x
Jaeci Carvalho
Jaeci Carvalho

Qualquer técnico que assuma a seleção vai se queimar

"Podemos dançar, cantar e pintar cabelo, desde que ganhe a taça. Foi assim que os 'platinados' do Flamengo, sob o comando de Jorge Jesus, fizeram

Publicidade

Mais lidas

Nenhum técnico que assumir a vaga de Dorival Júnior, será campeão do mundo com a Seleção Brasileira. Não há como fazer milagre e por este time para jogar em alto nível, a um ano e dois meses do Mundial de 2026. Porém, Jorge Jesus, o português que já declarou seu amor pelo Escrete Canarinho, poderá dar um Norte ao time e levá-lo mais longe na competição.


Toda vez que há crise na Seleção, a diretoria da CBF recorre a Carlo Ancelotti. Desde o dia em que anunciaram o italiano, ano passado, eu provei, com fatos cronológicos, que Ancelotti jamais teve a intenção de trocar o Real Madrid pela Seleção. E mais: ele tem contrato até 2026 e já disse que pretende se aposentar no time merengue. Ancelotti declarou na quinta-feira, que não teve nenhum contato com a CBF e que não vai largar o clube espanhol.


Vamos encarar a realidade nua e crua e ela atende pelo nome de Jorge Jesus, que largaria seu clube na Arábia Saudita e assumiria de imediato, porém, este confidenciou a Galvão Bueno, na última sexta-feira (28/3), que não teve qualquer contato da entidade máxima do futebol brasileiro.


O treinador português mandou Neymar embora do clube árabe, mas tenho a certeza de que, se assumir o time verde-amarelo, vai contar com o jogador e poderá motivá-lo a ser novamente um atleta de futebol. Jorge Jesus ganhou seis títulos em um ano de Flamengo. Mostrou como um europeu trabalha e abriu o caminho para seus compatriotas, como os vencedores Abel Ferreira e Arthur Jorge.


Além disso, conhece nosso futebol, nossos jogadores, costumes e tradição. Não é preguiçoso e gosta de trabalhar todos os dias, sem poupar ninguém. Acho a frase dele espetacular: “Os jogadores ganham fortunas, jogam duas vezes por semana e têm a segunda-feira para descansar. No mais, é trabalhar sério para atingir os objetivos”. É isso mesmo, chega de tanta preguiça e falta de comprometimento. Estamos a um ano de dois meses do Mundial, e JJ poderá nos dar o melhor caminho. Não sei se o atual mandatário da CBF gosta dele como técnico, mas não há outro nome plausível.


Jorge Jesus vai acabar com as dancinhas fora de hora e jamais deixaria um jogador seu dar a declaração estapafúrdia como deu Raphinha a Romário, que causou indignação nos argentinos, que deram o troco na bola, goleando, com exibição de gala. Cabelos pintados, dancinhas e fones de ouvido é a marca desta geração fraca de bola, mas bem atuante nas redes sociais.


A gente pode dançar, cantar e pintar o cabelo, desde que ganhe a taça. Foi assim que os “platinados” do Flamengo, sob o comando de JJ, fizeram quando ganharam tudo. Antes disso, nada feito, é preciso trabalhar com seriedade, pois as seleções europeias estão anos-luz à nossa frente, e, para combatê-las, nada melhor que um técnico do Velho Mundo, que possa fazer essa distância diminuir.


É sabido que o atual presidente não dá poderes aos seus diretores, mas, não demitiu Rodrigo Caetano, como muitos afirmavam que ocorreria. Isso é um bom sinal, pois Caetano é um excelente profissional.


O Brasil virou chacota mundial e nem as seleções medianas ou mesmo as pequenas nos respeitam mais. Nos encaram de igual para igual e dão sufoco no nosso time. Temos um ataque de alto nível, mal treinado e mal dirigido, mas do meio para trás somos um desastre, com jogadores fracassados e sem a menor condição de vestir a Amarelinha.


O problema é que todos se tornam milionários muito jovens e isso, com certeza, sobe a suas cabeças, a Seleção Brasileira vira apenas uma forma de se promover. Eles não têm o amor pela Amarelinha, como tinham os jogadores do passado.


Zico deu uma declaração, recentemente, que “não é milionário”, e “que só aumentou seu patrimônio quando foi trabalhar no Japão”, onde é diretor até hoje. Talvez aí esteja a explicação para o momento dessa geração atual. Zico sabia o esforço que tinha que fazer para conquistar sua independência financeira, ao passo que hoje, com tanto dinheiro e pouco talento, os caras não valorizam mais nada.


Redes sociais, iates, jatos particulares, festas glamourosas, roupas de grifes, 50 relógios de marca. Entendo que a juventude tem suas necessidades, mas um atleta vestir a camisa da Seleção Brasileira numa Copa do Mundo é o ápice da carreira. Pelo menos era até 2006, com a última grande geração que tivemos. De uns tempos para cá, só fracassos com os 7 a 1 que Felipão e Cia tomaram, e agora essa derrota humilhante para a Argentina.


Dito isso, vou dar um aviso: embora eu adore JJ, acho que ele vai queimar seu nome dirigindo a Seleção Brasileira. Por mais que eu confie nele, a safra é a pior da história e não vejo como, a um ano e dois meses da Copa do Mundo, ele possa nos levar além das quartas de final. Caso seja mesmo contratado, o tempo dirá.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

Tópicos relacionados:

dorival jorge-jesus selecao-brasileira

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay