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Ivan Drummond
Ivan Drummond
Repóter de Polícia e Esportes. Participei da cobertura e sete edições dos Jogos Olímpicos, Cobertura Copa do Mundo. Ganhador de dois Prêmios "Esso", em 1985 e 1987. Ganhador Prêmio Nacional Petrobras, com a série de matérias "Hilda Furacão"
HISTÓRIAS DO ESPORTE

O que o esporte proporciona a quem sempre esteve envolvido com ele

Engraçado a cultura do esporte, seja ele qual for, de formar laços resistentes de amizade

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Nada como ser um apaixonado. Essa história vai muito além do relacionamento entre homem e mulher. É sobre amizade, família, educação. Pois é. Até algum tempo atrás, a criança, no máximo no início da puberdade, era levado a se apaixonar. Falo do esporte. Você começa a competir e se apaixona, a ponto de seguir nessa vida mesmo depois de parar de competir.

 

 

Pois bem, falo de um esporte que tem um exemplo que serve de exemplo pra todo mundo. Desde pequeno vejo um grupo de pessoas, ex-jogadores, que nunca abandonaram a quadra. Não importa a idade. Eles estão juntos às quartas-feiras à noite e aos sábados e domingos pela manhã. Ah, também nos feriados.

 

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Pois essa história vai além, ultrapassa fronteiras. Um ex-jogador, de Campo Belo, no interior mineiro, veio para a capital estudar, se formar e, depois, trabalhar. Não queria ficar longe do seu esporte, do basquete. E ao desembarcar, foi logo procurar um clube que conhecia como adversário nas quadras, o Ginástico.

Pois lá, acontecem esses encontros, três vezes por semana. É sagrado. Jogam uma, duas, três partidas. Depois tem a resenha, aquela conversa fiadas, as brincadeiras, as gozações, que na verdade, são um reforço da amizade.

 

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E para animar, existe uma brincadeira, a do chamado “air ball”, quando se arremessa em direção à cesta, mas sem acertar o aro. Pois quem erra tem de pagar uma cerveja, a mais cara.

Mas esse jogador, especificamente, teve de ir embora de Belo Horizonte, para trabalhar. Foi para São Paulo. Mas e o basquete? Como ficaria o basquete, o esporte que o acompanhou a vida inteira, e de onde vieram as grandes amizades?

Pois ele deu um jeito. Procurou um clube de basquete, na capital paulista. Tinha de ser um clube que tivesse a mesma filosofia do seu anterior, aqui de BH, o Ginástico.

 

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Pois ele encontrou. Foi para o Pinheiros. Lá, tinha conhecidos dos tempos da quadra. E foi conversando, contando casos. Foi nascendo uma amizade, como a que tinha antes de deixar Belo Horizonte.

Engraçado a cultura do esporte, seja ele qual for, de formar laços resistentes de amizade, impressiona. Pois lá, ele se sentia em casa. Assim como na capital mineira, a pelada acontece uma vez durante a semana e nos finais de semana. Seu filho, inclusive, que jogava aqui no Ginástico, está agora no Pinheiros. A vida não mudou, pelo contrário, se fortaleceu.

Mas a vida anterior, do Ginástico, lhe fazia falta. A saudade dos amigos era muito grande. Mas como resolver isso? Pois ele teve a ideia de unir os dois clubes, através dos seus ex-jogadores. Os companheiros da “Pelada” de basquete.

Assim, há quatro anos, nascia um confronto que, na verdade, não é um confronto, mas sim uma confraternização. Assim, os veteranos do Ginástico se aventuraram, primeiro, a ir a São Paulo. Depois, os paulistas vieram a Belo Horizonte.

Nasceu um evento que chama a atenção e acontece duas vezes a cada ano. Um em Belo Horizonte e outro em São Paulo. As datas são marcadas com antecedência para que todos se programem.

Pois há duas semanas foi a vez da turma do Pinheiros vir a BH. O time, com um ex-jogador da Seleção Brasileira, Caio Cassiolato, mais Cláudio Maffia, Fábio Ferraro, Robert Metzner, André Romano, Aníbal Netto, Danilo Daud e Vinícius Alvarenga. Este último o dono da ideia.

Foram três dias. No primeiro, uma confraternização, num restaurante. No segundo, o dia do jogo, seguido de outra confraternização, no clube. No terceiro, café da manhã e hora de se despedir.

O Ginásio teve, em quadra, Professor, Marcão, Ricardão, Klebim, Juan, Túlio, Eduardo Santiago, Tigrão, Marlon e Mauricinho. Ainda ficaram faltando Xande, Humberto, Marião, Sílvio Malta e muitos outros.

O placar do jogo, 68 a 66 para os paulistas. Mas isso pouco importa. O Ginástico já foi ao Pinheiro e também venceu. O que eles querem, todos, é entrar em quadra e jogar. Aproveitar o esporte e a amizade.

E esse confronto tem inclusive um fato interessante. Em março de 2020, com tudo suspenso, em função da pandemia da Covid, o único jogo de basquete do mundo foi Ginástico x Pinheiros, em BH, no ginásio do Ginástico. E ninguém ficou contaminado. Os jogadores, dos dois times, preferiram jogar, o que a paixão de suas vidas.

Um viva ao esporte, capaz de formar sólidas amizades.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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