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Música

Sonya, ex-Quarteto em Cy, tem muitas histórias para cantar

'Da saudade boa', álbum da cantora Sonya, é homenagem afetiva ao cancioneiro da MPB. Por 58 anos, ela integrou quarteto vocal que marcou a música brasileira

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Integrante do grupo Quarteto em Cy por 58 anos, a cantora Sonya lança o álbum solo “Da saudade boa”, com músicas de Tom Jobim, Chico Buarque, Sueli Costa, João Donato, Sidney Miller e Ivan Lins, entre outros nomes de destaque da MPB.

Ela também gravou as inéditas “Dois Toms”, de Fernando Leporace e Celia Vaz; “Abertura dos portos”, de Zé da Lata e Espigão; e a faixa título, de Miltinho e Magro Waghabi, ambos do MPB4. Das 13 canções, onze contaram com arranjos de Luiz Cláudio Ramos, o maestro de Chico Buarque.

Sonya pensou em se aposentar de vez após o término do Quarteto em Cy, mas desistiu depois do convite de Luiz Cláudio, que fez arranjos para o grupo vocal por vários anos.

“Topei na hora, porque fazer um disco dirigido e arranjado por ele seria demais. Então, comecei a pedir composições aos amigos. O Miltinho do MPB4 me mandou 'Da saudade boa', dele com o Magro. A ideia é esta: a saudade boa de todo esse tempo da minha carreira”, resume.

Fã de carteirinha

A trajetória de Sonya se confunde com a história da própria MPB. “As meninas do Quarteto em Cy vieram para o Rio de Janeiro em 1964. Na época, eu era estudante de piano e professora. Achava o quarteto o máximo, com aquele vocal maravilhoso, era fã”, diz a cantora, que entrou para o grupo em 1967, há 58 anos.

Sonya iniciou sua carreira em 1965, no Teatro Opinião, no Rio de Janeiro, na peça “Liberdade, liberdade”, de Millôr Fernandes. “Houve um concurso e fui convidada por um colega de escola, o Marco Antônio Menezes, autor de 'Manhã de liberdade', música que defendi e venceu. Nem pensava em ser cantora profissional, embora fosse formada em piano e desse aulas. Aquilo mudou a minha vida”.

Depois disso, o Opinião teve a peça “Brasil pede passagem” censurada. “Então, resolveram fazer o show 'O samba pede passagem' e o dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho me convidou para participar. Formaram um grupo comigo, Marco Antônio, Luiz Carlos Sá, Sidney Miller e Paulo Thiago, que depois se tornou cineasta. Surgiu o grupo Mensagem, do qual eu era solista”.

O álbum de Sonya é, antes de tudo, afetivo. “Todas as pessoas que estão no disco têm tudo a ver com a minha vida. Do Luiz Carlos Sá gravei o 'Samba da Aurora', e de Sueli Costa, 'Vida de artista'. Conheci a Sueli nos anos 1970, era fantástica. Ela sempre ia aos saraus feitos em minha casa com Aldir Blanc e João Bosco.”

O contato com João Donato ocorreu em 1968, quando Sonya morou em Los Angeles com o Quarteto em Cy. “Nos Estados Unidos, convivíamos com Marcos Valle, Sérgio Mendes e o João, entre outros brasileiros”, relembra.

Com Donato e Bebeto

O repertório do álbum “Da saudade boa” tem muitas histórias. “No dia da gravação com Donato, ele se sentou ao piano e fez outro arranjo para 'Gaiolas abertas'. Gravamos ali mesmo”, conta, observando que o arranjo original era de Luiz Cláudio Ramos.

“Já 'Você vai ver', de Tom Jobim, seria gravada com Danilo Caymmi, mas ele se mudou para o Sul do país e ficou difícil. Aí, chamei o Bebeto Castilho, que era do Tamba Trio, realizando um sonho de fã. Tive a honra de gravar com ele”, comenta. “Infelizmente, Bebeto e Donato se foram antes de o CD ser lançado.”

Outra faixa que ela destaca é 'Ao amigo Tom', de Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle e Osmar Milito. “Milito participou do disco como pianista. Sempre gostei da gravação da Claudete Soares, que se apresentou com o quarteto por muitas vezes. Na gravação dela tem um vocal muito legal. Para fazê-lo, chamei o Quarteto do Rio”, conta, referindo-se ao ex-Os Cariocas.

Momento especial foi “Dois Toms”, de Celia Vaz, que também fez arranjos para o Quarteto em Cy. “Esta homenagem a Tom Jobim fala de suas grandes músicas”, observa. “Do Sidney Miller gravei 'O meu violão', lindamente tocada pelo Luiz Cláudio que é um superviolonista”, continua.

De Chico Buarque, “que praticamente lançou o Quarteto em Cy”, conforme a cantora, o disco traz “Outra noite”, parceria com Luiz Cláudio Ramos. “Consegui algo fantástico: fazer o Luiz Cláudio cantar comigo. Ficou um clima legal, melodia lindíssima de Luiz e letra linda do Chico.”

Resgate

A cantora cita canções de Sueli Costa, Abel Silva, Gilson Peranzzetta, Michel Legrand, George Gershwin e Martinho da Vila. “O Quarteto em Cy sempre participou do coro nos discos de Martinho”, relembra.

Sonya está feliz com o álbum. Trata-se do resgate de uma época, homenagem ao cancioneiro da MPB. “Agora é armar uma turnê para divulgar o disco”, avisa.

 
REPERTÓRIO

“Abertura dos portos”
De Zé da Lata e Espigão

“A minha valsa: Valse des lilás”
De Michel Legrand e Ronaldo Bastos

“Você vai ver”
De Tom Jobim e Ana Lontra Jobim

“Vida de artista”
De Sueli Costa e Abel Silva

“Someone to watch over me”
De George Gershwin e Ira Gershwin

“Samba da Aurora”
De Luis Carlos Sá

“Outra noite”
De Luiz Claudio Ramos e Chico Buarque

“Meu violão”
De Sidney Miller

“Dois Toms”
De Fernando Leporace e Celia Vaz

“Gaiolas abertas”
De João Donato e Martinho da Vila

“Doce rotina”
De Ivan Lins, Gilson Peranzzetta e Nelson Wellington

“Da saudade boa”
De Miltinho e Magro Waghabi

“Ao amigo Tom”
De Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle e Osmar Milito

 

Cantora Sonya na capa do disco Saudade da boa

Reprodução
 

“DA SAUDADE BOA”

• Disco de Sonya
• 13 faixas
• Disponível nas plataformas digitais

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