Assucena recebe Ava Rocha, Josyara e Vanessa Moreno no CCBB BH
Cantora presta tributo a vozes femininas da América Latina no projeto que fica em cartaz até domingo (6/4) na capital mineira
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Siga no“A canção latino-americana é maravilhosa, profunda e atravessadora. Ela nos interliga histórica e emocionalmente. Desfaz as fronteiras que nos separam e nos relaciona com aquilo que mais nos aproxima”. É assim que a baiana Assucena define o cancioneiro cuja potência inspira o projeto “A canção é urgente: Vozes latinA-americanas”.
Assucena e três convidadas se apresentarão gratuitamente neste fim de semana, sempre às 20h30, no CCBB BH. Na sexta-feira (4/4), a baiana recebe a carioca Ava Rocha (sua primeira parceira do Rio de Janeiro, ainda nos tempos da banda As Bahias e a Cozinha Mineira, que acabou em 2021). No sábado (5/4), ela divide o palco com a paulista Vanessa Moreno. No domingo, faz o último show ao lado da conterrânea Josyara.
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A iniciativa inclui workshop sobre estratégias de circulação musical na América Latina, que ocorrerá nesta quinta-feira (3/4), das 11h às 18h. Entre as participantes estão Mônica Cosas, fundadora da Akassá Produções Artísticas, e Valéria Graziano, empresária de Assucena e idealizadora do projeto em cartaz em Belo Horizonte.
Inspirada no movimento Nova Canção Latino-Americana, surgido no Brasil e países vizinhos durante a ascensão de ditaduras militares na região, a iniciativa valoriza a arte popular e a resistência à cultura hegemônica.
Donald Trump
Assucena afirma que a integração dos brasileiros com os demais países latino-americanos é sinônimo de força.
“Em tempos de Donald Trump tratando latinos como cidadãos de segunda classe e estimulando xenofobia e ódio, a gente traz 'A canção é urgente' para mostrar que não precisamos de ninguém para chancelar o quanto a América Latina é maravilhosa. Apesar das desigualdades e da tragédia colonial, ela é poderosa, bonita e tem linguagem própria”, diz a cantora.
No repertório do projeto, destacam-se mulheres marcantes na música latino-ame-ricana. A ideia surgiu do interesse acadêmico de Valéria Graziano, provocada ao ouvir a regravação de Assucena de “Como la cigarra”, canção da argentina Mercedes Sosa.
Sosa é a primeira das nove homenageadas. As outras são a brasileira Elis Regina, a chilena Violeta Parra, a cubana Omara Portuondo, as mexicanas Amparo Ochoa e Chavela Vargas, as peruanas Chabuca Granda e Susana Baca e a venezuelana Soledad Bravo.
Do próprio repertório, Assucena canta “Melancolia”, do álbum “Mulher” (2015), lançado pelo grupo As Bahias e a Cozinha Mineira. De seu primeiro disco solo, “Lusco-fusco” (2023), a cantora vai interpretar “Enluarada”, “Meeira” e “Nu”.
Olhar político
O repertório confere olhar político a temas universais, ressalta Assucena.
“A política é matéria-prima da arte. Existe a contestação do estado de coisas no meu trabalho, da sociedade patriarcal, machista e LGBTfóbica. Também contesto isso quando canto a beleza de ser feliz e de reivindicar a felicidade. Todas aquelas artistas não cantaram só a política, cantaram a vida e a maternidade, por exemplo. As canções delas são fortes porque política pode ser muita coisa, inclusive o amor”, conclui.
A CANÇÃO É URGENTE: VOZES LATINA-AMERICANAS
A cantora Assucena recebe Ava Rocha (sexta-feira, 4/4), Vanessa Moreno (sábado, 5/4) e Josyara (domingo, 6/4). Sempre às 20h30, no Teatro I do CCBB BH (Praça da Liberdade, 450, Funcionários). Nesta quinta (3/4), das 11h às 18h, será realizado workshop sobre a circulação musical na América Latina. Entrada franca, com retirada de ingressos na bilheteria da casa.
* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria