Apresentadora e jornalista Wanda Chase morre durante cirurgia
Jornalista, que tinha 74 anos e era conhecida por fazer parte do movimento negro na Bahia, foi submetida ao procedimento por causa de um aneurisma da aorta
Formada pela UFMG, atua no jornalismo desde 2014 e tem experiência como editora e repórter. Trabalhou na Rádio UFMG e na Faculdade de Medicina da UFMG. Faz parte da editoria de Distribuição de Conteúdo / Redes Sociais do Estado de Minas desde 2022
Wanda Chase morreu em cirurgia de aneurisma crédito: Reprodução / Instagram
A jornalista e apresentadora Wanda Chase morreu nessa quarta-feira (2/3), durante uma cirurgia de aneurisma da aorta, em Salvador (BA). Ícone do jornalismo baiano, ela tinha 74 anos e era conhecida por fazer parte do movimento negro. O enterro está previsto para o sábado, de acordo com a TV Bahia, afiliada da Globo, onde trabalhou por quase três décadas.
Wanda nasceu no Amazonas e se mudou para a Bahia em 1991. De acordo com a família, ela disse há cerca de um mês que estava doente, após passar por uma virose. Chase chegou a ser diagnosticada com infecção urinária e infecção intestinal.
Nessa quarta-feira, Wanda deu entrada no hospital e obteve o diagnóstico de aneurisma dissecante da aorta, que ocorre quando a camada interna da aorta se rompe. Ela foi encaminhada para a cirurgia por volta das 17h, mas morreu durante o procedimento. A morte foi comunicada aos familiares cerca de 6 horas depois.
Wanda Chase fez parte da história do jornalismo baiano, tendo trabalhado em diversos veículos. Ela também foi assessora de imprensa da banda Olodum.
O Carnaval é uma das festas mais celebradas pelos brasileiros e em 2025 não é diferente. Por isso, o FLIPAR preparou uma série de conteúdos especiais sobre essa data. E uma das capitais da festa é Salvador, na Bahia. freepik
O Carnaval de Salvador foi reconhecido pelo Guinnes Book em 2004 como “o maior Carnaval de rua do mundo”. Todos os anos, a folia pelas ruas da capital baiana atrai cerca de 2,5 milhões de pessoas. Divulgação
O popular trio elétrico, inventado por Dodô e Osmar em 1950, é um dos símbolos mais marcantes do Carnaval de Salvador. divulgação
Essa ideia inovadora transformou a maneira como as pessoas celebram o Carnaval, ao levar música ao vivo pelas ruas por um caminhão equipado com um poderoso sistema de som. wikimedia commons Gui macieski
Com o tempo, os trios elétricos se tornaram grandes estruturas com sistemas de som e iluminação avançados, atraindo multidões de entusiastas. wikimedia commons Gui macieski
Na década de 1970, os blocos afros e afoxés foram fundamentais na criação da identidade cultural do Carnaval de Salvador. flickr Prefeitura de Olinda
Ao destacar a consciência racial, grupos como Ilê Aiyê e Badauê trouxeram uma influência marcante da cultura afro-brasileira. flickr Alex Carvalho
Nos anos 1980, o Axé Music, liderado por artistas como Luiz Caldas, foi determinante para fazer do Carnaval de Salvador o que ele é até os dias de hoje. reprodução tv band
Esse estilo musical, enraizado na cultura afro-baiana e no samba-reggae, tornou-se um dos mais amados em todo o Brasil, simbolizando a energia e a alegria típicas da festa carnavalesca. Reprodução/Instagram @ivetesangalo
Além da música e das novidades dos trios elétricos, o Carnaval de Salvador reflete a história e a cultura da Bahia, que tem a maior parte da população composta por pessoas negras e de origem africana. wikimedia commons Pierre André Leclercq
Por conta disso, a cidade celebra suas raízes africanas por meio da música, dança e tradições carnavalescas. freepik wirestock
Dodô e Osmar se conheceram em um programa de rádio em 1938, e logo se tornaram amigos e parceiros musicais. Alan Rodriguez Unsplash
