Antigas canções de Wisnik ganham nova vida nas vozes de estrelas
EP ‘Mais simples’ reúne cinco músicas do compositor e ensaísta em gravações de Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, Djavan, Renato Braz e Sophie Charlotte
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Caetano Veloso (quem mais?) deu o start para EP de José Miguel Wisnik recém-chegado às plataformas digitais. Lançada originalmente em 1992, no álbum de estreia do compositor, músico e ensaísta, “Mais simples” foi regravada ao longo dos anos – chegou a nomear um disco de Zizi Possi na década de 1990. Wisnik conta que, desde muito, Caetano tinha a intenção de fazer alguma coisa com “Mais simples”.
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“Teve um momento que ele quase fez uma interpretação da música, mas as circunstâncias o acabaram desviando disso.” Amigos comuns fizeram nova proposição e, dessa vez, Caetano foi em frente.
Não sozinho, mas acompanhado ao violão por Tom Veloso. A gravação foi realizada em casa, com a produção de Lucas Nunes. O parceiro do filho caçula do baiano desde “Meu coco” (2021) se tornou figura central para a música de Caetano.
O primeiro reencontro de Wisnik com sua própria música se desdobrou em um projeto maior. Realização da Circus Produções Culturais, “Mais simples” traz cinco canções do paulistano em novas interpretações.
O EP segue com a única gravação preexistente. Em 2005, Djavan tocou “Pérolas aos poucos” durante a turnê “Vaidade”.
A temporada de shows, que seguiu pelo Brasil, França e Portugal, levava o nome do álbum que marcou o lançamento de seu próprio selo, Luanda Records. Na época, o alagoano foi o pioneiro do primeiro escalão da música brasileira a deixar uma grande gravadora (no caso, a Sony Music) e peitar a independência.
Comentário
“Djavan apresentava (a música) só com teclado (de Renato Fonseca) quase como um comentário no meio de todos os hits dele com banda”, comenta. Um dos momentos mais inspirados do cancioneiro de Wisnik, “Pérolas aos poucos” foi lançada pelo próprio no álbum homônimo, de 2003.
Diante da impossibilidade de Djavan entrar em estúdio para realizar a gravação, descobriu-se que havia um registro ao vivo do show. Foi este, um momento luminoso, que entrou no disco.
Wisnik foi para o estúdio para participar da gravação de duas faixas de “Mais simples”. Ao piano, ele acompanhou o cantor Renato Braz no registro de “Se meu mundo cair”. “Tem a ver com uma circunstância que envolve Zé Celso (Martinez Corrêa, 1937-2023)”, conta.
No ano passado, Wisnik apresentou a aula-show “Primavera”, dedicada à trajetória do encenador e fundador do Teatro Oficina. Durante muitos anos, ele colaborou com o grupo teatral de Zé Celso.
Ainda em 2025, durante o lançamento do livro “O devorador: Zé Celso, vida e arte”, coletânea de textos organizada pelo jornalista Claudio Leal, Wisnik e Braz cantaram juntos. “‘Se meu mundo cair’ não é do repertório do Oficina, mas caiu como uma luva”, diz ele, destacando a maneira como Braz a interpreta. “É quase como uma sílaba que levita, quando ele canta ‘Eu que aprenda a levitar’ (último verso da letra).”
Intuição
A relação com o Oficina é reforçada em “Cacilda”. A valsa foi composta em 1998 para o espetáculo homônimo, criação emblemática de Zé Celso em torno da atriz Cacilda Becker.
“Quando recebo uma encomenda de uma parceria que me inspira, como era com o Zé Celso, a música vem de outra forma. Não é só racional, mas tem muito de intuição e emoção (com o criador que fez o pedido da música). Essa canção parecia que já estava pronta, era só pegar no ar”.
Sophie Charlotte fez a gravação para o EP, acompanhada do violão de João Camarero. “Não a conhecia pessoalmente e foi uma ponte do Claudio Leal, um padrinho desse disco. Ela tinha a vontade de cantar ‘Cacilda’ justamente por ser uma canção sobre a cantora-atriz”, comenta.
“Átimo de som”, faixa que encerra “Mais simples”, mostra novo encontro de Wisnik com um de seus mais celebrados parceiros. Arnaldo Antunes, que dividiu com ele a autoria da canção, interpreta pela primeira vez a música – Wisnik gravou o piano.
“As outras músicas foram regravadas por outras pessoas, fazem parte do meu repertório mais conhecido. Essa, não.” Composta por Wisnik e Antunes para Gal Costa, foi gravada por ela, mas lançada apenas como faixa-bônus. “Não foi muito ouvida. Então eu queria trazer, com o Arnaldo, que é um incrível intérprete, trazer essa canção para a companhia das outras”, diz Wisnik.
Ele vê o EP “Mais simples” como um presente. “Eu nunca tinha feito uma coisa menor. Gostei do tamanho. Neste caso, não precisei fazer nada, tudo veio na minha direção. Então achei que foi na justa medida”, comenta.
“MAIS SIMPLES”
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EP de José Miguel Wisnik
Circus Produções Culturais
Cinco faixas
Disponível nas plataformas digitais