"Sambabook Beth Carvalho" traz novas versões de sucessos da artista
Álbum com versão audiovisual será lançado nesta quarta (3/4) e reúne intérpretes de diversas gerações em novos registros dos sucessos da Madrinha do Samba
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Criado em 2011 pela agência Musickeria, o projeto Sambabook já lançou nas plataformas digitais tributos a João Nogueira, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Dona Ivone Lara e Jorge Aragão, sempre com um time robusto de artistas convidados interpretando a obra de cada um desses autores. Em sua sexta edição, pela primeira vez com versão audiovisual, o álbum que será disponibilizado nesta quinta-feira (3/4) homenageia uma intérprete: Beth Carvalho (1946-2019).
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Artistas como Xande de Pilares, Teresa Cristina, Diogo Nogueira, Seu Jorge, Fagner e Zélia Duncan, entre outros, gravaram músicas eternizadas pela artista que ficou conhecida como Madrinha do Samba. “Folhas secas”, “Saco de feijão”, “O mundo é um moinho”, “O show tem que continuar”, “Vou festejar” e “Coisinha do pai”, que fecha o álbum e reúne todos os músicos participantes do projeto, são algumas das canções que compõem o repertório.
“Achei bonito que a tenham escolhido. Beth revelou diversos artistas que conheceu ao longo de sua trajetória, gente de um universo que não era o dela, mas que passou a ser a partir do momento em que atravessou a Zona Norte e foi ao encontro desses compositores nas rodas e escolas de samba”, diz Luana Carvalho, filha da homenageada.
No Sambabook, ela interpreta “Andança”, acompanhada pelos Golden Boys, que participaram da gravação original ao lado de Beth Carvalho, em 1968. O diretor-geral do projeto, Afonso Carvalho, e o diretor musical, Alceu Maia, sugeriram a cada artista convidado a música que iriam cantar, mas, neste caso, foi uma escolha da própria Luana.
Ela se permitiu indicar alguns nomes para o álbum. “Não é um projeto meu, então apenas sugeri um ou outro cantor que poderia fazer parte, uns nomes menos óbvios, no sentido de não serem sambistas”, diz.
“Versão triste”
Seu primeiro registro de “Andança” se deu um ano após a morte da mãe, como forma de homenagem – uma “versão triste”, conforme diz –, e por isso quis voltar agora a este marco inicial na trajetória de Beth Carvalho.
Ela considera que a história por trás da canção é um exemplo dos laços artísticos que sua mãe criava. Luana conta que Beth estava no banho quando Edmundo Souto e Danilo Caymmi chegaram em sua casa, no Leblon, querendo mostrar uma nova música. “Ela ouviu a melodia, ficou louca, saiu do banho molhada e ligou para o Paulinho Tapajós dizendo que ele tinha que fazer a letra. É uma música que nasceu carregada dessa coisa das relações, dos amigos”, comenta.
O aniversário de 80 anos de Leci Brandão, que também marca presença no “Sambabook Beth Carvalho”, defendendo “Samba de arerê”, coincidiu com sua participação no projeto, em setembro do ano passado. “Não me lembro se foi exatamente quando gravei, se foi um dia antes ou um depois. Cantaram parabéns para mim no estúdio”, recorda Leci. Ela diz ter ficado emocionada com o convite, porque conviveu com Beth Carvalho, que a apoiou no início da carreira.
“Ela era da (escola de samba) Mangueira também, me incentivou muito quando entrei para a ala de compositores. Beth gostava muito de mim, por causa do meu posicionamento político, com as letras que eu fazia voltadas para os direitos sociais da população negra, dos menos favorecidos”, conta. Além da Mangueira, Leci e Beth costumavam se encontrar no Teatro Opinião, onde ambas cantavam. “Nunca fui à casa dela, mas existia entre nós uma relação de respeito e amizade”, afirma.
Posicionamento político
Ela ressalta o importante papel que Beth Carvalho teve em fazer reverberar a obra de compositores como Cartola e Nelson Cavaquinho. “Eu ficava ligada nas músicas que ela gravava. Beth era da Zona Sul, tocava violão, era da turma da MPB e, de repente, foi descobrir grandes compositores nas escolas de samba, como Nelson Sargento. Ela gravou um samba meu, 'Quero sim', logo no início da minha carreira. Tinha um posicionamento político ativo. Isso são coisas que a gente não pode deixar de registrar.”
Filiada ao PCdoB, atualmente exercendo o cargo de deputada estadual por São Paulo, Leci diz que a participação no “Sambabook Beth Carvalho” foi uma bela oportunidade de se reaproximar de sua arte. “Não tenho gravado. Entrei para o Legislativo, coisa que nunca imaginei que fosse acontecer, e aí acabo, por falta de tempo, ficando mais afastada da música. Até por essa razão, o convite para um projeto como este me deixou muito feliz”, comenta.
FAIXA A FAIXA
Confira as músicas e os intérpretes do “Sambabook Beth Carvalho”
“Andança" - Luana Carvalho, Golden Boys
"A chuva cai" - Zeca Pagodinho
"Folhas secas" - Luedji Luna
"1800 colinas" - Xande de Pilares
"Saco de feijão" - Teresa Cristina
"Ainda é tempo pra ser feliz" - Seu Jorge, Maria Rita
"As rosas não falam" - Agnes Nunes
"O mundo é um moinho" - Fagner
"Pedaço de ilusão" - Jorge Aragão
"Goiabada cascão" - Zélia Duncan
"Malandro sou eu" - Diogo Nogueira
"Fogo de saudade" - Péricles
"Camarão que dorme a onda leva" - Lu Carvalho e Mosquito
"Sem ataque, sem defesa" - Arlindinho
"Saco de feijão" / "Corda no pescoço" / "Saudades da Guanabara" - Hamilton de Holanda, Nicolas Krassic, Gabriel Grossi, Marcelinho Moreira
"O show tem que continuar" - Sombrinha
"Doce refúgio" - Mumuzinho
"Samba de arerê" - Leci Brandão
"Água de chuva no mar" - Ferrugem
"Não quero saber mais dela" - Prettos
"Samba no quintal" - Grupo Fundo de Quintal
"Firme e forte" - Luciana Mello
"Vou festejar" - Paula Lima
"Nas veias do Brasil" - Marina Iris e Bateria da Mangueira
"Coisinha do pai" - Todos os artistas participantes
Bônus - Rildo Hora
“SAMBABOOK BETH CARVALHO”
• Musickeria
• 26 faixas
• Disponível a partir desta quinta (3/4) nas principais plataformas. Versão audiovisual no canal do Sambabook no YouTube