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Patrícia Espírito Santo
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Precisamos falar sobre isto

"Refúgio para os corpos, que ainda sofrem fome, falta de trabalho e dores difíceis de serem curadas"

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O leste da República Democrática do Congo (RDC) vive uma guerra civil há décadas. Disputas étnicas, políticas e por território impedem que a população sonhe com a paz. Os recursos minerais que a terra oferece beneficiam estados, multinacionais e rebeldes, ficando o cidadão comum no meio de um cerco sangrento. É ele a maior vítima e também quem mais perde.


Trato disso em meu livro “Há um lugar para mim na casa do meu pai”, da Autêntica Editora, que traz histórias de vida de refugiados da RDC e países vizinhos que perderam tudo violentamente e foram obrigados a se deslocar a pé até encontrar refúgio bem longe. Refúgio para os corpos, que ainda sofrem fome, falta de trabalho e dores difíceis de serem curadas. Paz? Estão sempre com medo.


Nos meus planos, estava visitar o Congo no segundo semestre deste ano. Ver de perto as rotas usadas pelos que me contaram suas sagas e ouvir as histórias daqueles que ainda não conseguiram fugir das perseguições, assim como as dos que conseguem manter a perspectiva de futuro promissor sem precisar sair de suas casas.


Terei que refazer meus planos. Rebeldes do M23 tomaram Goma e estão a caminho de Bucavu, exatamente onde ficavam as pessoas com quem eu planejava me alojar. A ONG Fraternidade Sem Fronteiras tem lá um orfanato com 400 crianças que tinham perdido toda a família e se viravam sozinhas à espera do que lhes pudesse acontecer. Foram resgatadas logo após suas aldeias terem sido atacadas por rebeldes e há meses estavam se acostumando a um novo lar, uma nova e enorme família.


Na última semana, tiveram que fugir novamente, antes que sofressem um novo ataque. Cruzaram a fronteira e chegaram ao Burundi, país vizinho que, em 1994, também viveu violentos conflitos étnicos e contabilizou milhares de mortos e nativos buscando refúgio em outros países.


Nos últimos dias, nossas crianças seguiram em carros por horas temendo o fogo cruzado. Mas chegaram bem graças a ajuda de uma rede de pessoas que, mesmo nunca tendo pisado lá, reconhece que o que se passa do outro lado do mundo diz respeito a todos nós. Para saber mais sobre essa grande operação de resgate, visite @fraternidadesemfronteiras.

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