Zema adia saída para não ser tachado de "fujão"
Setores do governo defendiam que Zema deixasse o posto no início deste ano, permitindo que o vice, Mateus Simões (PSD) assumisse logo
Mais lidas
compartilhe
SIGA NO
Estão divulgando que o governador Zema teria agendado o próximo dia 22 de março para deixar o cargo, após sete anos e 81 dias, e dedicar-se à sua pré-campanha presidencial. Ou seja, 13 dias antes do prazo oficial da desincompatibilização, que é 4 de abril, para quem está em cargo público e deseja buscar outro nas eleições deste ano.
A antecipação já foi maior. Setores do governo defendiam que Zema deixasse o posto no início deste ano, permitindo que o vice, Mateus Simões (PSD), que é pré-candidato a governador, assumisse logo. A intenção fortaleceria Simões sob a convicção de que os plenos poderes favoreceriam ainda mais suas pretensões eleitorais.
Tudo somado, Zema e esse grupo recuaram para evitar que o governador fosse acusado de fugir, abandonar o estado e seus inúmeros problemas. E mais, começaria mal a corrida presidencial com o estigma de “fujão”. A nova data, por ser exclusiva, pode trazer mídia gratuita ao governador, porém, sem efeito prático para seu vice.
Teto de gastos travado
Além do projeto que federaliza imóveis do estado, ou a privatização deles, o governo Zema tem outro desafio na Assembleia Legislativa na aprovação final do Propag. É o projeto que estabelece o teto de gastos no estado. A polêmica está no fato de que a medida impõe limites de despesas para o Executivo e os outros poderes, o Legislativo e o Judiciário. O tema foi adiado consecutivamente. Inicialmente, chegou-se à conclusão de que não seria necessário para a adesão de Minas ao Propag, o novo programa de renegociação da dívida de Minas com a União. Agora, o entendimento é de que o governo federal irá cobrar a aprovação da matéria, devolvendo a saia justa à Assembleia Legislativa. A iniciativa é tida como antipática por definir o controle de gastos de outros poderes, afetando a independência de cada um.
Caiado impulsiona vídeos
Para superar os baixos índices nas intenções de votos de sua pré-candidatura presidencial, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), está impulsionando sete vídeos curtos sobre sua gestão. A maioria deles foca a atuação na segurança pública, setor no qual é bem avaliado, e o rival, o PT do presidente Lula, segundo ele, é reprovado. Em um deles, o mais forte, a bandeira brasileira é alvo de tiros disparados pelo crime organizado, causador da alta mortalidade de brasileiros. “E o PT, em quase 20 anos no poder, não fez e não faz absolutamente nada para estancar essa tragédia”, diz, convocando o eleitor a aderir a seu projeto. No vídeo, Caiado afirma que, mesmo com orçamento menor, fez de Goiás o estado mais seguro do Brasil. “Se o PT não consegue enfrentar os bandidos, tem quem consiga”.
Quem manda na direita?
O professor e cientista político da UFMG Leonardo Avritzer avalia que o crescimento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) sinaliza que o voto da direita é do bolsonarismo. “O grande eleitor da direita é o Bolsonaro e não o Centrão”, diz, referindo-se aos partidos de direita que detêm o controle do Congresso Nacional e que apoiam a pré-candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo. Autor do livro “O Golpe bateu na trave”, adverte que, como no futebol, ao bater no travessão, a bola voltou para o jogo. Ou seja, os riscos ainda estão na área.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
