Se fosse na Europa, torcedores celestes estariam felizes
Passional que é, o torcedor não consegue ter esse raciocínio, mas eu, como analista de futebol, preciso ser coerente com os fatos
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O Mineirão deverá estar lotado nesta quinta-feira (5/11) para Cruzeiro x Bahia, e motivos não faltam para a China Azul estar confiante. Ganhando do Bahia, o time azul chegará aos 60 pontos, se manterá na terceira posição, aumentando a distância para o próprio Bahia e para o Athletico-PR, além do Fluminense, que encara o Vitória, também esta noite, no Barradão, que são os perseguidores para o terceiro e quarto lugares. Enfim, o Cruzeiro só depende dele para se garantir na Libertadores do ano que vem e voltar a sonhar com o tri da competição.
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O trabalho de Arthur Jorge é simplesmente espetacular e só perde, no returno, para o líder Flamengo. Sabemos que o “se” não joga, mas se Tite não tivesse deixado o Cruzeiro na lanterna do Brasileiro, a equipe celeste estaria hoje disputando a taça. Tite faz mal a qualquer equipe que dirija. Além de péssimo treinador, é prolixo e mentiroso.
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Mas vamos deixar esse cara pra lá. É só mais um técnico fracassado, que insiste em se manter na ativa. Como dizem os boleiros: “ex-treinador em atividade”.
Falando do que interessa, não consigo pensar com a cabeça do torcedor. Acostumado com a cultura europeia e norte-americana, eu penso sempre na campanha e no trabalho, não apenas nas taças. Sei da importância que elas têm, principalmente para um clube acostumado a ganhá-las, mas a campanha no ano é o que importa.
O Cruzeiro esteve na Libertadores, mas, no sorteio, pegou o poderoso Flamengo, fez dois jogos parelhos e foi eliminado. Na Copa do Brasil, pegou o rival Atlético, e perdeu na Arena MRV, com empate no Mineirão. Resultados absolutamente normais, em se tratando de clássico.
No Brasileirão, faz essa campanha de recuperação espetacular. Fosse na Europa e os torcedores estariam soltando foguetes, pois o time estaria na Champions League do ano seguinte, como o Cruzeiro estará na Libertadores de 2027. Passional que é, o torcedor não consegue ter esse raciocínio, mas eu, como analista de futebol, preciso ser coerente com os fatos.
O trabalho do presidente Pedro Lourenço e do vice, Pedro Junio, tem apenas 2 anos e meio, e nesse tempo, ajeitaram a casa financeiramente, com a recuperação judicial, formaram grandes times, gastando dinheiro do próprio bolso, e chegaram a decidir o título da Sula. As campanhas no Brasileirão passado e na CB, onde foi garfado, falam por si só. Campanhas extraordinárias, com 1/5 do orçamento de Flamengo e Palmeiras, que dominam o nosso futebol há uma década.
Claro que a dupla errou também como na contratação de Tite, de Gerson e de outros jogadores que não têm condições de vestir a camisa azul. Mas isso faz parte de qualquer gestão. Qual o dono que já tirou do bolso R$ 1 bilhão para pagar dívidas e contratar jogadores, além de pagar altos salários? Só mesmo o presidente Pedro Lourenço.
Tenho como máxima a frase do maior presidente da história do Atlético, Alexandre Kalil: “Num ano a bola bate na trave, no outro, no travessão, e no seguinte a bola entra na casinha e as taças vêm”. É isso mesmo. O Cruzeiro tem chegado pertinho, mas a arbitragem, sempre tendenciosa, o prejudica, e é sabido que concorrer com Fla e Palmeiras é muito difícil, pelo poderio financeiro dos dois clubes. Ainda assim, o Cruzeiro mete sua colher de pau e tem encarado ambos, com vitórias significativas.
Pedro Lourenço não vai ficar metendo a mão no seu patrimônio pessoal para ficar gastando com o futebol. O Cruzeiro terá que buscar seu caminho para se tornar superavitário e poder concorrer com Fla e Palmeiras. Por enquanto, porém, é Pedro Lourenço quem se sacrifica, pois além de dono é um torcedor apaixonado.
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Que sorte tem o Cruzeiro, assim como o Atlético, com donos que amam os clubes. E ainda tem gente que reclama! Mas eu entendo. Paixão é uma coisa que deixa a maioria cega. Não deveria ser assim, mas, como não estamos na Europa, a gente entende. Para mim, Cruzeiro e Atlético têm chegado forte nas competições e mostrado ao Brasil que Minas Gerais continua forte e se faz representar muito bem no futebol. Tenham a certeza, uma hora a bola vai entrar na casinha.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.