Artes cênicas

Peça 'Água viva' leva para o palco os desafios da maternidade

Universo feminino inspira o espetáculo que estreia nesta sexta (6/11), no Teatro de Bolso do Sesc Palladium, e fica em cartaz até domingo (8/11)

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 Águas-vivas são frágeis, mas podem queimar a machucar. Assim as atrizes Isabella Lealy e Raquel Carneiro descrevem o gelatinoso animal marítimo, metáfora das dores e delícias da maternidade. Esse é o tema da peça “Água viva”, que estreia nesta sexta-feira (6/11), no Teatro de Bolso do Sesc Palladium.

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Com dramaturgia de Sara Pinheiro e direção de Cynthia Falabella e Cláudia Assunção, o elenco reúne Isabella Lealy e Raquel Carneiro. A partir de experiências das próprias atrizes, o espetáculo acompanha duas mulheres. Uma delas enfrentou a perda gestacional, enquanto a outra se vê consumida pela sobrecarga e apagamento pessoal ao ser mãe.

As atrizes entrevistaram mulheres e recolheram depoimentos utilizados pela autora Sara Pinheiro na produção ficcional. “Quisemos ouvi-las porque entendemos que são processos que perpassam o feminino. Mesmo pessoas que não são mães são atravessadas por questões que a peça traz. Entendemos o gestar de uma forma mais ampla: o gestar de sonhos, de expectativas, de carreiras”, explica Isabella Lealy.

Oito mulheres foram entrevistadas pelas atrizes. São mães adotivas, mães solo, mães homoafetivas e aquelas que não puderam, ou não quiseram, se tornar mães. Áudios dos diálogos fazem parte do espetáculo.

“As ouvíamos e fomos entendendo que as histórias, embora não fossem nossas, nos atravessavam em algum lugar. A partir da junção de todas essas histórias construímos a dramaturgia”, diz Lealy.

Choro e riso

Repetidamente, as atrizes ouviram das entrevistadas que não havia muito a contar. Imaginavam conversas de 15 minutos, mas, na verdade, elas chegaram a uma hora e meia, revela Raquel Carneiro. Os diálogos provocaram risadas e lágrimas.

“Vimos que gerou um movimento bonito. Falar cura também, é uma maneira de nomear sentimentos embolados ali dentro. Foi muito emocionante pessoalmente e nos atravessou não só como atrizes. Percebemos o quanto as mulheres gostam de falar de suas histórias”, aponta Raquel.

Os nomes das entrevistadas são resguardados. Já os nomes das personagens se revelam do meio para o final da trama, com o intuito de representar diversas mulheres. Na peça, ganha destaque a discussão sobre a perda da identidade feminina com a chegada da maternidade. A individualidade é deixada de lado e “ser mãe” passa a definir a mulher.

Peso

“A peça é sobre poder falar da maternidade de todas as formas, deixando de romantizá-la, o que tira um peso muito grande. Elas precisam ser perfeitas, dar conta de tudo porque são mães. Porém, antes de tudo, são mulheres. Todas podemos maternar de alguma forma, até quem não é mãe. Foi muito potente tocar nesses assuntos, pois é possível enxergar a si mesma, a própria mãe, uma avó, amiga ou comadre”, afirma Cláudia Assunção.

Sete das oito entrevistadas vão assistir às sessões. Uma delas, que estava grávida durante as conversas, hoje cuida do bebê de dois meses. As outras compraram fileiras do teatro para levar amigos e familiares. Haverá sessão extra às 15h de sábado (7/11), horário mais acessível para as mães.

“ÁGUA VIVA”

Peça de Sara Pinheiro, dirigida por Cynthia Falabella e Cláudia Assunção. Com Isabella Lealy e Raquel Carneiro. Nesta sexta-feira (6/11), às 20h; sábado (7/11), às 15h e 19h; e domingo (8/11), às 19h. Teatro de Bolso do Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro). Últimos ingressos à venda por R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), disponíveis na plataforma Sympla.

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*Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

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