Brasil tenta no Oscar feito que apenas cinco países conseguiram
‘O agente secreto’ busca a segunda vitória consecutiva do país na categoria Melhor Filme Internacional, vencida no ano passado por ‘Ainda estou aqui’
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Inédito não é, já aconteceu algumas vezes no quase centenário prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Mas há 37 anos um país não leva, consecutivamente, o Oscar de Melhor Filme Internacional. A última vez que isso ocorreu foi com a Dinamarca, com “A festa de Babette” (1987) e “Pelle, o conquistador” (1988).
Caso “O agente secreto” leve neste domingo (15/3) o Oscar de Melhor Filme Internacional, o Brasil fará parte da lista em que estão ainda a Itália e a França (cada um teve vitórias consecutivas em três ocasiões), Japão (uma só, na década de 1950) e Suécia (também uma, no início dos anos 1960).
O Oscar de 2025 para “Ainda estou aqui” abriu portas para o thriller pernambucano – não podemos nos esquecer de que a ditadura militar está presente, mesmo que de maneira absolutamente diversa, nos dois filmes.
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Ainda que a comparação da trajetória dos longas brasileiros em Hollywood seja inevitável, há pontos divergentes. O filme de Walter Salles só entrou efetivamente para o jogo após as indicações ao Globo de Ouro. Já o de Kleber Mendonça Filho começou a ser trabalhado muito antes – nos EUA, o longa estreou em novembro passado, mesma época em que chegou aos cinemas brasileiros.
Brasil e Oscar têm uma história longa, que só resultou em prêmio no ano passado. A primeira participação do país foi em 1945, quando “Rio de Janeiro”, melodia de Ary Barroso e letra de Ned Washington, concorreu a Melhor Canção pelo filme americano “Brasil”.
'Orfeu Negro': estatueta para a França
Somente 15 anos mais tarde o país voltou à premiação. “Orfeu Negro”, coprodução Brasil, França e Itália baseada na peça “Orfeu da Conceição” (Vinicius de Moraes), venceu o Oscar de Filme Internacional. Mas o Brasil não, já que o longa de Marcel Camus representava a França.
Criada em 1957, a categoria teve quatro longas brasileiros concorrendo no passado: “O pagador de promessas” (1963), “O quatrilho” (1996), “O que é isso, companheiro?” (1998) e “Central do Brasil” (1999), que também recebeu indicação de Melhor Atriz para Fernanda Montenegro.
O auge do período pós-retomada foram as quatro indicações para “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles e Katia Lund. Preterido pela Academia em 2003 na categoria de Filme Internacional, foi indicado a Melhor Direção, Roteiro Adaptado, Fotografia e Montagem no ano seguinte.
Outro filme dirigido por Meirelles, o internacional “Dois papas” (2019), teve três indicações – duas por atuação e uma por roteiro.
Animação
A animação marcou presença nas últimas décadas. Em 2004, o curta “Aventura perdida de Scrat”, produção americana dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha, foi indicado.
Carlinhos Brown e Sergio Mendes concorreram em 2012 a Melhor Canção Original com “Real in Rio”, do longa “Rio”, também de Saldanha. Um feito foi o longa independente “O menino e o mundo”, de Alê Abreu, nomeado ao Oscar de 2016.
De curtas de ficção, a única indicação brasileira foi “Uma história de futebol”, de Paulo Machline, em 2001.
Já a categoria Documentário teve cinco nomeações, algumas delas de coproduções com outros países: “Raoni” (1979), “El Salvador: Another Vietnam” (1982), “Lixo extraordinário” (2001), “O sal da terra” (2015) e “Democracia em vertigem” (2020).
Há participações passíveis de discussão. Em 1986, a coprodução Brasil/EUA “O beijo da Mulher Aranha”, do argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco, recebeu indicações a Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado e Ator (o protagonista William Hurt foi premiado). Com vários brasileiros no elenco, o filme é majoritariamente falado em inglês.
Já em 1993 o Oscar de Melhor Direção de Arte foi para Luciana Arrighi, pelo drama britânico “Retorno a Howards End”. Filha de um diplomata italiano, ela nasceu no Rio de Janeiro, mas deixou o país na primeira infância.
Walter Salles dirigiu “Diários de motocicleta”, que deu o Oscar de Melhor Canção ao uruguaio Jorge Drexler. A coprodução é assinada por sete países, nenhum deles o Brasil.
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Já o americano James Ivory venceu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado em 2018 por “Me chame pelo seu nome”. Rodrigo Teixeira é um dos produtores do drama gay ambientado na Itália que concorreu a outras três categorias, incluindo Melhor Filme.