CINEMA

Sem criatividade, 'Moana' live-action tenta recuperar bilheterias da Disney

Nova versão do filme lançado em 2016 recicla história da princesa polinésia para alcançar bilheterias similares as de "O rei leão (2019) e "Aladdin" (2019)

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O live-action de "Moana", a animação da Disney sobre uma jovem princesa polinésia que luta para salvar seu povo, chega aos cinemas dez anos após o original. Seus produtores já sabem o que esperar: muita bilheteria e críticas sobre a falta de criatividade do estúdio, que insiste em reciclar materiais.

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Assistir ao filme, com uma atriz desconhecida no papel principal e o onipresente Dwayne Johnson dando corpo ao semideus Maui, que ele dublou nos dois desenhos da franquia, confirma as expectativas. Deve conquistar crianças menores, reproduzindo fielmente a história do desenho e também o formato musical.

O filme tenta recuperar para a Disney as boas bilheterias que já vieram da estratégia de substituir seres de duas dimensões por atores reais. Quando o estúdio começou a explorar esse recurso, teve sucessos retumbantes. Em 2019, "O rei leão" faturou muito, assim como "Aladdin", que deve parte do sucesso à presença de Will Smith, então no auge da popularidade antes de distribuir tapas no Oscar.

Mas, nos últimos anos, o público pareceu menos empolgado com as adaptações de "A pequena sereia", "Branca de Neve" e "Lilo & Stitch" - ainda assim uma das maiores bilheterias de 2025. Para o estúdio, "Moana" parece ter mais potencial para voltar às cifras parrudas.

E não há como negar o esforço na nova produção, desenvolvida sob comando de Johnson. O ator chegou a desistir de outros dois projetos para se dedicar ao filme, e o resultado é um incrível nível técnico, com uma avalanche de belas cenas submarinas. 

Há também uma boa química entre Johnson e a novata Catherine Laga'aya, que carregam o filme. Em boa parte do tempo, eles contracenam sozinhos, exceto pela companhia de um galo amalucado. Moana e Maui cruzam oceanos num barquinho para devolver uma pedra sagrada a uma deusa, no intuito de interromper a maldição que tem destruído a ilha onde o povo da garota vive.

 


Na jornada, enfrentam perigos variados que vão de um enorme monstro de lava até uma frota de navios de piratas que são bichinhos perigosos, cada um lembrando um coco. As lutas sobre ondas garantem o entretenimento, mas é possível reclamar de muito.

 

As cenas musicais são excessivas e dispensáveis. Já o início da narrativa, que precisa resumir a origem do mundo segundo o povo de Moana, deixa o começo muito verborrágico. Para piorar, tudo é contado de forma lenta, arrastada, talvez porque houvesse medo de que as crianças menores não entendessem o enredo.

É bom avisar também que o filme é fraco no que diz respeito aos pets que seduzem a plateia e garantem a venda de bichos de pelúcia. Moana tem um porquinho, que aparece muito pouco, e o galo que acompanha a menina nas viagens de barco. Mas o personagem é insosso, de personalidade indefinida. Um equívoco do roteiro.

Sem um ritmo constante, com sequências sonolentas, o "Moana" de carne e osso não deve ter a mesma adesão de um público que, dez anos antes, garantiu o sucesso do desenho. E quem é fã de animação e espera por mais criatividade da Disney vai continuar esperando.

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"MOANA"

(EUA, 2026, 116 min). Live-action. Direção: Thomas Kail. Com Catherine Laga'aya, Dwayne Johnson e John Tui. Em cartaz em salas das redes Cineart, Cinemark, Cinépolis, Cinesercla e no Centro Cultural Unimed-BH Minas Tênis Clube. 

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