

O fenômeno popdigital transformando o marketing
Filmes, séries, games, memes e músicas moldam comportamentos e influenciam o consumo de forma poderosa, provocando mudanças nas estratégias de marketing
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A cultura popdigital tem se tornado uma força irresistível, capaz de criar identificação e emoção, estabelecendo um campo fértil para marcas que buscam se conectar de maneira mais profunda e autêntica com seus consumidores.
Marcas que sabem se conectar com a cultura pop conseguem relevância quase instantânea. Seja lançando uma coleção inspirada em um filme de sucesso, aproveitando um meme viral ou criando produtos que evocam a nostalgia, elas sabem capturar a atenção do público de maneira eficaz.
A Adidas criou uma linha de tênis inspirada em "Star Wars". Ao fazer essa conexão com os fãs da saga, a marca ativou um forte sentimento de pertencimento, resultando em um expressivo aumento nas vendas e evidenciando o impacto direto da cultura popdigital no marketing.
Essa estratégia não é exclusiva de empresas como a Adidas, que conseguem engajar os fãs de filmes e séries. Outras grandes marcas, como Nike e Puma, também sabem como transformar essas colaborações em verdadeiros eventos culturais, que vão além do produto em si, e geram uma experiência compartilhada.
O McDonald's, sempre atento aos movimentos culturais, fez isso de forma brilhante ao aproveitar a febre de Pokémon. A ação foi simples: cards colecionáveis inseridos no McLanche Feliz. A tática gerou tamanha demanda que muitos consumidores formaram longas filas, simplesmente para garantir o brinde. Sem precisar de grandes investimentos publicitários, o McDonald's transformou um fenômeno cultural em um estrondoso sucesso de vendas.
No universo dos games, um dos territórios mais valiosos para o marketing moderno, a Gucci decidiu entrar de cabeça no jogo. Ao abrir uma loja virtual dentro do Roblox, a marca de luxo não apenas vendeu versões digitais de suas bolsas, mas também viu esses itens digitais sendo revendidos por valores superiores aos dos físicos. Essa ação reflete uma nova fronteira do consumo, onde as marcas se conectam com o público digital em um espaço que vai muito além do mundo físico.
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A Nike, por exemplo, firmou uma parceria com o Fortnite e a Balenciaga, criando itens digitais exclusivos para o jogo. Jogadores podiam adquirir roupas e tênis virtuais para personalizar seus avatares, reforçando a presença das marcas na vida cotidiana do público jovem e digital. Essas parcerias estratégicas vão além da simples venda de produtos – elas constroem uma experiência imersiva e inovadora no universo dos games.
Na comunicação digital, os memes têm se tornado uma ferramenta poderosa, permitindo que marcas ampliem seu alcance de maneira orgânica e espontânea. A Netflix, com "Round 6" (Squid Game), demonstrou como um fenômeno viral pode ser um impulsionador de marketing muito eficaz, um novo formato de tática publicitária. A série conquistou o mundo não por conta de uma grande promoção, mas graças à viralização orgânica nas redes sociais, que gerou um boca a boca digital imbatível.
Outro exemplo notável foi o da rede de fast food Popeyes, que se aproveitou de um simples debate no Twitter sobre o melhor sanduíche de frango. A repercussão foi tão grande que muitos dos itens acabaram em estoque rapidamente, sem que a marca precisasse investir pesadamente em publicidade. Quando uma marca se insere com naturalidade nas conversas da internet, o engajamento surge de forma autêntica, e os resultados aparecem rapidamente.
Dentro desse universo digital, surgem também os fandoms, ou comunidades de fãs extremamente leais, que têm um grande poder sobre o sucesso de marcas e produtos.
A loja da Lego na 5ª Avenida, em Nova York, é um grande exemplo do poder da cultura popdigital no marketing. A marca investe pesadamente em edições especiais de “Star Wars”, criando peças que se tornam itens de coleção altamente valorizados pelos fãs. Mais do que vender brinquedos, a Lego transforma a compra em uma experiência imersiva, onde nostalgia e criatividade se encontram.
No mundo da música, Taylor Swift é um exemplo de como a conexão com os fãs pode ser transformadora para uma marca. Com uma legião de seguidores apaixonados, ela os transformou em verdadeiros embaixadores, mobilizando milhões de pessoas para promover seus lançamentos e impulsionar seus números de streaming. Esse vínculo ultrapassa a simples promoção de produtos e se torna um relacionamento autêntico e duradouro.
O universo popdigital oferece uma maneira mais rápida e eficiente para as marcas se conectarem emocionalmente com o público. Por meio de parcerias estratégicas, ações em games, memes e comunidades engajadas, as marcas criam experiências que se tornam memoráveis.
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Empresas que entendem essa dinâmica não apenas aumentam suas vendas – elas fortalecem sua relevância no mercado, criando experiências que ultrapassam as barreiras do consumo convencional.
No jogo do marketing, estar inserido na cultura popdigital não é mais uma opção, mas uma necessidade.
Gosto muito do pensamento de Henry Jenkins quando ele diz: “A cultura participativa transforma consumidores passivos em produtores ativos.” Esse conceito traduz a grande mudança no marketing atual, onde o consumidor não apenas compra, mas também cria, interage e compartilha, tornando-se parte ativa da experiência da marca.