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Luiz Carlos Azedo
ENTRE LINHAS

Rejeição de Lula alavanca candidatura de Tarcísio

Avaliação do governo Lula contrasta fortemente com a dos governadores pesquisados pela Genial/Quaest, que estão com 60% de aprovação em média

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Engana-se quem vê o ex-presidente Jair Bolsonaro como a sombra que ofusca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O maior concorrente do petista é o Lula do segundo mandato. Esse é o preço de uma campanha eleitoral para voltar ao poder sem um programa de metas de acordo com a nova realidade e calcado no resgate de sua gestão anterior. A “reconstrução” do slogan do governo, em tese uma crítica ao desmonte das políticas sociais pelo governo Bolsonaro, tem como mensagem subliminar exatamente isso, a volta ao passado de 2010, o que impossível 15 anos depois.

 


Lula está na situação do Príncipe que já não pode contar com a Fortuna, um contexto histórico favorável, e depende apenas de suas próprias virtudes para se manter no poder, como diria o velho e indispensável Nicolau Maquiavel. A conjuntura é completamente adversa, esgotou-se a possibilidade de navegar num ambiente econômico de expansão da globalização e de mudanças demográficas favoráveis (a ampliação do número de pessoas com renda própria nas famílias). Mas ainda há a soberba reinante na “jaula de cristal “do Palácio do Planalto: “tem gente que só vem aqui pra nos ensinar a governar.”

 


A avaliação do governo Lula, que está com rejeição de 41% e 24% de aprovação (Datafolha), contrasta fortemente com a dos governadores dos estados pesquisados pela Genial/Quaest, entre 19 e 23 de fevereiro, que estão com 60% de aprovação em média. Alguns deles são candidatos declarados às eleições presidenciais de 2026. São os casos do governador de Minas, Romeu Zema (Novo); de Goiás, Ronaldo Caiado (União); e do Paraná, Ratinho Junior (PSD), todos em segundo mandato. Eduardo Leite (PSDB) perdeu o bonde e deve se candidatar ao Senado.

 

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Ronaldo Caiado obteve os melhores números da pesquisa. Seu governo é aprovado por 86% dos entrevistados, enquanto apenas 9% desaprovam sua gestão. Mais antigo adversário de Lula nas eleições de 2026, pois também concorreu à Presidência em 1989, a candidatura de Caiado é irreversível. Com o agronegócio, do qual o governador goiano é um líder histórico, seu estado se tornou um eixo dinâmico da economia do sertão. Caiado tem 74% de avaliações positivas, contra 17% de regulares e 4% de negativas.
No Paraná, Ratinho Júnior também tem ampla aceitação, com 81% de aprovação e apenas 14% de rejeição. Na avaliação qualitativa de desempenho, Ratinho Júnior aparece com 65% de avaliações positivas, 24% de regulares e 6% de negativas. É candidato à Presidência pelo PSD, apesar das resistências do seu chefe político, Gilberto Kassab, que lhe promete a legenda, mas não o apoio unificado do partido.

 

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O governador Romeu Zema é outro adversário de Lula em 2026. No segundo colégio eleitoral do país, aparece com 62% de aprovação. A desaprovação está em 30%. Na avaliação qualitativa, Zema apresenta um quadro semelhante, com 41% de avaliações positivas, 37% regulares e 14% negativas. Apesar de estar no segundo mandato, o governador mineiro manteve um perfil de candidato antissistema, com narrativas disruptivas em relação à política tradicional. Veste o figurino do mineiro do interior, que tem como maior sofisticação a simplicidade nata e carrega nos diminutivos.

 

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Mas o fantasma que ronda o Palácio do Planalto é a candidatura de Tarcísio de Freitas, que tem 61% de aprovação. A desaprovação do governador paulista é de apenas 28%. Na avaliação qualitativa, Tarcísio tem 41% de avaliações positivas, 34% de regulares e 14% de negativas. Seu chefe da Casa Civil, Kassab defende sua candidatura à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, mas as pressões da elite paulista, principalmente do agronegócio e do mercado financeiro, a chamada Faria Lima, é para que concorra à Presidência. A queda de popularidade de Lula alavanca essa candidatura. Se Lula não concorrer à reeleição, a pressão aí será irresistível.


Ontem, Lula e Tarcísio estiveram juntos no lançamento da obra do túnel submerso Santos-Guarujá e trocaram elogios recíprocos à convivência administrativa. Alguns fatores levam Tarcísio a priorizar a reeleição ao governo paulista: a possibilidade de vencer já no primeiro turno, um governo com recursos bilionários para investimentos no seu segundo mandato e o risco de cair do cavalo, como ocorreu com outros governadores paulistas: Orestes Quércia (MDB), José Serra e Geraldo Alckmin (PSDB). O caso de João Doria (PSDB) é um ponto fora da curva; remover sua candidatura foi um surto suicida dos tucanos paulistas.


Nada disso, porém, é o verdadeiro obstáculo à candidatura de Tarcísio. O que realmente a impede é a dificuldade de remover os demais concorrentes e unificar o centro político contra Lula. Nesse cenário de dispersão, o ex-presidente Jair Bolsonaro pode levar seu filho, deputado Eduardo Bolsonaro, ao segundo turno. Por essa razão, as forças que apoiaram a reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB) trabalham para reproduzir seu arco de alianças em nível nacional e regional. Como? Com Nunes candidato ao Palácio dos Bandeirantes e a entrega da prefeitura ao vice, coronel da Polícia Militar paulista Mello Araujo, homem de Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro seria candidato ao Senado e Tarcísio disputaria a Presidência com apoio de Bolsonaro.

 

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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