LuizGa, Luiza Brina e Débora Costa brincam o carnaval com ‘Orgulho tilelê’
Trio de artistas mineiros leva seu show-projeto à Casa Floreana, nesta terça-feira (17/2). Iniciativa se propõe a ser um ponto de encontro pós-bloco, gratuito
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O músico Luiz Gabriel Lopes, o LuizGa, quer o termo tilelê – que muita gente usa de forma pejorativa – num lugar de afirmação de identidade e pertencimento. Por essa razão, ele batizou de “Orgulho Tilelê” o show que apresenta nesta terça-feira (17/2) na Casa Floreana, acompanhado por Luiza Brina (baixo e vocais) e Débora Costa (bateria).
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O repertório inclui canções de sua autoria e também de outros artistas e grupos de sua geração que compõem, conforme diz, uma certa cartografia cultural.
Inserido no contexto do carnaval e pensado como um ponto de encontro pós-bloco, o “Orgulho Tilelê” evoca a produção de bandas, cantores e compositores que despontaram na esteira do que se pode entender como movimento tilelê – um termo que, como lembra LuizGa, vem do vocalise que Tizumba faz em “Casa aberta”, música de Flávio Henrique e Chico Amaral que Milton Nascimento também gravou. “A ideia é atravessar um repertório que a gente identifica com essa estética e com essa ética”, diz.
Ele explica que assumiu um papel propositivo na seleção das músicas que compõem o roteiro, mas também fez muitas enquetes em suas redes sociais para que as pessoas sugerissem canções. LuizGa diz que teve um retorno massivo e isso chamou a sua atenção para o fato de que há um interesse grande sobre essa produção tilelê.
“Mais do que um preconceito que eu acho que também pode existir em torno do termo, percebo que há uma curiosidade. Pude sentir isso com essa movimentação virtual que antecedeu a formação desse repertório. Acho que o tilelê é uma cultura de ponte, que promove o encontro entre lugares, bolhas, classes sociais e territórios diferentes”, diz. Ele considera, ainda, que tilelê é “um estado de espírito que instaura a poesia”.
LuizGa recorda que, quando chegou a Belo Horizonte para estudar na UFMG, vindo de sua cidade natal, Entre Rios de Minas, existia uma “aura tilelê” pairando no ar. “Era um movimento em torno do tambor mineiro, dos cortejos, do congado, com o Tizumba, o Tambolelê, a Marina Machado, vários artistas que foram referência para uma juventude universitária. Era uma espécie de território mágico onde as pessoas estavam muito ligadas na cultura popular”, diz.
Ele destaca que a retomada do carnaval de Belo Horizonte é, em boa medida, fruto de uma movimentação tilelê. O artista lembra que, por volta de 2009 e do início dos anos 2010, ele, com o Graveola, outros artistas, bandas e coletivos estiveram profundamente envolvidos com a construção da folia. “Isso não tinha a ver só com o surgimento dos blocos, mas também de repertório”, diz.
Isso foi, também, conforme destaca, um vetor para a idealização do show “Orgulho Tilelê”. “A proposta é manter o clima de bloco, só que parado, dentro de um espaço, num clima mais íntimo, mas no corpo a corpo, com todo mundo inserido num mesmo ambiente, em torno de canções que identificamos com essa cartografia tilelê, sem camadas de mediação entre público e artista”, comenta. Sobre as presenças de Luiza Brina e Débora Costa, ele pontua que é uma formação única, pensada especialmente para este evento.
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“ORGULHO TILELÊ”
Show de LuizGa com Luiza Brina e Débora Costa. Nesta terça-feira (17/2), às 20h, na Casa Floreana (Av. do Contorno, 3.293, Santa Efigênia), onde também se apresentam, a partir das 16h, os DJs Namel, Sandri e JJBZ. Entrada franca, sujeita à lotação do espaço, com ingressos disponíveis pela plataforma Sympla.