

Um convite ao pensamento
Somos atravessados pelo desejo, fantasias e pulsões com variáveis objetivos e objetos. A singularidade deve ser respeitada
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A declaração homofóbica de Trump de que na América só existe homem e mulher é absurda, entretanto, encontra eco. O avanço da extrema direita é o avanço do retrocesso. Ele esquece a história de seu país.
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Em Nova York, teve início o primeiro movimento que deu origem ao orgulho gay. Stonewall era o nome do bar que, em 1969, representou o enfrentamento do medo, a tomada da palavra pelos homossexuais, até então, sujeitos a batidas, prisões arbitrárias e violência policial.
29 de junho aconteceu, no epicentro da revolução sexual dos anos 1960, quando a palavra de ordem era liberdade. A palavra gay, em inglês, quer dizer alegria, e foi ali que os homossexuais deram um basta na vergonha, humilhação, tristeza e conquistaram seu direito a uma existência digna, um lugar social.
Somos, cada um de nós, únicos. As pessoas lutam contra si mesmas e até adoecem quando não podem assumir seus desejos e sair do armário, digo em amplo sentido, não apenas no campo da sexualidade. Muitas vezes, não queremos o que desejamos.
Portanto, ao estabelecer que só há homens e mulheres, o pretensioso presidente Trump nega as subjetividades. Queira ou não, diante da escolha do outro somos impotentes, é impossível fazer desejar, o real não se dobra a um dito. O desejo não se verga às vontades.
As infinitas possibilidades de gozo contemporâneas extrapolam limites do biológico. Vão além por sermos corpos de desejo. Nem a ciência com as possibilidades de adequar o corpo ao desejo com intervenções cirúrgicas alcança total harmonia. Porque é próprio do desejo ser falta.
Aprendemos com Freud e Lacan que a sexualidade humana não é previsível, nem predeterminada. Diferentes dos animais, somos atravessados não pelo instinto, que dita o que fazer e como agir, mas pelo desejo, fantasias e pulsões com variáveis objetivos e objetos. A singularidade deve ser respeitada.
Trabalhamos pelo respeito ao sujeito e ao desejo, o possível, não submetido à pulsão de morte. O preconceito, a homofobia jamais conseguirão reverter esse processo e afastar o homem da bissexualidade, que, desde 1905, foi anunciada por Freud como parte da condição humana e nos obriga à escolha forçada, conforme o desejo.
Por isso apresento ao leitor interessado um espaço possível para esta discussão. Psicanálise: Clínica e sexualidade na contemporaneidade, sob coordenação das doutoras Ilka Ferrari e Inês Seabra, excelente corpo docente, oferecido a partir da constatação da importância da problemática da sexualidade e do desejo de uma discussão aprofundada, em um espaço onde debates éticos e reflexões clínicas favoreçam o aprimoramento profissional, à luz da psicanálise.
Organizado em módulos: O corpo erógeno, A questão do gênero, Processos segregatórios, A sexualidade nos modos de vida neuróticos, Psicóticos e perversos, As novas parcerias amorosas e A sexualidade nas artes.
Contempla casos clínicos e seminários sobre temas extraídos no campo da psicanálise em extensão e intenção, a exemplo do suicídio, da toxicomania, das novas configurações familiares, da vida sexuada atravessada pelo discurso da ciência.
Um convite a aprofundar e formalizar questões relativas ao tema da sexualidade, a articulação entre a teoria e a prática, em interlocução com outros campos do conhecimento de distintas áreas, implicados nos acontecimentos da civilização, permeada pelo mal-estar que atravessa a existência da vida sexuada.
A pós-graduação, on-line ao vivo, em abril próximo, é oferecida pela Pontifícia Universidade Católica (PUC). Aos interessados basta acessar o site e realizar sua inscrição. Até lá!