Marcelo Serrado monta seu divã no Cine Theatro Brasil, neste fim de semana
Ator traz a BH o monólogo 'Terapia', que trata com humor as neuroses do mundo moderno, com sessões sábado e domingo (5 e 6/9)
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Uma súbita crise de ansiedade antes de embarcar em voo de volta da Flórida para o Brasil foi estopim para que o ator Marcelo Serrado concebesse a peça “Terapia”, que chega a Belo Horizonte neste fim de semana, com apresentações no sábado (5/9), às 21h, e domingo (6/9), às 19h, no Cine Theatro Brasil.
Sem escamotear a seriedade do assunto, a proposta do segundo monólogo da carreira de Serrado é tratar de crises, neuroses, angústias, medos e dilemas existenciais pela chave da comédia.
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Com dramaturgia assinada por Guilherme Rocha a partir do argumento de Serrado, a peça é dirigida por Fernando Ceylão. O ator destaca que convida o público para uma sessão de análise nada convencional, conduzida por humor ácido, ironia e improviso.
A crise de ansiedade foi o mote para a montagem, mas ela abarca outras experiências que Marcelo viveu e, inclusive, vão gerar um livro.
“Escrevi e vou lançar agora, mas resolvi fazer a peça porque queria uma coisa que pudesse comunicar mais. A comédia me dá essa possibilidade”, diz. Ele fez terapia por 20 anos, interrompeu e retomou há dois, com sessões semanais.
Baseado na própria experiência, o ator criou o personagem, um sujeito com dislexia e TDAH. “É o Marcelo mas não é, esse cara que conta histórias sobre ansiedade. Algumas aconteceram mesmo comigo, outras não”, pontua.
Woody Allen e Almodóvar
Classificando o monólogo como “meio ficção”, diz que esse recurso é usado por cineastas como Woody Allen e Pedro Almodóvar. “É a dramatização de uma vivência ou de uma experiência.”
Serrado afirma que desde a estreia, em dezembro do ano passado, o espetáculo tem logrado “uma conexão absurda” com o público.
“Pergunto para a plateia quem faz ou já fez terapia, converso a respeito, volto para o personagem, depois me dirijo de novo às pessoas e fico nesse movimento. Tem essa dualidade”, diz. “É uma fórmula que deu certo, porque os teatros têm lotado.”
Indagado sobre o que mais tem levado as pessoas para o divã, ele aponta a “pandemia de saúde mental no pós-pandemia de COVID-19” somada a questões relativas ao mundo moderno. Serrado evoca a Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que obriga empresas brasileiras a incluírem a saúde mental no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
A dinâmica de conversas com a plateia abre brechas para o acaso e o improviso, segundo o ator. Ele cita a cena em que recebe ligação de sua psicóloga, reclamando do fato de o paciente falar dela para os outros.
“Ela me diz que sabe que estou falando dela porque tem um informante, alguém de blusa azul ou rosa na plateia. Depois que identifico essa pessoa, a psicóloga me dá conselhos, dizendo que tenho síndrome de Sísifo e não paro de falar de mim mesmo.”
Sem hipnose
Uma curiosidade sobre “Terapia” foi a exclusão da sessão de hipnose, que integrou o monólogo nas primeiras apresentações.
“Eu fazia hipnose comigo mesmo diante da plateia. Resolvi tirar porque entendi que não estava apto para isso”, conta, observando que não vê problemas nessa mudança.
“Faz parte, espetáculo ao vivo tem dessas coisas. Você tira cenas ou falas, inclui outras, vai vendo o que funciona ou não. Pedro Cardoso, referência para mim, faz muito isso. As temporadas de suas peças nunca terminam como começam”, aponta.
“TERAPIA”
Monólogo com Marcelo Serrado. Sábado (5/9), às 21h, e domingo (6/9), às 19h, no Cine Theatro Brasil (Praça Sete, Centro). Plateias 1 e 2A: R$ 160 (inteira) e R$ 80 (meia). Plateia 2B: R$ 140 (inteira) e R$ 70 (meia). Vendas on-line na plataforma Eventim.
OUTRAS ATRAÇÕES
>> Argentina: memória e luta
O centro cultural ZAP 18 (Rua João Donada, 18, Serrano) recebe a peça argentina “O canto das cigarras” neste domingo (6/9) às 18h. Por meio de histórias de 24 crianças, filhas de desaparecidos políticos durante a ditadura militar naquele país, discute-se a memória como resistência. Uma das inspirações veio do movimento Avós da Praça de Maio. Texto e interpretação de Marcela De Grande, com direção de Germán Rodríguez. Entrada franca.
>> Palhaços em Mariana
Palhaços vão ocupar o Centro Histórico de Mariana neste sábado (5/9), das 9h30 às 20h30, e domingo (6/9), das 9h às 18h, durante o 14º Circovolante, realizado no Jardim, Praça da Sé, Praça Minas Gerais e Cine Teatro. Com entrada franca, espetáculos, cortejos e oficinas fazem parte da agenda, destinada a crianças e adultos.
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>> Mostra CRDançaBH
Reunindo artistas, grupos e pesquisadores, a 5ª Mostra CRDançaBH dá continuidade à sua programação nesta sexta-feira (4/9), a partir das 19h30, e no sábado (5/9), a partir das 10h. Com o tema “Mapas de encontro”, a programação leva espetáculos, oficinas e debates ao Teatro Marília (Avenida Prof. Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia). Entrada franca, com retirada de ingressos na plataforma Sympla, onde está disponível a programação completa do evento.