Artes visuais

Casa Fiat exibe coleção de Renoir pertencente ao Masp

Acervo do museu paulista com 11 pinturas e uma escultura do impressionista francês ficará aberto à visitação em BH de terça (10/3) a 10 de maio, gratuitamente

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De um lado, Pietro Maria Bardi (1900-1999); do outro, Assis Chateaubriand (1892-1968). O primeiro, com olho clínico para a arte e trânsito nas galerias internacionais. O segundo, com dinheiro de sobra – dele e, principalmente, de doadores. Junte-se a isso uma Europa enfraquecida e empobrecida no pós Segunda Guerra e está montado o cenário ideal para a fundação de um museu.

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O Museu de Arte de São Paulo foi inaugurado em 1947 com exposição de 85 obras de arte. Havia Picasso, Botticelli, Dürer e Portinari, cedidos pelos poderosos do país na época. Hoje, 79 anos mais tarde, seu acervo é de mais de 10 mil peças. Boa parte das “joias da coroa” foi adquirida por Bardi no primeiro decênio do Masp.

É indiscutível a coleção de Pierre-Auguste Renoir (1841-1919), um dos principais nomes do impressionismo francês, no museu: 12 pinturas (11 retratos e uma paisagem) e a escultura “Vênus Vitoriosa”.

Adquiridos até 1958 (na época, por um preço abaixo do mercado), nunca foram expostos, em sua integralidade, em outra instituição. A Casa Fiat de Cultura começa a celebração de seus 20 anos justamente quebrando esse ineditismo.

Com abertura para o público na próxima terça (10/3), a mostra “Renoir” vai exibir 12 dos 13 trabalhos desta coleção. A obra-prima “Rosa e azul – As meninas Cahen d’Anvers” (1881), em constante exposição no Masp, nunca deixa o museu.

“É uma coleção inegável porque reúne uma quantidade significativa de trabalhos. Excetuando os grandes museus da França e um ou outro estadunidense, pouquíssimos têm 13 obras de Renoir. Mas (a coleção) é de especial singularidade, pois reúne alguns dos retratos mais importantes feitos por ele”, destaca Fernando Oliva, curador do Masp, que assina a curadoria da mostra na Casa Fiat.

Jovem pintada por Renoir tem cabelos longos e usa vestido escuro
Detalhe de 'Retrato de Marthe Bérard' (1879), uma das pinturas do impressionista francês Renoir que estarão em exposição, a partir de terça-feira (10/3), na Casa Fiat Eduardo Ortega/divulgação

Durante dois meses, o espaço vai exibir, por exemplo, “Retrato de Marthe Bérard” (1879) e “Menina com as espigas” (1888), obras que, segundo Oliva, são muito requisitadas para exposições internacionais. Foi na paisagem e no retrato que Renoir se destacou mais.

“O conjunto é muito representativo da fase mais ambiciosa dele como pintor. Foi quando ele conseguiu promover o encontro entre a técnica que já possuía com as características que marcaram a revolução impressionista, como a incidência da luz na paisagem e nos retratos”, diz Fernando Oliva.

A técnica de Renoir, comenta o curador, não tinha nada a ver com o impressionismo. “Ele não era um pintor como o Monet, de família abastada. Ele era um técnico de pintura que precisava trabalhar. Com 15 anos, já pintava leques e cortinas.”

A ausência de “Rosa e azul” (o nome se refere à cor dos vestidos usados pelas retratadas, as irmãs Alice e Elisabeth Cahen d’Anvers) será suprida por uma sala imersiva criada na Casa Fiat que vai permitir que o público observe detalhes ampliados da obra. Gestora cultural da instituição, Ana Vilela comenta que a negociação com o Masp levou um ano.

Mulher de cabelos pretos presos sorri e usa blusa branca de colarinho alto em quadro pintado por Renoir em 1875
Detallhe de 'Dama sorrindo', quadro pintado por Renoir em 1875 Masp/divulgação

A temporada de Renoir vai até maio. Depois, haverá uma mostra da arte brasileira nos últimos 50 anos. “Além dos 20 da Casa Fiat, este ano é também comemorativo dos 50 anos da Fiat no Brasil. Como as duas celebrações andam juntas (a instituição foi inaugurada em 2006, quando a fabricante de automóveis completou três décadas de atividades no país), a mostra fará um diálogo da arte com o automóvel”, conta Ana.

A curadoria será dividida entre Yuri Quevedo, da Pinacoteca de São Paulo, e Peter Fassbender, chefe de design da Stellantis (dona da Fiat, entre outras marcas) na América do Sul.

No segundo semestre, a gestora adianta, haverá exposição que vai abranger a arte italiana do renascimento até a contemporaneidade. Outra realização muito importante será uma mostra dedicada a Aleijadinho, em parceria com os Museus Vaticanos.

Berço do barroco

Em 2021, a Casa Fiat restaurou as esculturas de Sant’Ana Mestra, São Joaquim e São Manuel. “Pela primeira vez, elas vão sair do Brasil. E irão para o berço do barroco. A exposição vai acontecer próxima à Pinacoteca do Vaticano, um lugar onde passam 500 mil pessoas por mês. Do ponto de vista da visibilidade e da projeção da arte brasileira, vai ser algo inédito.”

A mostra vai ocorrer em novembro. “A gente queria fazer no meio do ano, mas a Sant’Ana, que pertence a Chapada (subdistrito de Ouro Preto), fica sob a guarda do Museu de Mariana. Em julho, tem a festa de Sant’Ana, e a imagem vai para a procissão, então a Arquidiocese não abriu mão”, diz Ana Vilela.

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RENOIR NA CASA FIAT DE CULTURA

Abertura para o público nesta terça (10/3) na Casa Fiat (Praça da Liberdade, 10, Funcionários). Visitação de terça a sexta, das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h. Até 10 de maio. Entrada franca. Na quarta (11/3), às 19h30, haverá conversa com o curador Fernando Oliva. Inscrições gratuitas via Sympla.

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