Drag Suzy Brasil festeja aniversário, e criador evita falar de idade
Personagem de Marcelo Souza participa da ‘Gongada drag’ nesta quinta (19/3), em BH; ele diz que personagem hoje é vista como ‘tia ou avó’ pelas novinhas
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“Gongada drag” está em festa. Não só por comemorar esta noite (19/3), no Cine Theatro Brasil, sua décima edição na capital mineira, mas especialmente por reunir no palco nomes de peso na arte drag para festejar, no maior bom humor e com muito deboche, o aniversário de Suzy Brasil, a drag amada por todos. Ao redor do bolo da aniversariante, estarão reunidas Samara Rios, Charlotte, Kayette Fernandes, Melina Blley, Nayla Brizard, Victor Martyn e Bruno Motta, o condutor do embate entre as convidadas e também criador do projeto.
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• RECAUCHUTADA
Apesar do sucesso que Suzy faz desde sua criação, há mais de 30 anos, Marcelo Souza, ator e roteirista, criador da personagem, reconhece que hoje ela é uma senhora. “Agora as novinhas chamam Suzy de vó, de tia. Faz parte do processo”, comenta, com humor. “O que acho incrível é que essa galera mais nova [de drags] tem um respeito muito grande. Valoriza e entende muito o lugar em que chegamos, as portas que abrimos para elas estarem arrasando na cena.” Se para Suzy não é difícil envelhecer, para Marcelo é bem mais. “Treino todo dia, faço procedimentos uma vez ou outra, dou uma recauchutada. Eu nem sei falar bem sobre isso, porque nem gosto de falar sobre idade.”
• NINFETA
Marcelo Souza lembra que, quando Suzy surgiu, ela era muito jovem em relação às drags da época. “Frente a todas as cabeçonas do humor do Rio de Janeiro, como Rose Bombom, Lorna Washington, Lola Batalhão, Laura de Vison, Meime dos Brilhos, a Suzy era uma ninfeta, com um humor picante, um humor e pensamento rápidos, uma velocidade no improviso, o que foi dando a ela abertura para chegar até essas divas do Rio de Janeiro”, diz. “Então, muito rapidamente, a Suzi foi pegando o microfone e se enturmando com essa galera que era a nata do humor, talvez do Brasil”, pontua. Marcelo enumera as fases vividas por Suzy ao longo dos anos. “Ela era a novinha, sacaneando todas as antigas. Houve o momento em que foi amadurecendo e virando uma apresentadora conceituada no meio, quando as pessoas passaram a vê-la com outro olhar.”
• PALHAÇARIA
Se Suzy é a preferida pelo público e por muita gente que faz teatro, cinema e televisão, quem são as preferidas de Marcelo? “Comecei muito fã de Luiza Gasparelli, que, na época, fazia uma caracterização perfeita de Madonna e trouxe para o Rio de Janeiro o bate-cabelo, a música eletrônica nos shows, com dança, balé”, aponta, mas reconhece em Rose Bombom sua referência maior. “Por causa da inteligência que ela tinha de misturar palhaçaria com arte drag.” Lembra ainda de Lorna Washigton – “Dona de um texto ácido, picante, que eu amava” –; Samara Rios – “Parceiraça com quem amo dividir o palco e me divirto muito em cena” –; Organza – “Ela tem sempre uma mensagem política nas performances dela. É uma drag muito genial” – e Naza – “Ela entendeu ter um TDHA, um delay, e usa isso no humor”.
• NAYLA
Comediantes mineiros também não escapam ao radar de Marcelo. “Sou muito apaixonado pela Nayla Brizard. Me divirto muito com ela, que circula, transita, ela vai lá, faz uma performance emocionante, mas arrasa quando ela faz comédia, quando faz caracterização de Bethânia. Ela é muito perfeita no que faz, eu sou fã demais.”
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• PARQUE DE DIVERSÕES
O “Gongada drag”, projeto criado pelo mineiro Bruno Motta há quase três anos, Marcelo considera muito importante, por ter uma função de agregar talentos. “Para mim, fazer o Gongada é um parque de diversão, porque eu trabalhei com improviso a minha vida inteira. Sempre fiz stand-up nas boates. Então, o ‘Gongada’ para a Suzi é um parque de diversões e é um grande exercício.”
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
