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Mostra exibe filmes ciganos até sexta-feira (26/6), no Cine Santa Tereza

Produções desconstroem estereótipos que cercam a cultura gitana na Espanha. Promoção do Instituto Cervantes tem entrada franca

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 As comunidades ciganas têm forte presença no cinema espanhol, porém muitas vezes caracterizada por representações degradantes ou paternalistas. Com o intuito de oferecer nova perspectiva que situa a importância da cultura cigana dentro da história do país europeu, o Instituto Cervantes promove, a partir desta terça-feira (23/6), no Cine Santa Tereza, a mostra “Ciclo Romaníes detrás de la cámara: o cinema cigano do século 21”.

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Até sexta-feira (26/6), serão exibidos seis filmes de diretores ciganos ou que trabalharam com comunidades ciganas: “Pendaripen, la historia silenciada del pueblo gitano” (2025), de Alfonso Sánchez; “Karmenstein” (2022), de Jerónimo de los Santos; “Jacques Léonard, el payo chac” (2001), de Yago Léonard; “Proud Roma” (2021), de Pablo Vega; “Gran Redada Gitana: Historia de un genocidio” (2025), de Pilar Távora; e “Este México lo conocemos mejor que el mapa” (2016), de Lorenzo Armendárizriz.

Diretor do Instituto Cervantes em Belo Horizonte, Eduardo Maura diz que a mostra tem curadoria assinada por Rafael Buhigas, doutor em história contemporânea, e Lidia Merás, especialista em cinema, ambos formados pela Universidade de Madri. A seleção foi enviada pela Diretoria de Cultura do instituto na Espanha e, além de Belo Horizonte, vai circular por outras cidades brasileiras em que a instituição está presente.

“A programação é baseada nos princípios da diversidade. Os ciganos são uma comunidade com presença importante na cultura espanhola, mas não desfrutam de visibilidade nem na Espanha, nem no Brasil e nem em lugar nenhum do mundo. A mostra reúne trabalhos de cineastas ciganos que promovem melhor compreensão de seus valores e história. Isso confere viés único a essas narrativas”, diz Maura. Ele observa que, entre os títulos, prevalecem documentários sobre personalidades do mundo cigano.

O diretor do Cervantes destaca que este cinema contemporâneo se vale de recursos da atualidade e, nesse sentido, se alinha com outras filmografias. “Muitas vezes, os ciganos tiveram de lutar contra a invisibilidade, o preconceito e a estereotipificação de sua cultura. A mostra tem foco no documentário, que é mais objetivo no sentido de desconstruir essa imagem, mas teria sido possível encontrar também mais ficções feitas por ciganos. São representações muito diversas”, explica.

Ele ressalta a presença histórica da comunidade cigana na Península Ibérica, mas, durante muito tempo, “invisível” no cinema, sem representações complexas e além do clichê. Ainda hoje, filmes e séries insistem em categorizar ciganos como modelos de atraso e barbárie. A mostra em BH propõe mudanças em relação a essa perspectiva que distorce a realidade e reforça sistemas de opressão, segundo Maura.

A curadoria chama a atenção para o fato de que o povo cigano faz parte da história do cinema desde seus primórdios, com caminhos abertos por Charles Chaplin, diretor que tem essa ascendência. A seleção da mostra inclui biografias de artistas, filmes experimentais, documentários que denunciam o anticiganismo, bem como obras que celebram valores e conquistas dessa minoria.

Homem cigano olha para a câmera em cena do filme Proud Roma
"Proud Roma", atração de quinta-feira, mostra a luta dos ciganos contra o preconceito Instituto Cervantes/divulgação

Filme de abertura, nesta terça (23/6), “Pendaripen” apresenta a história do povo cigano a partir dos relatos de seus próprios representantes. Amanhã, serão apresentadas duas produções dedicadas às artes visuais ciganas: “Karmenstein”, curta experimental que reúne diferentes versões de mulheres chamadas Carmen, com destaque para a artista Carmen Amaya, e “Jacques Léonard, el playo chac”, retratando o fotógrafo francês Jacques Léonard, que documentou o cotidiano das comunidades ciganas de Barcelona nos anos 1950.

Perseguição

Protagonizado por Alina Serban, o curta “Proud Roma”, em cartaz na quinta-feira (25/6), mostra a diversidade, lutas e conquistas dos ciganos europeus.

No mesmo dia, “Gran Redada Gitana” focaliza a Prisão Geral dos Ciganos, perseguição ocorrida entre 1749 e 1765.

Na sexta-feira (26/6), o documentário “Este México lo conocemos mejor que el mapa”, resultante de estudo etnográfico realizado pelo diretor ao longo de 20 anos, registra a vida de ciganos que percorreram o México com apresentações artísticas.

Cervantes e Lorca

O texto curatorial da mostra cita duas narrativas aparentemente opostas: “La gitanilla”, em que Cervantes expõe seu desdém pelos ciganos, e “Romanceiro gitano”, com que Lorca expressa sua admiração por esse povo. O que as une é o fato de ambas enxergarem o cigano espanhol como “o outro”.

“Sua representação como grupo étnico tem sido acompanhada por caracterizações imprecisas, originadas principalmente de perspectivas não ciganas. Como resultado, sua imagem oscila entre retratos idealizados baseados no exotismo, frequentemente ligados ao seu reconhecimento como artistas, e os estereótipos mais prejudiciais”, destacam os curadores Rafael Buhigas e Lidia Merás.

“CICLO ROMANÍES DETRÁS DE LA CÁMARA”

Mostra sobre o cinema cigano na Espanha no século 21. Desta terça-feira (23/6) até sexta (26/6), no Cine Santa Tereza (Rua Estrela do Sul, 89, Santa Tereza). Entrada franca. Ingressos podem ser retirados na plataforma Sympla ou na bilheteria, a partir das 18h. Informações no site da PBH.

PROGRAMAÇÃO

Hoje (23/6)

19h: 'Pendaripen,a história silenciada do povo cigano' (2025), de Alfonso Sánchez

Quarta (24/6)

19h: 'Karmenstein' (2022), de Jerónimo de los Santos

'JacquesLéonard, el payo chac' (2011), de Yago Léonard

Quinta (25/6)

19h: 'ProudRoma' (2021), de Pablo Vega

'Gran RedadaGitana, historia de un genocidio' (2025), de Pilar Távora

Sexta (26/6)

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19h: 'EsteMéxico lo conocemos mejor que el mapa' (2016), de Lorenzo Armendárizriz

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