Arnaldo Baptista ganha presente de aniversário na forma de quatro álbuns
Mais de 60 grupos e artistas gravaram releituras de 56 músicas da carreira solo do ex-Mutante, em homenagem aos seus 78 anos, no projeto "Arnaldo Baptista 7.8"
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O aniversário de 78 anos de Arnaldo Baptista, em julho passado, ensejou um projeto que reuniu mais de 60 artistas, entre cantores, cantoras, grupos e instrumentistas, em torno da releitura de sua obra em carreira solo, no período pós-Mutantes.
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Chegaram às plataformas, no início deste mês, três singles e quatro álbuns que totalizam 56 composições de sua lavra – porque algumas delas foram escolhidas por mais de um convidado – em versões livres, que expressam a identidade musical de quem gravou.
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Representantes da cena independente predominam no projeto, mas nomes consagrados também aderiram. Zé Ramalho gravou “Fique aqui comigo”; Zeca Baleiro deu sua versão para “I fell in love one day”; Sandra de Sá compareceu cantando “Cê tá pensando que eu sou loki?”; John Ulhoa foi de “To burn or not to burn”; a banda Boogarins escolheu fazer “Bomba H sobre São Paulo”; e Léo Jaime registrou uma parceria sua com o homenageado, “Cozinho de noite”, composta nos anos 1970.
Intitulado “Arnaldo Baptista 7.8 - Canções inesquecíveis revisitadas”, o projeto teve direção e coordenação de Sonia Rosa Maia, que agencia a carreira do artista desde 2010, e chegou às plataformas com a chancela da Café 8 Music.
Ela explica que a ideia de uma coletânea de versões remonta a 2020, quando fãs foram convocados a gravar as músicas do homenageado em vídeos caseiros – material que foi reunido no YouTube do artista. Agora, nos 78 anos de Arnaldo, essa ação foi amplificada.
GRANDES NOMES
“Queríamos ter grandes nomes para dar maior projeção, mas sem deixar de abrir o leque, porque o legado de Arnaldo é sustentado principalmente pelos músicos da cena independente”, diz.
Sonia conta que o próprio artista e sua companheira, Lucinha Barbosa, se encarregaram de fazer o contato com os nomes consagrados. “Mas, logo de início, eu e os dois sentamos e fizemos uma lista com os independentes que sabemos que são influenciados por essa obra, que têm uma relação com o trabalho dele”, diz.
Outros nomes foram se somando durante a execução do projeto, que, no final, contou com uma curadoria formada por Luiz Cesar Pimentel, Lu Lima, Márcio Lomiranda, Marcos Lauro, Rod Krieger e Thais Pimenta. Todos eles sugeriram nomes e, dessa forma, cada um trouxe um olhar diferente para “Arnaldo Baptista 7.8”; por essa razão o projeto acabou fundamentalmente pautado pela diversidade, segundo Sonia.
“Todos os artistas que aceitaram o convite o fizeram de bate-pronto, sem questionamentos. É um trabalho coletivo e colaborativo, sem gravadora, sem verba, sem nada. Todos que se envolveram foi por puro amor à obra do Arnaldo, tanto que bancaram gravação, mixagem, tudo”, diz, acrescentando que o projeto contou com a adesão de alguns estúdios parceiros.
DINÂMICA LIVRE
Sonia enfatiza que toda a dinâmica foi muito espontânea e muito livre, “bem ao gosto do Arnaldo”. Ela conta que o primeiro a aceitar participar e enviar uma música gravada foi Zé Ramalho, em fevereiro deste ano.
“Quando ouvi o primeiro acorde de 'Fique aqui comigo', que foi a que ele escolheu fazer, entendi que o projeto existia e ia acontecer. Não tínhamos dúvidas de que teríamos adesões, porque a influência do Arnaldo na cena independente é amplamente conhecida”, destaca.
Ela considera que o pouco tempo entre aquele pontapé inicial e o lançamento do material completo nas plataformas é revelador da boa disposição com que todos participaram. Sonia observa que os convidados não só puderam escolher livremente o que gravar como também tiveram permissão para fazer o que bem entendessem com as músicas. “Edu K, do Defalla, incluiu coisas dele na letra de 'To burn or not to burn'. Teve artista que mudou completamente a estrutura das músicas”, diz.
A coordenadora do projeto ressalta que ele foi pensado de forma que pudessem estar “todos juntos reunidos numa pessoa só”, como diz o verso de “Cé tá pensando que eu sou lóki?”.
Mesmo a escolha de artistas mais renomados para encabeçar as coletâneas seguiu esse espírito, também como uma estratégia. “Como o álbum no qual cada artista participante vai também para sua própria página, queríamos inspirar os ouvintes dos mais famosos a conhecerem melhor a cena da música independente”, afirma Sonia.
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“ARNALDO BAPTISTA 7.8 - CANÇÕES INESQUECÍVEIS REVISITADAS”
• Lançamento independente
• 56 faixas divididas em quatro álbuns e três singles
• Disponível nas principais plataformas