MÚSICA BRASILEIRA

Buhr lança o disco 'Feixe de foto' com novo nome e a mesma inquietação

Álbum traz a identidade da artista como pessoa não binária, 11 faixas autorais e os convidados Russo Passapusso, Fernando Catatau e Arto Lindsay, entre outros

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Cantora, compositora, atriz, escritora, ilustradora, ela sempre foi muito tudo. Continua como sempre, mas com outro nome: Buhr. “Já vinha pensando há muito tempo sobre ser uma pessoa não binária, mas não sentia necessidade de falar. No meio do caminho, veio a ideia de lançar o disco novo já com esse nome”, diz ela, que veio a público, em agosto de 2025, comentar a mudança.

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Baiana criada em Pernambuco que despontou na cena musical como Karina Buhr em 2010 (seu primeiro álbum é “Eu menti pra você”), ela chega a seu quinto disco solo, “Feixe de fogo”, inquieta como dantes. “Estou que nem o meu disco, morando entre São Paulo, Recife e Fortaleza”, brinca ela, que vai completar 52 anos em 20 de maio.

“Feixe de fogo” é o primeiro álbum de Buhr em sete anos. Feito aos poucos, cada hora em um canto, com grande número de participações. “Não sei se teve faixa completa gravada em um estúdio só. A primeira gravação foi feita há dois anos, em Fortaleza. De lá, Sobral (no interior do Ceará), Salvador, Recife, São Paulo. Foi aos pedaços.”

Foram 11 estúdios e 24 músicos nas gravações durante dois anos. Todas as faixas, letra e música, são de Buhr. A exceção é “Desmotivacional”. Fruto da parceria com Russo Passapusso, que também participou da canção, fecha o álbum em alta rotação. A dobradinha é colorida pelo naipe de metais arranjado por Ubiratan Marques.

A veia dramática de Buhr dá as caras na faixa-título. A voz doce se contrapõe à força do refrão, “Eu coroo a cabeça de sangue/ feixe de fogo pulso quente”. Cheia de climas, “Feixe de fogo” conta com as guitarras de Arto Lindsay e Fernando Catatau. Rami Freitas, que dividiu a direção artística e produção do álbum com a cantora, gravou as baterias não só desta canção, como das demais.

Com acento reggae, “Voaria” é marcada pelo trompete de João Teoria. Em toada semelhante, “Vale brinde” é mais crua, com baixo, guitarra, bateria e synths.

Moon Kenzo

Além de Passapusso, Buhr levou para o álbum outros nomes. Artista de Sobral, Moon Kenzo faz um lindo dueto com ela em “70 cigarros”. Josyara e Negadeza dividem com Buhr os vocais em “Oxê”. A sonoridade delicada, baseada nas percussões, se contrapõe aos versos: “Eu gostaria de um sapato branco/ pra acertar seu dedo/ pra esmagar meu medo.”

Como o processo de gravação foi aos poucos, a sonoridade é que acabou definindo o disco. “Tem músicas que são ficção total, como ‘70 cigarros’, que parece cena de novela. Inclusive a participação da Moon Kenzo deixou tudo muito dramático. Tem coisas políticas também, como ‘Chão frio’ e ‘Feixe de fogo’, outras que mostram a relação entre as cidades (onde o disco foi gravado). Depois que um disco fica pronto, cada pessoa vai escutar de um jeito”, acrescenta.

O lado percussionista de Buhr aparece mais discretamente no trabalho. “Mesmo que não esteja tocando tambor, o ritmo é muito importante para mim, nem que seja na mente”, comenta ela, que nos versos sempre imprime ritmo às palavras.

Desânimo

O hiato de sete anos para lançar o novo trabalho autoral não assusta Buhr. “Meus discos sempre foram meio espaçados. O anterior (‘Desmanche’) é de 2019. Quando era para circular com ele, veio a pandemia. Depois, virou disco velho. Então circulei pouco, deu desânimo”, continua.

Buhr deu início à turnê de “Feixe de fogo” no último fim de semana, no Recife e em Fortaleza. Além de Rami Freitas na bateria, a nova temporada conta com Susannah Quetzal na guitarra/synths e Izma Xavier no baixo.

“Vontade eu tenho, estou correndo atrás”, responde ela, quando perguntada sobre a vinda a Belo Horizonte. O show mais recente da cantora na cidade foi em agosto de 2022, na Autêntica. Na época, ela lançava também seu primeiro romance, “Mainá”.

Na telona

O cinema é um dos palcos de Buhr, que está no elenco de longas recentes, como “Meu nome é Bagdá” (2020), de Caru Alves de Souza, e “Lispectorante” (2024), de Renata Pinheiro.

Ela participou ainda de dois filmes inéditos: “Ciranda”, de Gustavo Portela, sobre o início do MST, e “Lusco-fusco”, dos mineiros Bel Bechara e Sandro Serpa. “Este tem arranjos novos para músicas minhas já gravadas”, conta ela, que continua operando em paralelo na literatura. “Estou com dois livros meio parados. De vez em quando, paro e escrevo”, revela Buhr.

Cantora Buhr tem os olhos pintados de preto, cabelos louros e visual futurista na capa do disco Feixe de fogo
Priscilla Buhr e Guile/divulgação

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“FEIXE DE FOGO”

• Álbum de Buhr
• 11 faixas
• Sound Department
• Disponível nas plataformas digitais

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