EDIÇÃO HISTÓRICA

Dois restaurantes do Brasil ganham três estrelas Michelin pela primeira vez

Ambos em São Paulo, os endereços também trazem um marco inédito para a América Latina

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Guia Michelin anunciou nessa segunda-feira (13/4) suas famosas estrelas para restaurantes no Rio de Janeiro e em São Paulo em cerimônia no hotel Copacabana Palace. Os chefs Ivan Ralston, do Tuju, e Luiz Filipe Souza, do Evvai, são os primeiros a conquistar três estrelas Michelin na América Latina.

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Nascido em São Paulo, Ivan estudou na Esculea de Hosteleria Hofman, em Barcelona, na Espanha, antes de trabalhar em cozinhas de restaurantes estrelados como Mugaritz, na Espanha, e o RyuGin, no Japão. Ele abriu o Tuju em 2014, em São Paulo, com foco em uma cozinha pautada por ingredientes da estação do Sudeste. Um ano após a abertura, o chef ganhou a sua primeira estrela Michelin. A segunda veio em 2018.

Evvai, do chef Luiz Filipe Souza, também estreou na categoria com três estrelas. "Não estou acreditando. Esse é um dos momentos mais lindos da gastronomia brasileira. Nunca achei que a gente teria dois [restaurantes] três estrelas", disse Souza. Ele prepara pratos italianos de origem tradicional, mas atualizados na apresentação e no uso de ingredientes locais.

Língua, rabo e priprioca: prato criado pelo chef Luiz Filipe Souza, do Evvai
Língua, rabo e priprioca: prato criado pelo chef Luiz Filipe Souza, do Evvai Evvai/Divulgação

Estrelas mantidas

A publicação francesa dá a restaurantes três (cozinha excepcional), duas (excelente) e uma (requintada) estrela, além do título Bib Gourmand (para casas com boa relação entre qualidade e preço). Nesta edição, três restaurantes mantiveram duas estrelas: D.O.M., do chef Alex Atala; Lasai, de Rafa Costa e Silva; e Oro, de Felipe Bronze. Não houve estreantes na categoria.

O número de casas com uma estrela caiu para 17; em 2025 foram 20. O Madame Olympe, restaurante do chef Claude Troisgros, foi a única novidade na lista.

Mantiveram uma estrela os restaurantes Casa 201, Fame Osteria, Jun Sakamoto, Kan Suke, Kanoe, Kazuo, Kinoshita, Kuro, Maní, Mee, Murakami, Oizumi Sushi, Oseille, Oteque, Ryo Gastronomia, San Omakase e Tangará Jean-Georges.

A categoria Bib Gourmand trouxe novidades na lista, como o Jiquitaia, Manioca JK, Ping Yan Thai Bar & Food, Taboã Cozinha Artesanal e Tanit - todos em São Paulo.

O evento também apresentou os restaurantes que fazem parte da seleção anual do guia. Aiô, Borgo Mooca e Cais, em São Paulo, estão entre os endereços recomendados, mas não receberam estrelas. Nesta lista também apareceram Bar da Dona Onça e Simone, também em São Paulo.

Prêmios especiais

A cerimônia também deu prêmios especiais. Três restaurantes mantiveram a estrela verde, dada a casas com práticas exemplares de sustentabilidade. Foram A Casa do Porco, o Corrutela e o Tuju, em São Paulo.

Foi premiado como jovem chef Pedro Coronha, do Koral, no Rio de Janeiro. O profissional tem passagens em casas estreladas como o Noma, na Dinamarca, e o Eleven, em Portugal.

Já o reconhecimento de melhor serviço em restaurantes ficou com Raphael Zanon, do carioca Casa 201. Inédito no Brasil, o prêmio de coquetelaria, que homenageia a qualidade de drinques, ficou com Anderson Oliveira, do D.O.M.


A noite teve apresentação da atriz Nathalia Dill. Eduardo Cavaliere (PSD), prefeito do Rio, e Gwendal Poullennec, diretor internacional do Guia Michelin, também participaram da cerimônia.

Como funciona a avaliação

Os estabelecimentos são avaliados por inspetores de forma anônima. Os profissionais consideram critérios como qualidade dos ingredientes, harmonia e equilíbrio dos sabores, boa execução técnica, personalidade que o chef expressa na cozinha e consistência do menu ao longo do tempo. Os restaurantes são reavaliados todos os anos para garantir que os padrões foram mantidos.

Em sua versão brasileira, o Michelin avalia somente endereços estrelados nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro desde que estreou no país, há 11 anos. A edição brasileira do Guia Michelin foi a primeira publicada na América do Sul.

O guia ficou sem edição no país de 2021 a 2023. No ano seguinte, voltou ao Brasil graças a um investimento conjunto de R$ 9 milhões das prefeituras de São Paulo e do Rio de Janeiro para viabilizar o prêmio até 2026.

Nos contratos com a francesa Michelin, é necessário fazer investimento extra para que uma cerimônia aconteça - o guia é publicado independentemente do evento de premiação e tem um formato on-line, disponível em site e app do Michelin.

Criado em 1889, o guia foi lançado pelos irmãos Edouard e André Michelin, na França. O projeto era disponibilizado de forma gratuita e trazia informações de onde abastecer e consertar o carro, além de onde comer e se hospedar.

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A publicação começou a ser vendida no início da década de 1920 e, anos depois, passou a contratar profissionais para visitar os estabelecimentos de forma anônima -hoje, conhecidos como inspetores. Em 1926, os restaurantes começaram a receber estrelas e, cinco anos depois, passaram a ser classificados em uma escala que varia de uma a três.

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