Patrícia Espírito Santo
Patrícia Espírito Santo

De que lado estou?

"O que é para poucos não é democrático, transforma o mundo em bolhas que ficam batendo umas nas outras"

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Me irrita profundamente ouvir frases que desqualificam o brasileiro. “Aqui só tem vagabundo”, “o povo só pensa em tirar vantagem”, “todo político é ladrão”. Não precisa listar mais expressões pois nenhuma delas será inédita e muito menos desconhecida. A quem sendo brasileiro as repete, se esquecendo que em uma democracia não existem cidadãos de segunda classe, me dirijo hoje. Isso aqui é “um pouco de uma raça que não tem medo de fumaça e não se entrega, não!", bem diz Ary Barroso.

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Uma fala encontrada no texto do livro de Apocalipse/Novo Testamento atribuída a Jesus faz uma repreenda severa a quem escolhe não se comprometer nem se envolver com demandas que pedem um posicionamento claro e decisões conscientes. “(…) porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”. (Ap 3:16)


Aos indecisos, a Divina Comédia de Dante Alighieri reserva uma ante-sala que os impede tanto de entrar no céu como no inferno. Ninguém quer os neutros, que por covardia ou conveniência, não tomam partido e culpam os outros por suas próprias inoperâncias.


Nada de voto morno; se decida, escolha um lado e o fiscalize, não se omita, aja e cobre dele ações responsáveis. Pois colocar sobre a escolha dos outros a culpa de seu fracasso, cobra um preço ainda maior. E quem paga são todos.


Digo isso porque o que quero é para todos e não apenas para mim. O que é para poucos não é democrático, transforma o mundo em bolhas que ficam batendo umas nas outras. Bolhas são locais fechados que passam a vida temendo ser perfurados e o serão de maneira violenta. “Eu sou porque nós somos”, diz uma filosofia africana. Só sobrevivo se o outro também sobreviver.

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Se quero vida, sou representada por alguém que pensa no todo, no social, nos vulneráveis. Não voto em candidatos da direita, voto em mulheres, sejam elas cis ou trans; voto em quem reconhece nossas origens, sejam elas indígenas, pretas ou imigrantes. Voto em quem reconhece o valor de todos os credos, quem valoriza a diversidade, a justiça, a igualdade social, de direitos e deveres. Não ao ódio e ao autoritarismo.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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