
Esforço para reaquecer a economia em desaceleração
Mas todo o quadro favorável de 2024 não deve se repetir neste ano, com as projeções indicando um crescimento econômico esperado na casa de 2%, ou até menos
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Despejar dinheiro na economia para estimular o crescimento do PIB parece ser a velha fórmula do governo reaquecer a atividade econômica em momentos de desaceleração. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga hoje o PIB de 2024, com as projeções apontando para uma alta um pouco acima ou um pouco abaixo de 3,5%, o que corresponderá a um percentual maior do que em 2023 (3,2%) e do que em 2022 (3%). E muito acima do que privam os economistas e analistas do mercado financeiro em janeiro do ano passado: apenas 1,59%.
O avanço da economia no ano passado foi puxado pelo consumo das famílias e pelos investimentos. No primeiro caso o fato de o mercado de trabalho brasileiro estar aquecido, registrando a menor taxa de desocupação desde 2012 e com os salários registrando ganho real de 3,7% com a massa salarial chegando a R$ 328,6 bilhões, ou R$ 20,1 bilhões acima do verificado em 2023. Dinheiro que, junto com o crédito, alavancou o consumo das famílias. A atividade aquecida estimulou os investimentos, com a taxa de investimento chegando a 17,6% do PIB.
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Mas todo o quadro favorável de 2024 não deve se repetir neste ano, com as projeções indicando um crescimento econômico esperado na casa de 2%, ou até menos a depender do impacto da guerra comercial desenhada pelo governo Donald Trump. O esforço da equipe econômica neste início de ano parece repetir o passado, com medidas para despejar dinheiro na economia, como o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) dos trabalhadores que optaram pelo saque-aniversário e foram demitidos sem justa causa nos últimos dois anos.
A liberação desses recursos começou a ser feita ontem e a expectativa é de que 12,1 milhões de trabalhadores tenham direito a R$ 12 bilhões. Além disso, o governo deve editar nos próximos dias a medida provisória do crédito consignado do setor privado. A expectativa é de que a medida viabilize a liberação de crédito por bancos privados e fintechs para 40 milhões de brasileiros assalariados que terão acesso a crédito com taxas de juros mais baixas a partir da competição entre as instituições. Para se ter ideia do impacto que a medida pode ter, hoje há 13 milhões de pessoas no consignado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que movimenta R$ 600 bilhões em crédito.
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O governo não divulga estimativas, mas com o número de usuários sendo multiplicado por três vezes a expectativa é de que o crédito cresça nessa ordem, mas é preciso lembrar que num primeiro momento o que deve haver é a migração de dívidas com juros mais altos para o crédito com taxas mais baixas, o que não vai representar dinheiro novo na economia. O governo quer aprovar ainda este ano as mudanças no Imposto de Renda da Pessoa Física, com a isenção de quem recebe até R$ 5 mil, o que deve gerar um impacto da ordem de R$ 35 bilhões. Essa medida, no entanto, só terá efeito prático em 2026.
Todo esse esforço, no entanto, pode esbarrar no efeito inflacionário que embutem. Aumento do consumo com oferta limitada gera inflação, o que vai obrigar o Banco Central a manter os juros elevados por mais tempo, ou até mesmo realizar novo aumento da Selic. Hoje a taxa está em 13,25%, mas o mercado financeiro projeta que ele aumente para 15% ainda este ano. Já a inflação deve ficar em 5,65% nas projeções dos economistas e analistas ouvidos pelo Banco Central, percentual muito acima da meta inflacionária para o ano de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. Traduzindo, os juros altos podem representar uma trava no crescimento econômico mesmo com tanto dinheiro despejado na economia.
Tecnologia
R$ 13 bilhões é o valor aproximado dos aportes feitos no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico para financiar inovação e desenvolvimento científico e tecnológico em 2024. Aumento de R$ 10 bilhões em relação a 2023
Reciclando óleo
O programa Óleo Amigo, da JBS, recolheu 11 milhões de litros de óleo de cozinha usados em 2024 para a produção de biocombustível, o que representa um crescimento de 154% em relação ao ano anterior. Segundo a empresa, em oito anos de existência do programa foram coletados 36 milhões de litros, com a economia de 900 bilhões de litros de água, o suficiente para abastecer a cidade de São Paulo por cerca de um ano e oito meses.
Páscoa cara
Os brasileiros vão pagar mais caro pelos ovos de Páscoa neste ano com o expressivo aumento do cacau, que chegou a ter picos de 300% em 2024 e fechou os 12 meses do ano passado com alta de 189%. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria da Alimentação (Abia). Uma prévia dos aumentos foi dada pelo Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), que mostrou que o preço do chocolate subiu 11,99% no ano passado.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.