MÚSICA

Gabriel Guedes prepara disco com 11 sambas do avô, Godofredo Guedes

Faixas foram garimpadas na pasta de partituras do compositor, pai de Beto Guedes, morto em 1983. Próximo passo é gravar valsas marchinhas deixadas por ele

Publicidade
Carregando...

Em 2003, com o lançamento do álbum “Choros de Godofredo”, o músico Gabriel Guedes deu início ao que chamava de “devassa” na obra de seu avô. Lá se foram 23 anos para que o passo seguinte fosse dado: ele finaliza agora o disco “Sambas de Godofredo”, cujas11 faixas reúnem músicos e convidados especiais de prestígio local e nacional. O trabalho chegará às plataformas até meados de agosto.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

O filho de Beto Guedes guarda a pasta deixada por Godofredo Guedes (1908-1983) com composições em diversos estilos. “Comecei gravando os choros, agora vou lançar os sambas, quero fazer um disco com as valsas e outro com as marchinhas dele, de forma que, ao final, isso seja um box com cada álbum dedicado a um estilo diferente”, adianta.

Gabriel está na reta final das gravações, acompanhado em estúdio por Gustavo Monteiro (violão 7 cordas), Arthur Pádua (violão), Warley Henrique (cavaco) e Nêgo Véio (pandeiro). “Sambas de Godofredo” conta também com Nara França (flauta), Thamiris Cunha (clarinete) e um quarteto de cordas.

Em família

As filhas de Gabriel, Júlia e Lira, dividem os vocais na faixa “Cantar”, um dos temas mais conhecidos da lavra de Godofredo Guedes, além de interpretarem, individualmente, outras duas músicas.

Júlia cumpre, há alguns anos, escala ascendente na música, ao passo que Lira está, segundo o pai, “estreando” com “Vai meu balãozinho”, marcha junina do avô que Gabriel verteu em samba.

Os convidados especiais são Beto Guedes, Wagner Tiso, Paulinho Pedra Azul, Tadeu Franco, Daniel Jobim, Flávio Venturini e a cantora Márcia Tauil. Gabriel conta que cortejou Caetano Veloso para integrar o time, mas, por incidente de percurso, o baiano acabou ficando de fora.

A relação afetiva orientou a escolha dos artistas presentes em “Sambas de Godofredo”. Paulinho, Tadeu e Flávio, por exemplo, são conhecidos de Gabriel desde quando era criança. 

Pimpinha

A maioria dos sambas é inédita e algumas regravações têm arranjos de Chico Bastos. Nem todo o repertório veio da pasta herdada do avô.

“Godofredo tinha um irmão, o Pimpinha, que estudou com ele e também era músico. Há uns 15 anos, fui à casa do Pimpinha e ganhei partituras. No meio delas, havia algumas que eram músicas do meu avô e ele escreveu de memória. Esses sambas também coloquei no disco”, revela.

Ele chama a atenção para o valor histórico de um trabalho dessa natureza. “O samba 'Abandonado', que Márcia Tauil canta com meu pai, 'Vou morar na Bahia', em que Júlia é acompanhada por Daniel Jobim, e 'Não quero mais lhe dar perdão', com o Paulinho Pedra Azul, são músicas das décadas de 1930 e 1940. As letras têm palavras como amofinado, coisas que ninguém usa mais. Acho muito legal essa linguagem antiga”, diz, acrescentando que todas as melodias e letras são de Godofredo Guedes.

Gabriel Guedes no colo do avô, Godofredo Guedes
Gabriel Guedes no colo do avô, Godofredo Guedes Acervo de família

O neto considera as estruturas melódicas a característica marcante e o traço distintivo dos sambas do avô. O álbum tem “músicas mais simples”, mas Godofredo gostava de rebuscar, comenta.

“Uns cromatismos e umas notas de passagem tornam as composições muito elaboradas, elegantes, bem-acabadas. Isso é um pouco coisa da época, quando o pessoal, no geral, se esmerava para fazer arte com primor”, diz.

Caçula

Assim que “Sambas de Godofredo” chegar às plataformas, Gabriel pretende circular com o show de lançamento ao lado de Lira, a caçula.

“Não sou cantor, muito menos de samba. Lira é cantora desde criança, só que nunca assumiu esse lugar. A partir da participação dela no disco, o que reforça a pincelada familiar que ele tem, pensei nesse formato para as apresentações. Vai ser ótimo para o trabalho dela, que está começando, e me possibilita rodar com mais facilidade com o show”, explica.

Depois de lançar “Sambas de Godofredo”, Gabriel Guedes planeja fazer alguns shows e “seguir a vida”, porque já está às voltas com novo álbum autoral. “Serão 11 faixas, comigo gravando todos os instrumentos”, diz, pontuando que isso reduz o custo de uma banda de apoio. Metade instrumental, metade cantado, o disco vai se chamar “Para as almas”.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

“É um trabalho meio voltado para o bem-estar das pessoas, para a cura. Flerta com o rock progressivo e a música clássica, quer dizer, é erudito demais para ser popular e popular demais para ser erudito. O disco flerta muito com passagens de músicas de Bach, a quem quero sempre prestar homenagem”, destaca.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay