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Luiz Carlos Azedo
ENTRE LINHAS

Brasil na Opep sinaliza mais carbono e menos energia limpa

Com a decisão de explorar petróleo até a última gota, o país abdica de ser um líder da nova economia descarbonizada

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O Brasil aderiu à Carta de Cooperação entre Países Produtores de Petróleo (CoC), um fórum de discussão ligado à Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep). A decisão sinaliza uma mudança de rumo na política ambiental do governo, às vésperas da Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP 30), em Belém (PA), ao lado da controversa decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de explorar o petróleo na região da Margem Equatorial, na bacia da foz do Amazonas.

 



Com as bênçãos de Lula, a decisão foi tomada nesta terça-feira pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e anunciada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, enquanto a ministra do Meio Ambiente (Rede), Marina Silva, muito pressionada por seu próprio partido e pelas organizações e lideranças ambientalistas, ainda permanece numa espécie de “silêncio obsequioso”.

 

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Silveira minimizou as críticas de ambientalistas sobre a entrada do país no grupo. “É apenas uma carta e fórum de discussão de estratégias dos países produtores de petróleo. Não devemos nos envergonhar de sermos produtores de petróleo”, argumenta. O governo também anunciou a intenção de aderir à Agência Internacional de Energia (EIA, em inglês) e à Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, em inglês).



A entrada na Opep + sinaliza um projeto de desenvolvimento assentado na economia do carbono pelo espaço de mais ou menos uma geração, com eixo da Região Norte do país, para onde se deslocou a Vale, já faz tempo, outra empresa de grande porte e atividade altamente agressiva ao meio ambiente: a mineração. Indústrias primárias e altamente poluentes sempre foram atrativas para estados carentes de investimento. Para políticos, empresários e a população de baixa renda da Amazônia, essas atividades são uma alternativa ao avanço do cultivo e tráfico de drogas pelo crime organizado.

 



Entretanto, pode haver um erro de estratégia da Petrobras ao dobrar a aposta na exploração de petróleo no Amapá e retardar sua transição para uma empresa de tecnologia de energia limpa e produção de combustíveis verdes. Hoje temos reservas de cerca de 16 bilhões de barris de petróleo no pré-sal; a estimativa da exploração da margem equatorial da foz do Amazonas é de 14 bilhões de barris. Isso equivale às reservas do Cazaquistão.



As maiores reservas estão nos seguintes países: Venezuela (303 bilhões de barris), na Faixa do Orinoco; Arábia Saudita (267 bilhões), que encabeça a Opep;  Canadá (170 bilhões), nas areias betuminosas de Alberta; Irã (155 bilhões); Iraque (145 bilhões); Rússia (108 bilhões);  Kuwait (101 bilhões); Emirados Árabes Unidos (98 bilhões), concentradas Abu Dhabi; Estados Unidos (69 bilhões), impulsionada pelo fracking e xisto betuminoso; Líbia (48 bilhões); e Nigéria (37 bilhões); e China (26 bilhões de barris), atrás do Cazaquistão e do Brasil (se houver petróleo na Margem Equatorial).

 


Carro elétrico



Criada em 1960, a Opep reúne 13 grandes produtores de petróleo: Arábia Saudita, Irã, Kuwait, Venezuela, Iraque, Argélia, Equador, Gabão, Indonésia, Líbia, Nigéria, Catar e Emirados Árabes Unidos, um cartel que jogou o preço dos petróleos para cima  e pode baixá-los quando houver redução do consumo de combustíveis fosseis, inviabilizando a exploração para quem tem custos de produção mais elevados. Os países árabes têm uma estratégia de transição para a nova economia, da qual Dubai é o principal “case”, com horizonte de cinquenta anos.

 



O Brasil foi convidado, em 2023, para a Opep+. Criado em 2016, esse grupo reúne países produtores e exportadores de petróleo que não fazem parte oficialmente do cartel, mas colaboram em políticas internacionais de petróleo. São mais de 20 nações, entre as quais Azerbaijão, Bahrein, Malásia, México e Rússia. Com produção de 3,672 milhões de barris de petróleo por dia, o Brasil hoje é o nono maior produtor de petróleo do mundo e o primeiro da América Latina. Mas isso não elimina o risco de ficar com um mico na mão.



Onde mora o perigo? No carro elétrico. Sua popularização seria a chave para manter o crescimento, liderado pelo mercado interno e pela economia dos serviços, e sem os inconvenientes da gasolina. A China aposta fortemente nessa opção e o Brasil tem a possibilidade de adoção de modelos híbridos, com o etanol.  Um ciclo de exploração de petróleo em águas profundas leva de 15 a 20 anos. A Petrobras corre o risco de perder o bonde para o carro elétrico, sobretudo quando os chineses inundarem o mercado mundial e consumo de petróleo se reduzir.

 



Em nota, a organização não governamental (ONG) WWF-Brasil, que atua em defesa do meio ambiente em todo o país, criticou a posição do governo e lembrou que poucos países no mundo estão tão bem posicionados para a transição para energias renováveis como o Brasil. Com a decisão de explorar petróleo até a última gota, o país abdica de ser um líder da nova economia descarbonizada.

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