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Luiz Carlos Azedo
Entre Linhas

Licença repentina de Eduardo Bolsonaro surpreende a Câmara

Em vídeo, o filho do ex-presidente alegou que está sendo perseguido pelo ministro Alexandre de Moraes e anunciou que pedirá anistia ao governo dos EUA

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Estava praticamente tudo certo: o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados seria o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), indicado pelo líder de seu partido, Sóstenes Cavalcante (RJ). Pelo critério da proporcionalidade entre as bancadas, cabe à legenda com maior número de deputados, no caso o PL, escolher primeiro as comissões que pretende a dirigir. Entretanto, de última hora, Eduardo Bolsonaro se licenciou do mandato, anunciou que pretende pedir asilo aos Estados Unidos, onde se encontra, e indicou o líder da oposição na Câmara, deputado Zucco (PL-RS), para o seu lugar na comissão.

 


Tudo isso ocorreu depois da manifestação de domingo, em Copacabana, em protesto contra a condenação dos envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro, convocada pelo pastor Silas Malafaia e o ex-presidente Bolsonaro, que reuniu ainda os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (PR); Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), Mato Grosso, Mauro Mendes (União);  e Santa Catarina, Jorginho Mello (PL). Tarcísio defendeu anistia dos vândalos da Praça dos Três Poderes e criticou a inelegibilidade de Bolsonaro.

 



Nos bastidores de Brasília, comenta-se que a decisão de substituir Eduardo Bolsonaro por Zucco foi tomada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para não aumentar o estresse com o Supremo Tribunal Federal (STF), o que ele nega. Eduardo já fez várias viagens aos EUA para fazer pressão contra o Judiciário brasileiro junto às autoridades norte-americanas, o que levou o líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), e seu colega de bancada Rogério Correia (PT-MG) a pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) que apreendesse o seu passaporte. Nesta terça-feira, o pedido foi negado pela Procuradoria Geral da República (PGR). 

 


Entretanto, em vídeo publicado nas redes, Eduardo alegou que está sendo perseguido pelo ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro. “Tornei-me deputado para representar o povo paulista no melhor interesse da minha nação. O que o ministro do Supremo Tribunal Federal e seus cúmplices estão tentando fazer é usar justamente o meu mandato como cabresto, como ferramenta de chantagem e coação do regime de exceção. Como instrumento para me prender e impedir que eu represente os melhores interesses para o meu país”, disse.

 



“Da mesma forma que assumi o mandato parlamentar para representar a minha nação, eu abdico temporariamente dele para seguir bem representando esses milhões de irmãos de pátria que me incumbiram dessa nobre missão”, completou. O parlamentar refere-se às articulações que  já vinha fazendo junto aos republicanos nos Estados Unidos, principalmente na Comissão de Relações Exteriores da Câmara de Deputados. Eduardo articulou inclusive medidas de retaliação a Moraes.


Inelegibilidade


O gesto de Eduardo pegou de surpresa os seus colegas de bancada, pois é um nome cotado para ser candidato ao Senado por São Paulo, em 2026, ou mesmo substituir o pai na disputa pela Presidência. Jair Bolsonaro (PL) se emocionou ao falar sobre a permanência de seu filho nos Estados Unidos, na solenidade que inaugurou uma exposição sobre o Holocausto no Senado Federal, em Brasília. Com voz embargada, disse: “hoje está sendo um dia marcante para mim. O afastamento de um filho. Mais um filho que se afasta mais do que por um momento de patriotismo. Um filho que se afasta para combater algo como o nazifascismo que se coloca no nosso país.”

O ex-presidente se queixou de que teve seu passaporte apreendido por ordem da Justiça, o que o teria impedido, segundo ele, de ir a Israel e aos Estados Unidos, inclusive para participar da posse de Donald Trump (Republicanos). “Tenho convicção de que ele (Trump) continuará abraçando meu filho”, disse o ex-presidente, ao citar a menção feita pelo presidente norte-americano a Eduardo Bolsonaro, durante evento conservador no mês passado. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o filho mais velho do ex-presidente, o senador Eduardo Bolsonaro (PL-RJ), participaram da solenidade, que contou com a presença do embaixador de Israel, Daniel Zonshine.

 



Bolsonaro apostava na mobilização popular para levar o Congresso a derrubar sua inelegibilidade e anistiar todos os condenados por envolvimento na tentativa de golpe de Estado. A estratégia fracassou por dois motivos: primeiro, porque há um certo cansaço com a radicalização política até entre os eleitores de direita; segundo, porque os aliados do Centrão preferem vê-lo fora disputa de 2026, principalmente os que desejam que o governador Tarcísio de Freitas seja candidato ou já apoiam os governadores de Minas, Romeu Zema (Novo); de Goiás, Ronaldo Caiado (União); e do Paraná, Ratinho Junior (PSD).

Entretanto, Bolsonaro não se dá por vencido. Mantém-se ativo com o pré-candidato a presidente da República, mesmo estando inelegível. Como a legislação eleitoral prevê que a inelegibilidade somente seja levada em conta no momento de registro de candidatura, esse interregno permite que faça campanha pela anistia e se mantenha nas ruas, para somente ser substituído como candidato já em pleno processo eleitoral.

 

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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