‘Estopim’ investiga as razões das violências contra mulheres
Série documental que estreia neste domingo (8/3) no Canal Brasil subverte a lógica do true crime e investiga fatores estruturais do feminicídio no Brasil
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No próximo sábado, 14 de março, a morte da vereadora Marielle Franco completa oito anos. Na semana passada, o STF condenou, por unanimidade, os cinco réus acusados de planejar o assassinato. As penas variam de nove a 76 anos de prisão, além de indenização de R$ 7 milhões às famílias – dela e do motorista Anderson Gomes –, perda de cargos públicos e suspensão dos direitos políticos.
A execução de Marielle Franco é abordada na minissérie “Estopim”, que estreia no Canal Brasil, neste Dia Internacional da Mulher (8/3). A produção em cinco episódios que subverte a lógica do true crime ao investigar as causas estruturais por trás de assassinatos que marcaram o país.
Com direção de Ana Teixeira, a série analisa as reações da sociedade e da mídia e busca compreender os fatores históricos e culturais que contribuem para a continuidade dessas violências.
“Nos true crimes a que eu costumava assistir, o ponto de vista me incomodava. Era difícil ver um dirigido por uma mulher ou que falasse mais sobre as histórias das vítimas”, afirma a diretora.
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O primeiro episódio – “Crimes políticos” – é dedicado à memória de Marielle, da juíza Patrícia Acioli e de Dora Barcellos. A produção discute por que mulheres com projeção política e social são alvos constantes de ataques misóginos e investiga as raízes dessa violência.
Marielle foi morta com 13 tiros depois de sair de um evento de mulheres no Rio de Janeiro.
Eleita com 46 mil votos pelo PSOL, era relatora da CPI das Milícias e foi assassinada com um ano e três meses de mandato. Falas da viúva, Mônica Benício, e da irmã, Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, abrem o episódio.
Também é lembrada a trajetória de Patrícia Acioli, juíza assassinada em 2011, com 21 tiros, na porta de casa. O impacto do assassinato na família é relatado pela filha, Ana, que diz que o núcleo familiar carrega “fantasmas para sempre”.
Tortura em Minas
O episódio aborda ainda o caso de Dora Barcellos, estudante de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e vítima de tortura durante a ditadura militar. Seu depoimento integra o capítulo sobre violência sexual da Comissão Nacional da Verdade.
Após sobreviver às sessões de tortura, Dora se exilou na Europa e, anos depois, morreu em Berlim, ao se atirar nos trilhos de um trem. O caso é narrado com mais profundidade no documentário “Retratos de identificação”, de Anita Leandro.
A série não usa imagens de sangue nem faz reconstituições dos crimes. Com direção de arte e ilustrações de Lívia Serri Francoio e Luma Flôres, aposta em animações para contar as histórias sem expor diretamente a violência. “Quisemos preservar essas mulheres e tratar as histórias com o máximo de elegância possível”, afirma Ana Teixeira.
Entre as entrevistadas estão Maria da Penha, a psicanalista Valeska Zanello, a jurista Soraia Mendes e a escritora Mary Del Priore.
Acompanhamento psicológico
A diretora conta que o processo de escrita foi emocionalmente difícil e exigiu acompanhamento psicológico, mas que o contato com as entrevistadas trouxe outra perspectiva.
“Conversar pessoalmente com essas mulheres resgatou minha crença de que esse quadro pode ser melhorado. Existem pessoas lutando contra a violência, especialmente por meio da educação”, afirma.
“Estopim” terá exibição de um episódio por dia, até quinta-feira (12/3). Haverá reprise na madrugada de sábado para domingo (5/4), à 0h, e partir de 6/4, às 18h15, também com um episódio por dia.
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“ESTOPIM”
• Série em cinco episódios, com exibição no Canal Brasil, a partir deste domingo (8/3), com um capítulo por dia, às 21h.