
Artistas surpreendem visitantes com show nas janelas de prédio na Praça
Virgínia Rodrigues e Sérgio Pererê cantaram nas janelas do primeiro andar do CCBB-BH, voltados para o pátio, na abertura da mostra "Ancestral: Afro-Américas"
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A cantora baiana Virgínia Rodrigues e o mineiro Sérgio Pererê fizeram duas apresentações curtas – foram apenas quatro canções – nas janelas do prédio do CCBB-BH, na Praça da Liberdade. Mas emocionaram o público, em sua maioria pego de surpresa, no sábado (8/3).
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A performance marcou a abertura da mostra "Ancestral: Afro-Américas”, que segue em cartaz até maio, no centro cultural. Virgínia apresentou "Canto de Xangô", gravado por ela no álbum "Mares profundos" (2003), e "Iemanjá", presente em todos os seus shows; Sérgio Pererê interpretou "Na tamboli", do disco "Canções de Bolso" (2020), e "João e José", faixa do disco “Famalé”, de 2015.
PARA OS ANCESTRAIS
Ao final da segunda apresentação, no início da noite de sábado, Virginia Rodrigues não escondia a emoção. "Estou muito feliz, honrada de ter sido lembrada por Marcello Dantas (diretor artístico da mostra), no meio de tantas pessoas que ele poderia ter convidado, me escolheu", disse, elogiando também a mostra.
"A exposição é linda e fala dos meus ancestrais. Estou muito honrada!" Simpática, considerou que ter dividido os vocais com Sérgio Pererê foi um presente (antecipado) de aniversário (ela comemora 60 anos em 31 de março).
A baiana conhecia o músico mineiro, a primeira parceira dos dois foi realizada no fim de semana que passou."Espero que tenhamos outras oportunidades de trabalhar juntos", afirmou ela, que chegou a BH na quinta-feira passada e fez com Pererê apenas um ensaio. Sobre as canções de Pererê, Virginia foi assertiva: "São lindas demais".
HISTÓRICO
Para Marcello Dantas, o encontro entre Virginia Rodrigues e Sérgio Pererê foi surpreendente. "Eles já se conheciam, mas nunca haviam tocado juntos e, no ensaio, o entrosamento foi absoluto. É lindo.
São duas entidades mesmo", elogia o curador da exposição. "Quando ele começa a dialogar com ela (durante a apresentação), puxar um ao outro, é uma coisa histórica." Pererê também ficou entusiasmado com o encontro com Virgínia. Tanto é que não descarta parceria futura. "Nos identificamos muito. Estamos pensando em coisas para fazermos juntos. A voz de Virgínia é uma coisa muito mágica."
BANTO
Sobre as músicas que cantou, Pererê diz que “Na Tamboli” é composição dele na língua lingala no Congo. "Para trazer um pouco da presença banto. A exposição, na verdade, está contando com vários povos distintos da África. Resolvemos fazer esse passeio. A Virgínia traz a presença iorubá quando canta ‘O canto de Xangô’."
Sobre “João e José”, o cantor e compositor mineiro o define como um blues com uma energia congadeira que traz um elemento ancestral, que é o pilão, potente em várias culturas de descendência africana.
ARTE AFRICANA
Reunindo 130 obras, a exposição tem curadoria de Ana Beatriz Almeida e Renato Araújo da Silva, com Marcello Dantas assinando a direção artística. A novidade em BH é o eixo Arte Africana Tradicional, criado especialmente para a temporada na capital mineira.
O módulo reúne objetos que mostram a força das tradições e inovações culturais e tecnológicas ao longo do tempo. “Ancestral: Afro-Américas” fica em cartaz até 12 de maio, de quarta a segunda, das 10h às 22h, nas galerias do terceiro andar.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.