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Marcílio de Moraes
Marcílio De Moraes
Jornalista formado pela PUC Minas em 1988, com passagem pelos jornais Diário do Comércio e O Tempo. Trabalhou em coberturas de leilões de privatização e em feiras internacionais
Bra$il em foco

Inflação e juros são as dores de cabeça para depois do carnaval

Para lidar com os aumentos de preços, os consumidores têm deixado de consumir ou trocado de itens, além de fazer comparações de preços

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No Brasil há uma máxima que diz que o ano começa de fato depois do carnaval. Mas em 2025 ele já começou bem antes e com uma dor de cabeça bem conhecida dos brasileiros: a inflação. Nada comparado ao que se viveu nos anos 1980, mas o avanço dos preços preocupa.

 

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, saltou de 0,11% para 1,23% em fevereiro, quase o dobro do verificado em igual mês de 2024 (0,78%). Em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 4,96%, ficando acima da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A alta é comum no segundo mês do ano, com impacto dos reajustes da energia elétrica, que impactam o grupo Habitação, e da educação, com os gastos do início do ano letivo.



O resultado ficou abaixo das projeções do mercado, muito provavelmente pela desaceleração do grupo alimentos. A alimentação no domicílio, que registrou alta de 1,10% em janeiro, caiu para 0,63% em fevereiro, enquanto a alimentação fora de casa subiu 0,56% este mês, contra um aumento de 0,93% no mês passado. Apesar da desaceleração, os aumentos estão sendo percebidos pelos brasileiros, que acreditam que os reajustes de preços vão continuar nos próximos meses, conforme mostra levantamento feito pelo Reclame Aqui ouvindo mais de 4 mil consumidores entre os dias 11 e 12 de fevereiro.

 

 



A pesquisa mostra que 83,78% acreditam que os preços vão continuar subindo nos próximos meses, indicando que a inflação é um problema que vai perdurar no dia a dia dos brasileiros. A percepção dos brasileiros é de que tudo aumento de preço, mas, de acordo com a pesquisa, alguns itens puxam a lista na avaliação dos entrevistados quando indagados sobre as maiores altas: café (83,46%); carnes (82,02%); óleos e azeites (67,52%); hortifruti (frutas, legumes e verduras) (55,86%); grãos (arroz, feijão, etc.) (51,18%); laticínios (leite, queijo, iogurtes…) (49,52%); e ovos (34,47%). Material de limpeza e higiene pessoal também foram mencionados.



Para lidar com os aumentos de preços, os consumidores têm deixado de consumir ou trocado itens, além de fazer comparações de preços. A pesquisa mostra que o maior impacto para os entrevistados é deixar de consumir alguns alimentos de forma definitiva (28.23%) ou a diminuição da compra de muitos produtos (27,35%) e troca de marcas tradicionais por opções mais baratas (22,02%). Além disso, outras opções têm sido deixar de viver momentos de lazer, reduzir as idas ao supermercado – escolhendo dias com promoções – e redirecionando recursos que seriam gastos por exemplo com cuidados pessoais para complementar o dispêndio com alimentação.



Arrocho

 



Mas não é só com os aumentos de preço que os consumidores brasileiros terão que se preocupar. Com a inflação em alta, não resta outra opção para o Banco Central a não ser elevar a taxa básica de juros, hoje em 13.25%, encarecendo os empréstimos e os encargos das dívidas. Economista da Coface para América Latina, Patrícia Krause alerta para a persistência de uma inflação elevada, com projeções de 5,6% ao final do ano – muito acima do teto de 4,5%. Em resposta, o Banco Central tem mantido uma postura restritiva, com a última alta prevista dos juros para 14,25% em março e expectativas de fechamento do ano em torno de 15%, possivelmente alcançando 15,25% antes de iniciar uma redução.

 



“No segundo trimestre, deve ficar mais visível a questão do aperto de juros que foi retomada pelo Banco Central em setembro do ano passado”, disse a economista referindo-se ao crescimento da economia. Para ela, após dois anos de surpresas positivas, a economia brasileira deve perder força em 2025. A projeção da Coface é que o crescimento do PIB deve desacelerar de 3,5% em 2024 para 2% neste ano. “Os desafios advindos do aperto monetário e das incertezas fiscais serão determinantes para a trajetória de 2025. Avanços na política fiscal e na estabilidade macroeconômica serão essenciais para restaurar a confiança dos agentes econômicos e possibilitar um crescimento sustentável no médio prazo”, acrescenta a economista da Coface.



Festa de momo

R$ 12,03 bilhões é quanto os dias de carnaval devem movimentar na economia do país, segundo levantamento da CNC, com alta de 2,1% sobre igual período de 2024.



Moradias

 



Com base no Censo de Educação Superior de 2023, a Uliving, especializada em moradias estudantis, estima que, este ano, cerca de 1,4 milhão de estudantes matriculados em cursos presenciais podem precisar de moradias fora das suas cidades de origem, representando 30% dos estudantes que precisam estudar fora. Em janeiro, segundo a Uliving, há um aumento de 250% na procura por habitação, após a lista dos vestibulares.



Tecnologia

 

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O criador da banda larga, Henry Samueli, será agraciado com a Medalha de Honra IEEE 2025. Ele receberá um prêmio de US$ 2 milhões. O Instituto de Engenheiros Eletrônicos e Elétricos (IEEE) é a maior organização profissional técnica do mundo dedicada ao avanço da tecnologia para o benefício da humanidade. A entidade reúne engenheiros de diversas áreas no Brasil, com engenharia elétrica, biomédica e eletrônica, entre outras.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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