Em 1950, Dodô e Osmar colocaram em prática sua ideia: eles adaptaram um Ford de 1929 com alto-falantes e amplificadores, e saíram às ruas de Salvador tocando instrumentos elétricos, como guitarras, violões e sanfonas. divulgação/acervo armandinho dodô e osmar
Dodô e Osmar continuaram tocando juntos por mais de 20 anos, e ajudaram a popularizar o trio elétrico em todo o Brasil. Eles foram responsáveis por criar um novo estilo musical, que misturava frevo, maracatu, samba e outros ritmos brasileiros. Manu Dias/Governo da Bahia
Dodô morreu em 1978, e Osmar em 1997. No entanto, a importância de sua obra continua viva até hoje. Não à toa eles são considerados os "pais do trio elétrico". domínio público
Hoje, os principais trios elétricos de Salvador são responsáveis por animar as multidões que lotam as ruas da cidade durante os quatro dias de festa. Confira agora os mais badalados! Reprodução/Instagram
Ivete Sangalo - A rainha do Carnaval de Salvador, Ivete Sangalo é uma das artistas mais populares do Brasil. Seu trio elétrico, o Coruja, é um dos mais esperados do carnaval e sempre atrai uma multidão de milhares de pessoas. Youtube Canal Band
Daniela Mercury - Outra artista baiana de grande sucesso, Daniela Mercury é uma das principais vozes da axé music. Seu trio elétrico, o Eva, é sempre um dos mais animados do carnaval, e conta com uma produção visual e musical incrível! Turismo Bahia/Wikimedia Commons
Bell Marques - O ex-vocalista do Chiclete com Banana é um dos principais nomes da música baiana. Seu trio, o Camaleão, é sempre um dos mais animados do carnaval, e conta com um repertório eclético que agrada a todos os públicos. Reprodução Instagram
Claudia Leitte - O Bloco Largadinho de Claudinha Leitte também costuma ser um dos mais disputados do carnaval de Salvador. A cantora traz sucessos de sua antiga banda, o Babado Novo, além dos hits que embalaram sua carreira solo. Divulgação
Além desses, outros trios elétricos que também são muito populares no Carnaval de Salvador incluem: Timbalada, Ludmilla, Anitta, Harmonia do Samba, Parangolé, Carlinhos Brown, Psirico e Léo Santana. Divulgação
Ao todo, a jornalista recebeu mais de 45 prêmios na profissão. Wanda também é reconhecida por seus esforços em dar reconhecimento para a cultura baiana, especialmente às manifestações ligadas à cultura negra.
Veja a íntegra da nota divulgada pela família de Wanda:
"A família Chase, lamenta com pesar, informar o falecimento da irmã, tia e tia avó Wanda Chase. Jornalista, uma mulher pioneira e inspiradora na luta pela igualdade racial e pela representatividade na mídia.
Nascida no Amazonas, Wanda Chase construiu uma carreira exemplar no jornalismo, passando por importantes veículos de comunicação, como o Jornal A Crítica, Rede Manchete, Tv Cabo Branco, Rede Globo Nordeste e por último, a convite, por 27 anos na Tv Bahia.
Além de sua destacada atuação como repórter, editora, colunista e apresentadora, Wanda Chase foi uma militante incansável do movimento negro, lutando por mais visibilidade e inclusão para as comunidades afrodescendentes.
Mesmo após sua aposentadoria, Wanda, continuou ativa, escrevendo sua coluna “Opraí Wanda Chase” no Portal IBahia e trabalhando em projetos como um podcast “Bastidores com Wanda Chase” e um livro sobre a axé music.
Sua partida deixa um vazio irreparável, mas seu legado de luta, perseverança e paixão pela vida e pela justiça social continuará a inspirar gerações futuras.
Para nós, seus familiares, Wanda é referência de alegria, determinação, sensatez, honestidade e competência.
Na vida a Wanda amou tudo que fez e nosso amor por ela é para sempre.