PC Siqueira foi assassinado, diz perícia particular
Influenciador morreu em dezembro de 2023. Hipótese oficial é de suicídio, mas nova perícia contesta versão
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Uma nova perícia particular aponta que o influenciador digital Paulo Cezar Goulart Siqueira, o PC Siqueira, foi estrangulado e assassinado com um fio de fones de ouvido. Ele foi encontrado sem vida em 27 de dezembro de 2023, aos 37 anos, no apartamento em que morava, na Zona Sul de São Paulo.
O parecer, elaborado em março de 2026 a pedido da família e divulgado pelo G1, contraria os laudos oficiais do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC). Em 2025, os órgãos apontaram que a morte ocorreu por suicídio, por enforcamento com uma cinta. A versão oficial afirma que PC tirou a própria vida na frente da ex-namorada, Maria Luiza Lopes Watanabe.
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De acordo com o perito responsável pelo novo laudo, o padrão das lesões no pescoço seria incompatível com o objeto indicado na perícia oficial. Segundo o documento, a largura e o formato das marcas sugerem compressão causada por um fio mais fino, semelhante a um cabo de fones de ouvido encontrado no local posteriormente e entregue à polícia pelos advogados da família.
O relatório particular não indica autoria para o suposto crime, mas sustenta que a dinâmica da morte difere da versão inicialmente apresentada pelas autoridades.
Diante das divergências, o Ministério Público determinou que o fio seja submetido a exames pelo IML e pelo IC. Os peritos devem comparar o objeto com registros fotográficos do corpo, já que não será possível realizar exumação, já que a morte ocorreu há mais de dois anos. O novo laudo ainda está em andamento.
Investigação segue aberta
A Justiça determinou, no fim de 2025, a continuidade das investigações, após o Ministério Público e a família apontar inconsistências nos laudos e contradições em depoimentos. O inquérito, inicialmente concluído como suicídio, não foi arquivado.
Com a retomada das investigações, a Polícia Civil passou a trabalhar com três linhas principais: suicídio, instigação ao suicídio e homicídio com simulação de suicídio. Segundo os advogados da família, nenhuma hipótese pode ser descartada neste momento. O caso segue em segredo de Justiça.
Depoimento da ex-namorada
Em depoimento à Polícia Civil, a ex-namorada de PC, Maria Luiza, afirmou que presenciou o momento em que o influenciador teria se enforcado. Segundo ela, os dois haviam encerrado o relacionamento poucos dias antes, e ele estava emocionalmente abalado. Ela relatou que, durante a discussão, PC disse que pretendia tirar a própria vida.
Ainda de acordo com seu testemunho, ela tentou impedir o ato, mas não conseguiu. Em seguida, deixou o apartamento gritando por socorro no corredor do prédio. Uma vizinha afirmou à Polícia que ouviu os pedidos de ajuda.
Essa vizinha declarou que, ao entrar no imóvel, encontrou o influenciador pendurado por uma cinta. Segundo o relato, ela acionou a Polícia Militar e utilizou uma faca para cortar o objeto, na tentativa de prestar socorro.
Apesar de convergirem em pontos importantes, os depoimentos das duas apresentaram divergências, especialmente em relação ao horário em que o socorro foi solicitado. Essa inconsistência motivou a realização de uma acareação por videoconferência, em 30 de janeiro de 2026.
Maria não participou da reconstituição do caso realizada pela Polícia Técnico-Científica no dia 20 de janeiro de 2026, no prédio onde PC morava, no bairro Campo Belo. A ausência foi justificada por motivos pessoais.
Amigos ouvidos pela polícia relataram que o casal tinha um histórico de discussões frequentes, algumas delas expostas publicamente em transmissões ao vivo nas redes sociais. Um dos depoimentos aponta ainda que, após o término, um amigo do influenciador teria se envolvido com Maria, situação que teria causado irritação em PC.
Defesa nega envolvimento
A defesa de Maria Luiza afirma que não há qualquer elemento técnico ou probatório que a vincule a um eventual crime. Por meio da advogada Clarissa Azevedo, ela declarou acompanhar a investigação com tranquilidade e reforçou confiança no trabalho das autoridades.
“A posição da defesa é clara no sentido de que não há elementos técnicos ou probatórios que sustentem a atribuição de responsabilidade à Sra. Maria Luiza pelos fatos investigados. Nesse sentido, importa destacar que, até o momento, não há qualquer acusação formal ou imputação concreta contra a Sra. Maria Luiza, no âmbito de investigação que, inclusive, conta com laudos oficiais apontando morte por enforcamento”, afirmou em nota.
A defesa enfatiza ainda que os laudos oficiais — elaborados por órgãos do Estado — apontam morte por enforcamento, sustentando que esses documentos possuem maior grau de imparcialidade em relação a pareceres particulares. “Já eventuais pareceres particulares, ainda que possam ser juntados aos autos, são produzidos por profissionais contratados por uma das partes, razão pela qual não possuem o mesmo grau de imparcialidade da perícia oficial”, apontou.
Por fim, a defesa argumenta que parte das suspeitas levantadas se baseia em relatos indiretos e versões contraditórias, sem respaldo nos elementos constantes dos autos.
PC Siqueira foi um dos pioneiros na produção de conteúdo digital no Brasil, ganhando notoriedade com vídeos no YouTube e participações em programas de televisão. Ao longo da carreira, acumulou grande audiência e também se envolveu em polêmicas.
Antes de sua morte, ele chegou a ser investigado por suspeita de envolvimento com material ilegal, após o vazamento de mensagens em 2020. Posteriormente, perícias não encontraram provas nos equipamentos apreendidos, e o próprio influenciador negou as acusações. O caso foi encerrado sem conclusão judicial após sua morte.
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A família informou, à época, que trabalha em uma série documental sobre a trajetória do influenciador e pediu respeito ao luto.