Katiuscia Silva
Katiuscia Silva
Mestra em Sexologia pela Universidade ISEP - Madrid. Especialista em Comportamento. Analista Corporal. Mentora. Palestrante. Treinamentos para Empresas
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O poder da mesa posta: como os encontros mudam nossas relações

Chame cada um pelo nome, coloque o café no bule e faça o exercício sagrado da escuta

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Vivemos conectados o tempo todo pela tecnologia, mas a verdade é que nunca nos sentimos tão sós. A mesa posta para o mundo digital é para muitos confundida como luxo e frescura. Mas é mais que a etiqueta - o encontro ao redor da refeição é o que a ciência define como um divisor de águas para a saúde mental. 

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Entre as memórias de um café com bolo e as evidências de Harvard, mergulhamos hoje na história de Gioconda Heiderich para entender por que a mesa é o último reduto de resistência da humanidade, e como três oportunidades diárias de encontro podem mudar radicalmente o destino de sua família.

Para entendermos a seriedade do que acontece quando nos sentamos para comer, precisamos ouvir quem estuda as raízes da felicidade. Susan Pinker, mestre em psicologia pela University of Waterloo, no Canadá, é uma das maiores especialistas mundiais em conexão social e longevidade. Em suas pesquisas, Pinker defende que o contato face a face não é um "bônus" na agenda, mas uma necessidade biológica. Ela explica que o olho no olho à mesa libera uma 'cascata biológica' que reduz o estresse e blinda a imunidade. É o 'efeito aldeia': a única proteção que nasce da presença física e da conexão real.

Mas, na prática, como esse poder se manifesta? A resposta veio de uma conversa improvável entre Gioconda e um senhor de mais de 80 anos. Ao ser questionado sobre a rotina de seus cafés da manhã, ele respondeu com um orgulho que brilhava nos olhos: "Há quase 70 anos, minha esposa coloca na mesa tudo o que eu gosto. Tem bolo, café com leite e uma toalha que ela sempre usa. Tomamos o café juntos, todos os dias".

Gioconda, então, disse o verdadeiro significado do gesto da esposa: “O que sua esposa faz há 70 anos é mesa posta. É a forma de ela dizer, sem usar uma palavra, que ama e cuida do senhor”. Naquele instante, ele percebeu que sua alegria de viver não vinha apenas do café, mas do altar de afeto montado todas as manhãs.

O que torna o olhar de Gioconda tão profundo é o seu ponto de partida. Antes de empreender com mesa posta, ela serviu por anos como escrivã de polícia. No rigor das delegacias, ela viu de perto o que acontece quando os laços se rompem. Gioconda registrou o fim das histórias: a violência que nasce do silêncio, a depressão de filhos que se tornam invisíveis dentro de casa e casais que se tornam estranhos dividindo o mesmo teto.

"Na polícia, eu via onde a conexão terminava", conta Gioconda. "Hoje, eu ensino onde a conexão começa. A mesa posta é segurança preventiva. É o lugar onde você percebe se seu filho está triste ou se seu cônjuge está exausto. É ali que os laços são refeitos antes que desmorone a relação."

Muitas famílias cometem o erro de achar que mesa posta é sobre "ter". Esperam a porcelana de herança ou o cristal para celebrar. Mas a verdade é que a mesa posta é sobre "ser". É sobre ser presente. É sobre trocar o brilho frio da tela do celular pelo brilho caloroso nos olhos de quem está à sua frente. A ciência já provou que famílias que fazem refeições juntas geram filhos mais resilientes. Não é sobre luxo, é sobre se sentir pertencente a uma família.

O despertar que sua casa precisa

Se você sente que sua família está morrendo de sede emocional mesmo com a geladeira cheia, entenda que o balcão da cozinha foi feito para a pressa; o sofá, para o entretenimento. O único lugar da casa capaz de restaurar a identidade de uma família é a mesa.

Não espere uma data especial para tirar a toalha de pano da gaveta. Sua família precisa se sentir especial todos os dias. Chame cada um pelo nome, coloque o café no bule e faça o exercício sagrado da escuta. Porque, no fim da vida, você não vai se lembrar dos e-mails que respondeu ou das curtidas que acumulou. Você vai se lembrar do cheiro do café com bolo e da segurança absoluta de saber que, naquela mesa, você era verdadeiramente amado.

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Recupere seu lar. Salve sua família. Comece hoje, no próximo jantar. Afinal, a felicidade não é um destino onde chegamos, mas um encontro que acontece toda vez que servimos o amor em doses diárias, bem ali, entre um prato e outro.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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