Pedrinho e Pedro Junio merecem a taça, mas o futebol ainda está muito ruim
Nada mudou de domingo para cá. O Cruzeiro continua um time sem criatividade, sem velocidade, sem a qualidade do ano passado
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Se há duas pessoas que merecem comemorar uma taça eram Pedro Lourenço e Pedro Junio. Dois dirigentes que trabalham com honestidade, transparência e qualidade. Os campeonatos estaduais são fracos e não servem de referência, mas o fato de terem acabado com a hegemonia do Galo e impedido o hepta é pra ser considerado sim. Porém, que não se iludam: o trabalho de Tite continua fraco, Cruzeiro e Atlético proporcionaram um dos piores clássicos da história e é preocupante vê-los juntos na zona de rebaixamento.
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Quando foi campeão estadual no Flamengo, para valorizar a conquista, Tite disse que era “o Estadual mais difícil do país”. Isso não é verdade, assim como não é verdade que o Campeonato Mineiro foi bem disputado. Não foi. O Cruzeiro teve dificuldades contra times da Série D, perdeu para o Atlético na fase de grupos e apresentou futebol pífio. Temos que dizer a verdade, pois daqui pra frente as competições que valem de verdade é que vão dizer o que esperar do Cruzeiro na temporada.
O Mineiro é passado, e a chave vira hoje para o Brasileirão: encarar o Flamengo, no Maracanã, em busca de pelo menos um empate. Não seria nada anormal o Cruzeiro perder ou ganhar do Flamengo, mas o momento não permite derrota. Com 2 pontos, em 12 disputados, se perder, praticamente dará adeus à competição.
Eu já acho que o Brasileiro já era, e, embora o presidente diga que “não se prioriza competição na Toca”, será preciso, sim, escolher a Libertadores, como principal objetivo. Claro, sem se descuidar do Brasileiro, pois se mantiver esse começo ruim, lá na frente brigará para não cair. O Cruzeiro foi menos ruim que o Atlético no domingo, e por isso, sagrou-se campeão. Deu dois chutes a gol, e num deles KJ, que para mim tem de ser o centroavante da Seleção na Copa, marcou, de cabeça, o gol da taça. O jogador foi artilheiro do Brasileiro, Copa do Brasil e Mineiro, na sequência. Se Ancelotti não convocá-lo, estará na contramão da história. Não há um centroavante brasileiro com a qualidade de KJ.
A torcida deu uma trégua para Tite pela conquista do Mineiro, mas eu garanti que, ainda que ele perdesse, não seria demitido. Aliás, o presidente falou dentro do gramado, após a conquista: “nunca passou pela minha cabeça a demissão do Tite. Eu acredito no trabalho dele”. É um direito do dono do clube, como é um direito sagrado nosso criticar, quando percebemos que a coisa não anda, e elogiar, quando funciona.
Todos sabem que não gosto do trabalho de Tite e não tenho a menor esperança de que, com ele, o Cruzeiro possa ganhar taças importantes. Nada mudou de domingo para cá. O Cruzeiro continua um time sem criatividade, sem velocidade, sem a qualidade do ano passado. Uma defesa ainda fraca, mas que melhorou com a volta de Villalba, um meio-campo que pouco cria, e um atacante que, sozinho, consegue resolver os problemas: Kaio Jorge. Uma derrota para o Flamengo, hoje, e o torcedor vai continuar pedindo a saída do treinador.
Aliás, no nosso JaeciCarvalhoEsportes de domingo, mesmo com a conquista, a grande maioria ainda pedia a saída dele. Da minha parte, mantenho minha coerência, pois depois do fracasso de Tite na Seleção e no Flamengo, acredito que ele esteja ultrapassado, não se reciclou e não vejo nenhuma evolução naquilo que faz. Para o torcedor, porém, bastará o Cruzeiro engrenar no Brasileirão e começar bem na Libertadores para esquecer críticas a ele. O torcedor é passional, emoção pura. Não é o meu caso. Analiso com a frieza que a causa exige. Torço sim pelo Cruzeiro e, principalmente, pela família Lourenço, por tudo o que fizeram e fazem pelo clube, mas não posso, como analista, passar pano e dizer que está tudo maravilhoso por causa de uma conquista do pior estadual da história, com jogos pífios do campeão.
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O próprio presidente disse que o que mantém treinador num clube são os resultados. Ele confia e não quer demitir Tite, mas se os resultados não vierem, nada feito. Por enquanto, nada feito. Futebol ruim, time mal treinado, bem diferente daquele que nos encantou na temporada passada. E só mesmo o futebol para proporcionar encontros inusitados. Nesta quarta, o homem que fez o Cruzeiro jogar o melhor futebol dos últimos tempos, hoje odiado pela torcida azul, estará do outro lado, comandando o Flamengo. Do outro lado, Tite, que deixou o Flamengo terra arrasada e caiu, após 10 meses de um péssimo trabalho e eliminação na Libertadores. Façam suas apostas. Eu gostaria de saber em quem Paquetá e Bruno Henrique apostariam!!!!
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