À meia-noite, dance, cante e veja o filme 'The Rocky Horror picture show'
Coletivo Montarya vai performar durante a sessão desta sexta-feira (9/10), no Cine Humberto Mauro, com entrada franca
compartilhe
Só em maio de 1990 a Organização Mundial da Saúde (OMS), em sua 43ª assembleia mundial, excluiu a homossexualidade do Código Internacional de Doenças (CID). Na contramão do conservadorismo, o filme musical “The Rocky Horror picture show” estreou em 1975, dando protagonismo ao Dr. Frank N’ Furter (Tim Curry), travesti do planeta Transsexual, na galáxia Transilvânia.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Nesta sexta-feira (9/10), o longa será atração da Sessão da meia-noite do Cine Humberto Mauro, no formato shadowcast. Ou seja, simultaneamente às cenas na tela, performance ao vivo será executada pelo Coletivo Montarya, formado por caracterizadores, figurinistas e artistas drag. A sessão será repetida no próximo dia 16.
Leia Mais
Logo nas primeiras cenas, vê-se o pedido de casamento do casal hétero e convencional formado por Janet Weiss (Susan Sarandon) e Brad Majors (Barry Bostwick). Pouco depois, eles se perdem em meio a uma tempestade e encontram o castelo de Frank N’ Furter. Ali, o casal se depara com pessoas excêntricas e a criatura Rocky Horror (Peter Hinwood), a nova invenção de Furter.
Frankenstein “camp”
A trama se inspira no mito de Frankenstein. “Temos diversas variações da criação de um outro ser humano, o ser humano perfeito. Em ‘Rocky Horror’, essa história se insere na contracultura dos anos 70: é musical com ficção científica e toques de terror. Sua estética camp, caricata, tem um lugar cativo entre os admiradores de cinema alternativo”, afirma Vitor Miranda, gerente do Cine Humberto Mauro.
Foi nas sessões da meia-noite, conhecidas por exibir filmes sem espaço no circuito comercial, que o longa de Jim Sharman conquistou público fiel. Homens vestidos com trajes femininos, maquiagem, sensualidade e atração por todos os gêneros sexuais fizeram a trama pouco interessante para conservadores e atrativa para o público LGBT.
“Com exibições ao longo dos anos (em sessões da meia-noite), ele foi ganhando público cativo, que o cultua de maneira que as pessoas gostam sempre de rever. Isso o deixou em cartaz por décadas, ininterruptamente”, diz Miranda.
O pioneirismo não se restringe às exibições da madrugada, mas também ao formato shadowcast. Apresentações que dialogam com as cenas na tela se tornaram famosas. Durante as sessões, artistas se performam ao som de “Time warp” e “I can make you a man”, entre outras canções da trilha.
“Nós interpretamos e dublamos, com jogo de iluminação, as cenas dos filmes musicais. Entramos e saímos de cena, mas em outros shadowcasts fica-se mais tempo ou durante o filme inteiro”, explica Gabriela Dominguez, integrante do Coletivo Montarya.
“Como é a nossa primeira vez, vamos de mansinho e fazemos só algumas cenas”, adianta a diretora artística do espetáculo, que interpreta Frank Furter.
Nos últimos anos, a figura de Furter vem sendo questionada, devido à escolha de homem cis para para interpretar a travesti. O Coletivo Montarya está consciente disso.
“Fazemos a leitura das cenas trazendo a brincadeira de gênero para todo o elenco. Não há o compromisso de mulher interpretar mulher, homem interpretar homem. Então, quebramos esta regra de vez. Temos no elenco uma travesti, drag kings e eu, mulher cis, fazendo o papel do Frank N’ Furter”, diz Gabriela Dominguez.
Referência
“The Rocky Horror picture show” é citado em várias produções. Em “As vantagens de ser invisível” (2012), baseado no livro homônimo, personagens fazem shadowcast do longa de 1975. Para Vitor Miranda, o filme marcou a forma de se consumir cinema.
“Hoje em dia, debatemos muito o fato de as pessoas entrarem no cinema ligadas no celular, conversando, sem prestar muita atenção na tela. ‘Rocky Horror’ propõe exibição que não é necessariamente apenas sentar em silêncio e assistir ao filme. Você dança, canta, fica em pé e interage com as pessoas para ter experiência mais imersiva com aquele filme”, afirma.
“THE ROCKY HORROR PICTURE SHOW”
Reino Unido/EUA,1975,100 min. De Jim Sharman, com Tim Curry, Susan Sarandon e Barry Bostwick. Nesta sexta (9/10) e dia 16/10, à meia-noite, no Cine Humberto Mauro do Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro). Entrada franca, mediante retirada de ingresso na bilheteria, a partir das 23h.
* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia