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Sucesso no delivery, confeiteiro coloca Sagrada Família na rota doce de BH

Márcio Brito comemora números em aplicativo de entrega e movimento na loja física, que atrai pessoas de várias partes da cidade para adoçar o paladar

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O nome dele está na boca do povo – principalmente quando o povo quer adoçar a boca. Quem é que leva curiosos para conhecer seus doces no Bairro Sagrada Família? Como ele conseguiu saltar de cinco pedidos em um dia para dois mil no mês, a ponto de ser premiado pelo desempenho no delivery? De Mantena, no Vale do Rio Doce, para Belo Horizonte, Márcio Brito desponta como um dos confeiteiros mais conhecidos e amados da cidade.

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Márcio cresceu em meio a quitandas, vendo a mãe e as avós na cozinha. Começou o curso de enfermagem no Espírito Santo, enquanto trabalhava como agente administrativo na prefeitura da sua cidade. Para complementar a renda, fazia palha italiana e pão de mel. “Amava fazer, mas morria de vergonha de vender, então sempre pegava um amigo para me ajudar – inclusive, esse amigo está comigo até hoje.” Por gostar tanto de cozinhar, ele largou o trabalho e a faculdade para se dedicar aos doces.



Já na capital, Márcio trabalhou em algumas confeitarias até que, em 2021, no meio da pandemia, resolveu fazer ovos de Páscoa com o irmão. Com o retorno das vendas, eles investiram no delivery.



“Não tínhamos clientes aqui em BH. Ninguém conhecia o Márcio Brito, na verdade. Só em Mantena. No primeiro dia, tivemos cinco pedidos, mas de amigos. No outro dia, zero pedidos, e aí a gente começou a vender no próprio bloco do apartamento em que eu morava. E assim, de passos bem lentos, o pessoal foi conhecendo”, relembra.




Como o apartamento no Bairro Padre Eustáquio ficou pequeno, ele se mudou para uma casa no Sagrada Família. A ida da Região Noroeste para a Leste impactou bastante o negócio. “Perdi bastante cliente por conta do raio de entrega, o valor do frete ficou mais caro, então algumas pessoas não compravam mais.” Por outro lado, surgiu a oportunidade de alugar um barracão nos fundos, onde montou a cozinha de produção e colocou três mesinhas na varanda, atendendo a pedidos – quem ia buscar encomenda queria tomar um café.



Molhadinhos e com recheio, os bolos gelados conquistam tanto pelo sabor quanto pela conexão com momentos afetivos dos clientes

Molhadinhos e com recheio, os bolos gelados conquistam tanto pelo sabor quanto pela conexão com momentos afetivos dos clientes Leandro Couri/EM/D.A Press



A demanda por mesas foi crescendo, só no boca a boca, já que o confeiteiro não divulgava o espaço, porque “morria de medo de vir muita gente e não conseguir atender”. Quando chegou a notícia de que a casa seria vendida, Márcio encontrou outra no mesmo bairro. Foi quando decidiu montar a loja.




“Foi acontecendo aos poucos, nada planejado. Chamei arquiteto e a gente fez o projeto todo para aquele espaço que a gente tem hoje. Aí comecei a contratar mais gente, comprar mais maquinário, forno maior, congelador e foi uma loucura. Hoje estou feliz nisso e deu certo. Tenho uma equipe muito bem preparada e um espaço maior”, comemora. A cozinha de produção fica em outro imóvel, na mesma rua.


Força na delivery


Mesmo com a loja física, Márcio mantém presença forte no delivery, com uma média de dois mil pedidos por mês, o que já rendeu prêmio de Super Restaurante do iFood, segundo as avaliações dos clientes. Como ele virou referência? Desde o início, além da qualidade dos ingredientes (“isso não abro mão”), sempre apostou em boas imagens, que, sem distorção, fizessem a pessoa salivar.



O confeiteiro também investiu em embalagens para que os doces chegassem bem-apresentados e inteiros no endereço de entrega. Essas mesmas embalagens estão na vitrine da loja. “Tentei fazer algo mais prático, porque senão teria que ter uma pessoa na cozinha fazendo sobremesa empratada. Aí fizemos todos os produtos pensados tanto para a pessoa levar para casa quanto para consumir na loja mesmo.”




Na visão de Márcio, o que também o ajudou a se destacar na plataforma foi não lutar contra as taxas altas, que são, de fato, desafiadoras por reduzirem a margem de lucro. “Em vez de reclamar, a gente sempre está investindo em conhecimento de como lidar com a plataforma, de como precificar, de uma foto boa, de uma legenda boa”, resume.


Os mais vendidos


A confeitaria é muito conhecida pelos bolos, que aparecem em formatos variados, como as fatias, a exemplo da de chocolate com caramelo e flor de sal. Elas estão no cardápio desde o início, só mudaram recentemente de formato: eram retangulares e agora são triangulares. “A gente tirava essas fatias de um bolo redondo. Só que às vezes o formato, o tamanho, o peso complicavam um pouco, a gente perdia uma ou duas fatias. Não dá, a gente não pode ficar perdendo.” Com a alteração, o desperdício é zero.



Na entrevista para o podcast Degusta, Márcio Brito não descarta a possibilidade de se inscrever para o MasterChef Confeitaria no ano que vem

Na entrevista para o podcast Degusta, Márcio Brito não descarta a possibilidade de se inscrever para o MasterChef Confeitaria no ano que vem Leandro Couri/EM/D.A Press



Depois vieram os produtos que se tornariam os mais vendidos: bolos gelados, embrulhados em papel-alumínio, começando pelo clássico de coco. “Além de ser bem molhadinho, ele ainda tem um recheio que é feito com coco fresco, para ficar melhor ainda”, detalha. “Gosto muito dessa ideia de resgatar sabores mais antigos e dar uma cara nova, não tirando a essência deles, mas dando uma melhorada.” O coco também combina com ameixa, no chamado olho de sogra, abacaxi e doce de leite.



Presença na TV


Com o tempo, Márcio foi aprimorando outros produtos que o acompanham desde o início, em Mantena. O brownie ganhou cobertura de castanhas e a palha italiana tem novos sabores, como limão siciliano com damasco e pistache. É o mesmo caso do brigadeiro, que vai muito além do ao leite.



Ele ainda fala com carinho do pavê de cookie, que levou para o programa do GNT “Que seja doce”, saindo com o troféu de vencedor. O doce mistura mousse de chocolate branco com pedacinhos de cookies artesanais e uma ganache de chocolate 70%.



Falando em reality show, o confeiteiro não descarta a possibilidade de se inscrever para o MasterChef Confeitaria, no ano que vem. “Estou tentando buscar mais conhecimento, porque a gente nunca sabe tudo e tem muita coisa que eu preciso aprender”, pontua, acrescentando que faz faculdade de gastronomia na cozinha da Le Cordon Bleu, no centro universitário UniBH.

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Serviço



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