
O autocuidado feminino como ato de reconexão
Escolher cuidar da pele não é negar o tempo ou esconder marcas. É reconhecer a própria história e honrá-la com afeto
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Por muito tempo, o cuidado com a aparência feminina foi erroneamente associado à vaidade superficial ou à busca por validação externa. Hoje, porém, vivemos uma virada de chave: mais do que um ato estético, o autocuidado é um exercício de autonomia, um gesto de amor próprio e, sobretudo, um caminho legítimo de reencontro com a autoestima.
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O dermatologista Lucas Miranda explica que é comum receber no consultório mulheres com queixas relacionadas à pele, ao cabelo ou aos sinais do envelhecimento. O que muitas vezes não se diz — mas se percebe com clareza — é que, por trás da busca por um procedimento ou tratamento, existe uma necessidade mais profunda: a de se reconhecer no espelho, de voltar a gostar do que se vê e, principalmente, de se sentir bem por dentro.
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“O cuidado com a pele não é futilidade. É saúde. A pele é o maior órgão do corpo humano e um espelho do que acontece internamente — físico e emocionalmente. Condições como a acne adulta, a dermatite seborreica e até a queda de cabelo podem ter forte componente psicossomático, agravado por estresse crônico, ansiedade e baixa autoestima. Tratar esses problemas de forma isolada, sem olhar para o estado emocional da paciente, é como enxugar gelo”, diz o especialista.
Por isso, é tão importante abordar o autocuidado a partir da autoestima. Segundo o especialista, não basta recorrer ao creme mais caro ou ao procedimento mais moderno se a relação com o próprio corpo ainda for pautada por autocrítica, vergonha ou negação. Antes de cuidar da pele, é preciso cuidar do olhar com que se vê.
A ciência já demonstrou que a autoestima está diretamente ligada ao bem-estar geral e à sexualidade, influenciando inclusive na resposta imunológica e na saúde da pele. Estudos em psicodermatologia — área que une dermatologia e psicologia — indicam que pacientes com boa autoestima aderem melhor aos tratamentos, têm expectativas mais realistas e obtêm resultados mais satisfatórios, tanto estéticos quanto clínicos. A autoestima não é um estado permanente. Ela oscila, é construída e reconstruída ao longo da vida.
O médico ressalta que cada mulher tem o direito de se cuidar por ela mesma, por seu desejo de se sentir bem, e não por pressões externas. O autocuidado, nesse sentido, deixa de ser um dever estético e se torna um exercício de presença, de escuta e de escolha.
“Há quem busque esse cuidado após um rompimento afetivo, após a maternidade ou após anos em que a própria imagem foi negligenciada. Em todos esses casos, um ponto é comum: muitas relatam não se sentirem confortáveis com o próprio corpo nem mesmo diante do parceiro. E quando o desconforto com a própria pele se impõe entre a mulher e sua intimidade, o impacto vai além do espelho — atinge também sua vivência sexual e afetiva.”
Por isso, é fundamental entender que o cuidado estético, quando parte de um desejo genuíno, pode ser ferramenta potente de reconexão. Cuidar da pele, do cabelo, da aparência, pode ser o primeiro passo para resgatar a confiança e, com ela, a liberdade de viver a sexualidade de forma plena e espontânea.
Escolher cuidar da pele não é negar o tempo ou esconder marcas. É reconhecer a própria história e honrá-la com afeto. É possível e necessário envelhecer com dignidade e beleza, não a beleza imposta, mas aquela que floresce quando a mulher se sente inteira. O especialista explica que a dermatologia estética, quando bem indicada, pode ser uma grande aliada nesse processo. Mas ela deve vir como um recurso complementar, e não como ponto de partida.
“O ponto de partida é sempre a autoestima. E ela não se constrói no consultório, mas dentro de cada uma.”
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.