajudiciais a empresas que usam os termos ‘chili crunch’ e ‘chile crunch’ em seus rótulos de condimentos e está tentando registrar a marca ‘chili crunch’ no Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos (USPTO)”. Em matéria do mesmo ano publicada pela NBC News, fica claro que, após a confusão, David Chang pediu desculpas em seu podcast e voltou atrás com as reivindicações.
“Punch” na comida
A Punch Flavors, marca de chili crunch lançada no fim de 2025, em São Paulo, nasce da proximidade da socióloga Julia Frischtak, a fundadora, com condimentos de finalização em geral. “Tenho essa relação com condimentos e a Punch veio de uma vontade de ter a intensidade do paladar moderno e contemporâneo em casa”, explica.
O chili crunch pareceu ideal para suprir tal demanda: é versátil, duradouro, reúne umami, picância, texturas e, de acordo com Julia, “dá esse punch na sua comida, deixa ela muito mais interessante”.
Basicamente por isso, o condimento foi escolhido para ser o primeiro produto da Punch, cujo nome já diz muito – é uma palavra muito usada por chefs e pessoas ligadas à gastronomia; um prato que precisa de um “punch”, basicamente, precisa de mais potência de sabor. “Não existia nenhuma marca daqui de chili crunch que eu gostava [tirando as importadas]. Comecei a fazer em casa, publicar [no Instagram] e um dia resolvi comercializar”, justifica a empresária.
O primeiro lançamento, que reproduz a versão tradicional do chili crunch, leva, entre outros ingredientes, pimenta calabresa, pimenta chilli, páprica e amendoim (o elemento crocante). Depois, por ter apostado em uma versão de picância moderada, Julia lançou o Extra Spicy, com maior concentração de pimentas.
Com limão
Em seguida, veio o Nutty Citrus, versão com raspas de laranja infusionadas no óleo e a crocância garantida por uma mistura de macadâmia, nozes e amêndoa. “Gosto muito de sabores cítricos e comecei a reparar que muitas vezes espremia limão no meu prato com chili crunch, aí lançamos a Nutty Citrus.”
A última variação é o Honey Chili Crunch, em que boa parte do óleo da receita é substituída por mel. Já os crocantes são: nozes, amêndoas, macadâmias e o amendoim.
No futuro, Julia diz que tem o desejo de ampliar a gama de produtos. “Meu sonho é lançar produtos que muitas pessoas nunca ouviram falar e que tragam mais prazer no dia a dia. Quero ter uma marca que entre no cotidiano e, de certa forma, colora ele, que traga um impacto positivo”, declara.
Os produtos da Punch Flavors (a partir de R$ 56) podem ser comprados pelo e-commerce da marca. Em BH, o Zuzunely, no Santo Agostinho, serve o Honey Chili Crunch com o ovo poché e vai comercializar os quatro sabores para quem quiser levar para casa (também a partir de R$ 56).
Dê um match
Sugestões de combinações de Julia Frischtak:
- Chili Crunch tradicional combina com: ovo, homus, coalhada, arroz, feijão e batata frita
- -Extra Spicy combina com: guioza, lamen, noodles e receitas asiáticas em geral
- -Nutty Citrus combina com: frutos do mar, aves, salada de tomates e burrata
- -Honey Chili crunch combina com: frango frito, queijo coalho, dadinho de tapioca, pizza e carne de porco
Da casa aos mercados
À frente da Punch Flavors, Julia Frischtak reforça como o chili crunch é um elemento presente em muitas casas, sobretudo asiáticas. Ela destaca, porém, um marco importante quando, no fim da década de 1970, a marca chinesa Lao Gan Ma foi lançada e popularizou a categoria “chili crisp”, que seria o mesmo que chili crunch. Outro ponto importante, que ela relaciona ao sucesso do produto, foram marcas que, posteriormente, o apresentaram para o mercado ocidental, como a Momofuku, de David Chang.
Anote a receita: chili crunch do Okinaki
Ingredientes:
- 300g da parte branca da cebolinha em rodelas;
- 600ml de óleo de canola;
- 60g de shitake seco;
- 4g de pimenta sichuan triturada;
- 30g de mix de gergelim;
- 80g de alho frito;
- 30g de pimenta gochugaru;
- 30g de gengibre;
- 1 colher de sobremesa de cominho em pó;
- 1g de pimenta-do-reino;
- 20g de sal;
- 60g de shoyu;
- 60g de vinagre chinês;
- 1g de shio koji (tempero japonês);
- 20g de açúcar.
Modo de fazer:
- Frite a cebolinha em rodelas em 400ml de óleo de canola até 170ºC até que fique dourada.
- Separe o óleo e a cebolinha, coando para que não sobre nada.
- Junte os ingredientes secos em um recipiente.
- Aqueça 600ml de óleo de canola (incluindo os 400ml da cebolinha frita) a 120ºC.
- Adicione este óleo aos ingredientes secos e misture para que o óleo “confite” os ingredientes.
- Depois acrescente a cebolinha frita.
- Guarde o chili crunch em pote hermético.
Serviço
- Okinaki (@okinakibh)
- Avenida Álvares Cabral, 1303, Lourdes
- De terça a sexta, das 18h às 23h
- Sábado, das 12h30 às 23h
- Domingo, das 12h30 às 16h30
- Yokai Izakaya (@yokaiizakayabh)
- Rua Ceará, 1599, Funcionários
- De terça a sábado, das 18h30 às 23h
- Bar Padrin (@barpadrin)
- Rua Campanha, 11, Carmo
- De quarta a sexta, das 18h à 0h
- Sábado, das 16h à 0h
- Casca Bar (@casca_bar)
- Rua Outono, 579, Cruzeiro
- Quarta e quinta, das 18h às 23h
- Sexta, das 18h à 0h
- Sábado, das 16h à 0h
- Olga Nur (@olganurbh)
- Rua Curitiba, 2202, Lourdes
- (31) 98312-5802
- De terça a quinta, das 12h às 15h e das 19h à 0h
- Sexta e sábado, das 12h à 01h
- Domingo, das 12h às 18h
- Punch Flavors (@punchflavors)
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